InícioBlogEventosVídeosOs autoresContatoRecomendamos

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Enriquecimento Total entrevista: André Massaro

N
este começo de ano que se aproxima, há uma grande expectativa em relação ao que o segundo mandato da Presidente Dilma Rousseff poderá trazer ao povo brasileiro nas mais diversas áreas, especialmente na economia, que foi um ponto bastante explorado pelos outros candidatos na campanha presidencial. Para entendermos melhor este momento, vamos conversar com um dos maiores educadores financeiros do país, que é colunista do site da revista Exame: André Massaro.

André Massaro
Enriquecimento Total (ET): Neste cenário de crescimento econômico negativo, com inflação oficial a mais de 6% em 2014 e escândalos em importantes estatais como a Petrobras, o brasileiro pode ter alguma expectativa de ganhar dinheiro em 2015?

André Massaro: Sim, sem dúvidas! Não podemos esquecer que as oportunidades sempre existem, em qualquer cenário.

No caso dos investimentos, vejo as melhores oportunidades no segmento de renda fixa. As taxas de juros estão deixando os retornos muito atrativos. Tesouro Direto e CDBs/LCIs de bancos menores são minhas escolhas no momento

ET: Quais seriam as alternativas de investimento mais interessantes para os primeiros meses do ano que vem?

André: Eu não vejo nada interessante, por exemplo, no mercado de renda variável. Uma aposta na bolsa seria, na minha opinião, exatamente isso: uma aposta (e falo isso com um viés negativo, pois nunca gostei da ideia de tratar a bolsa como se fosse uma espécie de “jogo”).

Já na renda fixa, os já mencionados títulos públicos (negociados via Tesouro Direto) e os títulos de bancos (como CDBs e LCIs) devem ficar na liderança, não só nos primeiros meses, mas talvez no restante do ano.

ET: E em relação a aquisições de maior impacto, como a tão sonhada casa própria ou a troca de carro, você acha que o momento é realmente propício ou deve-se deixar este tipo de compra para outro momento?

André: Eu não sou especialista em mercado imobiliário. Não é um segmento que eu estudo ou analiso, mas o que tenho ouvido de outras pessoas mais “antenadas” nesse mercado é que ele está muito ruim. O mercado não tem liquidez (as pessoas estão sem dinheiro, com medo e o crédito não é mais aquela “fartura”) e os preços dos imóveis resistem a cair, apesar de não haver muitos negócios nos níveis atuais. O cenário não me agrada e eu procuraria investir em outro lugar.


Quanto à troca de carro, profissionais de finanças pessoais costumam sempre olhar esse tipo de gasto com maus olhos, e eu não sou diferente. Para mim não é um momento adequado para grandes gastos (especialmente se for utilizando crédito) e acho que uma aquisição ou troca de carro precisa ter uma justificativa muito sólida.

ET: Investimento em moeda estrangeira seria adequado neste cenário?

André: A compra de moeda, pura e simples, não é recomendada. Se for para investir em moeda estrangeira, que seja em títulos e ativos denominados em moeda estrangeira que pagam juros ou algum outro tipo de renda.


Acho interessante esse tipo de investimento para pessoas que têm patrimônio líquido grande, que buscam níveis maiores de proteção e diversificação. Já para o pequeno investidor, a não ser que o indivíduo tenha obrigações em moeda estrangeira, eu não recomendo. Especular com moeda estrangeira é difícil e diversificar em excesso, quando se tem um patrimônio relativamente pequeno, é contraproducente.

ET: Àqueles que desejam iniciar um negócio próprio como fonte primária ou secundária de renda, seria este um bom momento?

André: Acredito que sim. A economia está mudando (para pior) e é possível que haja impactos negativos no emprego. Essa mudança econômica vai ser interessante para quem conseguir enxergar novas oportunidades surgindo em um cenário de crise, e muitas pessoas serão forçadas a empreender se houver um aumento do desemprego. Então, acho prudente que as pessoas, ao menos, se informem sobre a possibilidade de fazer negócios em paralelo às atividades profissionais normais.

ET: E investir em uma franquia? Uma matéria no site da Exame cita expectativa de crescimento para esse setor no ano que vem. Seria uma boa oportunidade?

André: Não devemos analisar o segmento de franquias de uma forma generalizada. Existem franquias boas e ruins, segmentos bons e ruins... É um caminho para o empreendedorismo, mas a imagem de que empreender via franquia é mais fácil e seguro do que por outra via é, em grande parte das vezes, um mito.


O candidato a empreendedor deve ser prudente e fazer a “lição de casa” antes de colocar dinheiro em qualquer negócio.

ET: Também no site da Exame, em seu blog você escreveu dois artigos sobre o Black Friday, tanto do Brasil como dos EUA. Em sua opinião, este evento é uma oportunidade ou uma armadilha perigosa?

André: Eu vejo mais como armadilha. Muito barulho por pouco. Não pensem que eu também não tenho meu lado consumidor e que não gosto de boas oportunidades... Eu fiquei atento às ofertas de Black Friday e fiquei desapontado com o nível de descontos que eu vi, pelo menos nos produtos que me interessavam.


Eu acredito que, no período após o Natal, teremos ofertas e oportunidades melhores que na Black Friday.

ET: Diante do cenário pessimista para 2015, será esse o ano da conscientização da população brasileira para a importância da Educação Financeira e do Planejamento Orçamentário Pessoal?

André: É o que eu espero. Depois de um período de consumo e de endividamento desenfreados, é importante que “caia a ficha” nas pessoas e que passem a usar o dinheiro de forma mais responsável.


Já percebo um maior interesse das pessoas comuns pelos assuntos financeiros, mas por hora prefiro não me animar muito, pois pode ser “fogo de palha” (e isso já aconteceu antes). De qualquer forma, mantenho expectativas positivas.

ET: Em quais aspectos o brasileiro precisa se empenhar mais para ter uma situação financeira mais confortável?

André: Sem dúvida no consumo. O brasileiro vem se revelando, nesses últimos anos, um consumidor imaturo e, em alguns casos, beirando a irresponsabilidade. Vemos pessoas comprando coisas supérfluas em grande quantidade, usando para isso dinheiro emprestado a custos altíssimos, e elas sequer têm noção das taxas e custos que estão pagando.

É aquela mentalidade do “ver se a parcela cabe no meu orçamento”. Isso precisa parar! As precisam adotar posturas economicamente mais sustentáveis.

ET: André, mais uma vez, muito obrigado por se dispor a conversar com Enriquecimento Total! Desejamos um Feliz 2015 e este espaço agora é seu para que possa deixar uma mensagem aos nossos leitores.

André: Para mim é sempre um prazer e uma honra conversar com vocês e com seus leitores. Eu desejo a todos um excelente ano de 2015, mas, como deve ter ficado claro nesta nossa conversa, não acredito que será um ano fácil.

Porém, aqueles que investirem em conhecimento, e tratarem o dinheiro com respeito, terão tudo para ter sucesso e atingir seus objetivos.