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sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Micro e minigeração de energia: acenda essa ideia

C
om o aumento das tarifas de energia em "até 40%", conforme declarações do ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, e a possibilidade de racionamento devido a fatores climáticos e falta de planejamento energético do Governo Federal nos últimos 30 anos - sim, a culpa não é só do "governo que aí está", como diria o saudoso político Leonel Brizola - torna-se cada vez mais atraente a ideia de buscar alternativas de geração de energia, especialmente as renováveis, como solar, eólica (dos ventos), entre outras. E isso pode fazer muito bem para o seu bolso.
A dependência do Brasil à geração de energia elétrica por meio de usinas hidrelétricas evidenciou-se insustentável nos últimos anos com as alterações climáticas que surpreenderam a região sudeste com estiagens prolongadas, provocando inclusive racionamento de água na principal megalópole do país. Neste ano de 2015, além desses fatores, a necessidade imperiosa de aumentar a arrecadação de impostos e enxugar os gastos da máquina pública está fazendo a conta da luz aumentar expressivamente, o que acaba também sendo uma bola de neve em todos os setores - indústria, comércio e serviços - pois todos eles têm na energia elétrica um dos seus principais custos fixos.
Diante desse quadro assustador, a geração de energia elétrica por meios renováveis acaba ganhando um destaque maior e pode ser a bola da vez a partir deste ano, embora sua participação na geração total de energia no país ainda seja incipiente. Mais ainda, passa a ser considerada pelo consumidor doméstico, que vê na conta de luz mensal um grande devorador dos seus rendimentos. Nesse aspecto, a instalação de micro e minigeradores de energia passa a ser um investimento deveras atraente no longo prazo, especialmente tendo em vista a possibilidade de vender o excedente para as concessionárias ou para outros consumidores.
No momento, o grande empecilho para uma adoção maciça pelo consumidor doméstico é o alto custo dos kits de energia solar, que incluem os painéis, controladores, inversores, baterias e mão de obra de instalação. É possível encontrar empresas oferecendo os kits a partir de R$ 12 mil, para uma geração de energia de até 245 kWh/mês (a depender das condições meteorológicas, naturalmente). Os de energia eólica são ainda mais caros, beirando os R$ 50 mil. Boa parte do custo está na tributação dos equipamentos, geralmente importados. Assim, o Governo Federal poderia estimular a geração doméstica de energia limpa e renovável se desonerasse os equipamentos necessários.
Entretanto, é visível a falta de vontade política para esse estímulo, por conta do lobby das concessionárias de energia elétrica que veem nessa iniciativa um risco de perder uma boa parcela de seus consumidores, bem como dos estados da Federação, que perdem arrecadação dos impostos embutidos nas contas de luz. Por isso, existem estados que incidem impostos inclusive na energia gerada pelo consumidor, o que é evidentemente um absurdo.
Mas, com tantas barreiras para a geração de energia renovável pelos consumidores, onde está o benefício? Primeiramente, para os que possuem alma empreendedora e inovadora, vislumbra-se aí grandes oportunidades de negócio e geração de renda. Por exemplo, a criação da telha eólica por um estudante cearense mostra a capacidade inovadora do brasileiro no setor. Com o aumento da demanda por produtos da área, é possível que as empresas fabricantes dos kits sinta-se estimuladas a investir em P&D para aprimorar os produtos existentes no mercado. Por exemplo, o potencial energético da energia solar por metro quadrado é de 1 mil kWh, mas a tecnologia de células fotovoltaicas atual aproveita apenas cerca de 10% disso.
Por outro lado, embora o custo inicial seja elevado, a depender do consumo da residência e da capacidade do equipamento em gerar excedentes, o investimento pode pagar-se em torno de 10 anos ou menos. Assim  como o investimento em ações, trata-se de um investimento de médio a longo prazo, de baixo custo de  manutenção e que pode tornar-se uma fonte (extra) de renda, além de livrar-se, quase que definitivamente, dos desmandes econômicos das empresas do setor elétrico.
Assim, para o educado financeiramente, trata-se de assunto a ser estudado com bastante interesse, acompanhando as atualizações tecnológicas no setor, o barateamento dos componentes e a política econômica que se seguirá nos próximos anos.
Sucesso a todos!