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sexta-feira, 5 de junho de 2015

Será que você vai mesmo se aposentar?

U
ma das principais polêmicas que envolvem o debate sobre o ajuste fiscal que o governo federal quer executar é o chamado fator previdenciário, um cálculo que impacta nos parâmetros (idade e tempo de contribuição) de avaliação para que o trabalhador brasileiro possa se aposentar com o valor integral, que como sabemos, já não é dos mais significativos e nem mesmo sequer reconfortante, ou então, limitar-se à aposentadoria proporcional.

De forma geral, pelas regras atuais, via cálculo do fator previdenciário, para a aposentadoria integral é preciso ter 60 anos de idade (mulheres) ou 65 anos de idade (homens). Antes disto, mesmo já tendo contribuído durante 30 anos (mulheres) ou 35 anos (homens), aplica-se o referido fator, adotado desde 1999, que define, através de fatores como expectativa de vida e outros, o valor a ser pago nas aposentadorias do setor privado. 

Em votação recente na Câmara dos Deputados, foi aprovada uma alternativa ao criticado fator previdenciário, que é a somatória de idade e tempo de contribuição de 85 anos para mulheres (pelo menos 30 anos de contribuição) e de 95 anos para homens (pelo menos 35 anos de contribuição) como mínimo para o pagamento da aposentadoria integral. Entretanto, já há rumores de que o governo federal até aceitaria a mudança, desde que seja exigida uma somatória de 95 anos para mulheres e 105 anos para homens! Isto significaria pelo menos mais 5 anos de trabalho em relação à proposta aprovada.  

Além das intermináveis discussões sobre a validade de mudar ou não o método de definição do tempo de contribuição com o INSS, este debate nos indica algumas coisas a analisar:

1 - Os verdadeiros problemas previdenciários e fiscais do Brasil ainda não foram encarados consistentemente e mais uma vez a busca é pela saída mais fácil: aquela que penaliza e exige ainda mais do cidadão para ajustar as incorreções. Onde estão, por exemplo, os cálculos para encerrar este modelo previdenciário de solidariedade geracional?

2 - A mudança (fim do fator previdenciário) até ajuda quem começa a contribuir mais cedo, mas ainda assim privilegia quem começa a contribuir mais tarde, o que não é lá muito justo, já que se alguém começa a contribuir mais cedo, deveria poder se aposentar com o mesmo tempo de contribuição dos demais;

3 - As perspectivas são cada vez mais desfavoráveis para as gerações seguintes, já que o Brasil está envelhecendo e sem um debate adequado, a aposentadoria só poderá ser paga cada vez mais tarde, culminando em um ponto em que muito poucos conseguirão chegar até lá, mesmo contribuindo efetivamente, ou até mesmo morrendo durante a fase contributiva.

Assim, vendo que este tipo de debate ainda não produz soluções mais efetivas e ajustes deste tipo deverão ocorrer outras vezes nas próximas décadas, sempre me pergunto: "será que a minha geração vai mesmo se aposentar pelo INSS?" "Nos próximos 20 anos, quantas vezes mais a idade mínima para a aposentadoria será aumentada?" Por isso, volto a apelar a todos que iniciem sua preparação em termos de educação financeira e se resguardem, pois o atual modelo de aposentadoria pode simplesmente ser negado às futuras gerações, por completa e absoluta insuficiência de recursos. Então, aproveite enquanto ainda dá tempo e avalie uma previdência privada, o empreendedorismo ou investimentos em ativos financeiros.