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quinta-feira, 13 de novembro de 2014

2015 e o vendedor de laranjas

M
uitas são as notícias alarmantes sobre a economia nacional pós-eleições, desenhando um cenário sombrio e até apocalíptico para o ano de 2015, mas cabe aqui uma pergunta: tal cenário é ruim para quem? Num país com histórico de inflações galopantes durante a era militar e no início dos governos civis, é preciso ponderar com cautela e fugir do terrorismo midiático.
Em uma reunião de trabalho que participei recentemente, vi uma colega veterana fazer uma apresentação baseada em matérias de importantes veículos de comunicação apontando para uma iminente recessão da nossa economia e grandes dificuldades em fazer negócios em 2015. Resumindo, era como se ela tivesse dito "fujam para as montanhas! O mundo vai se acabar!" Sendo jornalista formado, vi com bastante ceticismo, e talvez até com um pouco de cinismo, aquela pantomima macabra se desenrolando na frente de cerca de 20 gerentes.
Lembrei-me imediatamente de uma história anônima, que ouvi há alguns anos atrás, sobre um vendedor de laranjas de beira de estrada, resumida por Paulo Coelho aqui. Ela apresenta algumas lições importantes: não acredite em tudo que lê ou vê nos principais meios de comunicação; o que acontece no nível macroeconômico (cenário econômico nacional e/ou mundial) não necessariamente reflete total e imediatamente no nível microeconômico (sua família ou seus negócios); mesmo a opinião de um "especialista" pode estar permeada de pré-conceitos arraigados no senso comum ou nos interesses de determinados grupos político-econômicos. E, o mais importante: seu sucesso e prosperidade dependem exclusivamente de você.
Naturalmente, é um cenário preocupante, mas para quem? Certamente, para o mercado financeiro, especialmente bancos, e para os setores primários da economia. Entretanto, o que parece ruim para uns pode ser positivo para outros. Novas demandas e novos nichos de mercado podem ser abertos como consequência desse cenário: por exemplo, devido ao aumento da expectativa de vida do brasileiro e do aumento dos índices de desemprego, vem aumentando o número de aposentados que resolvem empreender para ter uma renda além da aposentadoria. Este é um mercado que pode ser explorado por fornecedores de bens de produção e por instituições financeiras que oferecem microcrédito.
Marcelo escreveu no artigo anterior sobre as ameaças e oportunidades no mercado financeiro nesta época de incertezas. Apenas complementando o que ele escreveu, já existe, no momento em que escrevo este artigo, uma sinalização de quem pode ser o próximo ministro da Fazenda a partir do ano que vem, o que deve acalmar o mercado. Mas somente esse fator não será suficiente: tudo dependerá da condução da política econômica.
Crises sempre vêm acompanhadas de oportunidades, como vimos no artigo de Marcelo. E o brasileiro é conhecido por sua criatividade e adaptabilidade em cenários adversos. Portanto, esta é mais uma oportunidade para trabalhar com as características que definem o educado financeiramente: consumo consciente e hábito de poupança. A boa administração do orçamento pessoal e familiar, aliado a investimentos regulares e sólidos - aproveitando para comprar bons papéis na baixa do mercado - amenizarão os possíveis impactos decorrentes de um possível ano economicamente difícil.
Por outro lado, para os empreendedores, inovação e geração de valor agregado tornam-se itens imperativos para a sustentabilidade dos negócios próprios. Uma das grandes fragilidades da indústria brasileira é o baixo investimento em pesquisa e desenvolvimento (P&D). E, como bem frisado pelos principais autores da área, inovação não significa tecnologia de ponta nem panaceias miraculosas: trata-se apenas de fazer de maneira mais eficiente algo já existente. E isso exige pesquisa, exige sair da zona de conforto, meter a mão na massa e buscar o melhor resultado.
Assim, façamos como o vendedor de laranjas antes de ser contaminado pelas admoestações do filho: arregacemos as mangas e construamos o nosso futuro de sucesso. Apenas um fator pode impedir a nossa realização: nós mesmos.
Sucesso a todos!