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quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Mercado de ações: um novo perfil de investidor?

N
ormalmente, quando se fala em mercado de ações, pensamos em investimentos feitos por poucos endinheirados que conseguem compreender esta modalidade, ou então pensamos em bancos e investidores institucionais, movimentando enormes somas de dinheiro, com poder suficiente para provocar altas ou baixas de preços das ações com seus movimentos.

Entretanto, uma nova realidade parece estar se formando, a partir dos dados divulgados pela própria BM&FBovespa no Twitter, que mostram uma significativa alteração na composição do quadro de investidores entre os anos de 2015 e 2016, como apresentamos a seguir:

2015: 
Estrangeiros: 39,91%
Institucionais: 29,34%
Instituições Financeiras: 21,92%
Pessoas Físicas: 7,69%
Empresas: 0,95%

2016: 
Estrangeiros: 39,76%
Institucionais: 29,35%
Inst. Financeiras: 17,16%
Pessoas Físicas: 12,65%
Empresas: 0,91%

O segmento "Pessoas Físicas" chama a atenção pelo aumento relevante da sua participação no quadro de investidores do mercado de ações brasileiro, e isto é muito bom, principalmente se significar que mais pessoas estão compreendendo o funcionamento deste mercado e estão de fato investindo, seja baseados em uma análise técnica, mais grafista, ou pela análise fundamentalista. Do contrário, se compram ações ao acaso, sem um critério ou uma estratégia, estarão somente especulando.

Outro número que chama a atenção é o peso do segmento "Estrangeiros", que se manteve próximo aos 40%, ou seja, nosso mercado de ações ainda depende em grande escala de capital externo. Este percentual é explicado pela escassez de poupança das famílias e empresas brasileiras, e esta dependência também explica até certo ponto a volatilidade do mercado de ações nacional, já que o compromisso destes recursos é especulativo, e se os donos destes recursos, em outros países, precisarem de liquidez, vão de imediato resgatar o que possuem em países como o Brasil e cobrir seus déficits em sua origem.

Assim, é preciso seguir buscando um novo perfil de investidor para a bolsa brasileira, amenizando o peso do capital especulativo estrangeiro e redefinindo o perfil dos investimentos para o longo prazo, como já acontece de forma mais evidente nos Estados Unidos. A BM&FBovespa vem trabalhando para que esta mudança aconteça, porque ela é necessária para o mercado acionário e para a economia brasileira.