InícioBlogEventosVídeosOs autoresContatoRecomendamos

domingo, 4 de outubro de 2015

O emprego está em queda… Oba!

C

om o sentimento pessimista das empresas e do mercado financeiro em relação ao ambiente econômico (e político) brasileiro, os índices de emprego e renda são afetados, com redução da média de salários e freio nas contratações. Com isso, o trabalho informal e outras fontes alternativas de renda começam a crescer. Temos motivos para clamor e ranger de dentes? Não! Este é o momento de aproveitar as oportunidades que surgem onde menos esperamos.
Somente após a realização da Copa do Mundo nosso país sentiu, além da vergonhosa derrota para a Alemanha, os efeitos do ambiente adverso na economia mundial. As ações realizadas pelo Governo Federal para amortecer tais efeitos no mercado interno tinham prazo de validade e uma exigência: ajustes profundos nas contas públicas. Contudo, não houve agilidade nem no Executivo nem no Legislativo, preocupados sobretudo com o resultado das eleições presidenciais pós-Copa, para preparar o terreno do ano fiscal de 2015, que já sinalizava com problemas bem antes do certame futebolístico.
Sem entrar no mérito de panelaços e disputas políticas visando desestabilizar o status quo, o fato é que esta é a grande oportunidade do povo brasileiro acordar para assuntos urgentes que não são de competência exclusiva dos representantes eleitos. Um deles é sobre a importância da Educação Financeira na vida de cada cidadão. Com o mercado instável, a bolsa de valores não é atraente, forçando o investidor a optar por ativos mais conservadores, como títulos pré-fixados e dólar - este, inclusive, tem apresentado elevações significativas nos últimos dois meses, ultrapassando a barreira dos R$ 4.
Outro ponto reside na responsabilidade dos nossos empresários: por ser um país quase que exclusivamente exportador de commodities - uma sina que persegue o Brasil desde a época dos Descobrimentos - sofre sobremaneira com a instabilidade econômica da China, atualmente o maior comprador de commodities do mundo. Não basta o governo ter um projeto político e econômico para o país: é preciso que a nossa indústria - se é que temos uma - invista seriamente em pesquisa e desenvolvimento (P&D) para não dependermos da propriedade intelectual de outros países e criarmos um ativo de tecnologia significativo. Em outras palavras, precisamos seguir um caminho semelhante ao do Japão, Coreia e China se quisermos ter uma economia sustentável, com geração de empregos e renda, e fortalecer nossa presença no comércio exterior.
Precisamos deixar de lado a chamada Síndrome do Vira-Latas, de achar que nada do que se faz no Brasil presta, e assumir a dianteira em inovação. Inclusive por conta de termos passado por situações econômicas extremas em um passado recente, o brasileiro é especialista em inovação e aperfeiçoamento de tecnologias. Pejorativamente e, em boa parte dos casos, erroneamente, chamamos essa capacidade de adaptação e aproveitamento de recursos de "gambiarra". Entretanto, no cerne de toda gambiarra existe um princípio lógico que, aplicado com o suporte de pesquisas adequadas e uma metodologia válida, pode promover uma mudança significativa na forma de se fazer algo.
Um exemplo é a indústria da recarga de cartuchos para impressoras: no desinteresse dos grandes fabricantes de impressoras em ter um serviço de reciclagem de cartuchos em nosso país, criou-se todo um ecossistema de fornecedores de insumos e empresas de recarga, clandestinas ou não, além dos chamados "cartuchos compatíveis". A dimensão desse mercado é tão grande que a HP teve que entrar com ações na Justiça contra fabricantes de cartuchos compatíveis, que estavam minando os lucros da gigante americana em nosso país.
Portanto, diferentemente do que disse há poucos dias atrás o investidor brasileiro Sílvio Tini, crise não é "oportunidade para se ferrar", mas de repensar a forma como fazemos as coisas, de como geramos riqueza e também de como a conservamos. O educado financeiramente que vem fazendo o dever de casa não sente, da maneira dramática como alardeiam os meios de comunicação e alguns analistas econômicos, os impactos da crise de imagem da política nacional nem os indiretos efeitos da crise econômica mundial. Ele observa o cenário e vê que se trata de um "freio de arrumação", um ajuste de rumos para a vinda de um período de estabilidade. Toda crise econômica é cíclica e tem prazo para acabar. E nós podemos e devemos fazer o que sabemos fazer de melhor: nos adaptar com criatividade e alegria.
Sucesso a todos!