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sábado, 9 de julho de 2016

Consumo: equilíbrio ou desespero?

A
qui neste blog, uma das palavras que mais repetimos é EQUILÍBRIO, por entendermos que ela é fundamental para uma boa educação financeira, e também para uma relação saudável das pessoas com o dinheiro. Consumir pouco é ruim, assim como consumir muito. E como tudo na vida, o consumo também tem um aspecto psicológico muito forte.

Flávio Gikovate
Um dos maiores psicoterapeutas brasileiros, Flávio Gikovate, que já vendeu mais de 1 milhão de livros e atendeu mais de 9.000 pacientes, deu uma belíssima entrevista para a Época Negócios, enfatizando o consumismo como um reflexo do desespero da elite, mas que na minha opinião é um desespero generalizado. Mesmo pessoas que não são membros da elite econômica do país, tem buscado consumir marcas e grifes que custam muito acima das suas possibilidades e tem buscado suprir carências através do consumo. Essas pessoas muitas vezes acabam em situações de superendividamento e passam pelos inúmeros constrangimentos que vem com esta situação (cobranças, ações judiciais, negativação do nome, etc...)

As relações humanas estão muito precarizadas na nossa sociedade, e assim, como consequência, as relações com o dinheiro também estão precarizadas. Vale lembrar que além das suas funções clássicas (reserva de valor, unidade de troca e denominador de valores), o dinheiro também tem a função de empoderamento das pessoas, e assim sendo, seu uso requer boas doses de sabedoria, justiça e equilíbrio (olha aí a nossa "palavrinha mágica" de novo).

Observe que na entrevista, Flávio Gikovate cita um estudo de Harvard, que mostra a importância de ter dinheiro para atender às necessidades básicas, sob pena da quase impossibilidade de sermos felizes, ou seja, poder consumir também é um fator de felicidade, desde que seja feito da forma certa. O problema está nos patamares seguintes, quando a renda está maior, e consequentemente a oferta de produtos e serviços é maior, requerendo mais equilíbrio, e menos desespero.

Um bom exemplo disto é a finalidade das pessoas ao viajar para o exterior. Tem pessoas que viajam quase que exclusivamente para fazer compras e mostrar às pessoas que compraram muitos produtos das grifes "X" e "Y", quando na verdade, poderiam dividir suas prioridades, fazer algumas compras, que é algo interessante, mas sem perder a chance de aumentar seu conhecimento e sua cultura, de interagir com a população local e de vivenciar o ritmo e a experiência de estar em Paris, Buenos Aires, Madrid, Milão, Tóquio e outros locais.

Assim, pessoal, fica evidente que é preciso ter educação financeira para lidar corretamente com os aspectos inerentes ao consumo, para que ele seja feito não por desespero ou carências afetivas, mas sim com planejamento, com controle e com equilíbrio.