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sexta-feira, 9 de junho de 2017

E se a dívida não é sua?

A
solidariedade é um atributo muito valorizado, ainda mais nos tempos difíceis que vivemos, em que cada vez menos pode-se confiar nas pessoas, e que em função disso, torna-se cada vez mais difícil ajudar alguém. Entretanto, é muito importante que mantenhamos nossa predisposição de colaborar, e claro, a nossa auto-defesa, que é a nossa análise de risco, o nosso feeling natural para identificar o perigo.

Você certamente está se perguntando: "onde ele quer chegar com isso?" Na verdade, quero abordar hoje um comportamento que de fato é solidário, mas que expõe aquele que faz o favor a riscos bem maiores do que costuma-se imaginar, ou seja, me refiro ao ato de "emprestar" seu nome para um parente ou amigo que precisa fazer uma dívida ou comprar algo de forma parcelada.

Pode parecer um problema raro ou de menor importância, mas segundo matéria do site InfoMoney (aqui), em torno de 20% das dívidas em situação de inadimplência não são de fato das pessoas que as assumiram. Esta situação é ruim para quem "empresta" seu nome, porque sofre consequências que não deveria sofrer, além de que contribui negativamente para a economia do país, agravando o quadro creditício, que já é complicado.

O que pode acontecer com quem "empresta" seu nome a um parente ou amigo? Em caso de inadimplência, pode acontecer o mesmo que poderia acontecer se você mesmo criasse uma dívida e não a pagasse: restrição do nome nos serviços de proteção ao crédito, cobranças judiciais, e os problemas emocionais decorrentes deste tipo de situação, que são muito incômodos. E mais: não há como cobrar judicialmente a pessoa a quem você ajudou.

Outro problema, que provavelmente vai acontecer, é o abalo na relação pessoal familiar ou de amizade, já que se você não concordar em ajudar, a pessoa poderá se aborrecer. Por outro lado, se você concordar em ajudar, e for prejudicado, certamente se aborrecerá também. O ideal mesmo, é que este tipo de situação não aconteça, mas é muito improvável que você passe sua vida sem se deparar com este problema.

O que fazer, então?

A pergunta que pode surgir agora é: "o que eu faço se alguém me procurar pedindo esse tipo de ajuda?" Diante desta pergunta, que é muito natural, sugiro a seguinte lista de ações:

- Procure saber qual é o real motivo deste pedido de ajuda: muitas vezes, quem chegará a você pedindo ajuda já está sem crédito no mercado, com o nome negativado, e pode até mesmo já ter apelado a agiotas;

- Se o motivo for realmente grave (por exemplo, casos de doença que exijam tratamento imediato), considere a possibilidade de ajudar, mas tentando, na medida do possível (e na hora certa) certificar-se de que há alguma chance de ser pago;

- Se não for um problema fortuito, e de dimensões maiores que as forças dessa pessoa, ofereça ajuda para que se organize financeiramente, se possível, acompanhando-a até os credores para renegociar suas dívidas;

- Caso realmente decida "emprestar" seu nome, certifique-se de quem será o credor (banco, financeira, loja, etc...) e também a respeito do número de parcelas, taxa de juros e valor das parcelas. Tenha sempre essas informações com você para acompanhar e tentar que a pessoa faça os pagamentos;

- Se resolver "emprestar" seu nome, esteja pronto para assumir a dívida totalmente. O risco deste tipo de ajuda é alto, e por isso mesmo, há situações em que os que vão ajudar preferem assumir logo que estão dando o dinheiro.

- Você não é obrigado a nada. Lembre-se sempre disto. Siga o seu feeling e faça o que achar que deve.