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segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Guardar dinheiro em casa? Tô fora!

N
a semana passada, a presidente Dilma Rousseff, em entrevista para o jornal Folha de São Paulo, declarou abertamente que mantém em torno de R$ 150 mil em espécie dentro de sua própria residência. Esta é uma prática comum entre os políticos brasileiros, e no caso da presidente, o valor é até baixo se comparado com os milhões de reais que já foram encontrados em diversas operações da Polícia Federal e que outros políticos declaram possuir em casa.

Esta declaração, porém, é lamentável sob diversos pontos de vista, conforme pode-se ver nesta excelente reportagem da Revista Exame (http://exame.abril.com.br/seu-dinheiro/noticias/por-que-dar-uma-de-dilma-e-manter-dinheiro-em-casa-e-roubada), onde podemos ver os diversos perigos e problemas desta prática, desde os mais óbvios como os riscos de segurança, até os mais desconhecidos como os riscos de contaminação. Muitos, inclusive eu, acreditamos (e deveria ser assim) que guardar dinheiro em casa, "embaixo do colchão", era somente folclore, uma prática ultrapassada e extinta.  

Mas o pior de tudo, pessoal, é que esta declaração e este tipo de atitude, de entesouramento, são uma verdadeira aula de "deseducação" financeira, algo a ser combatido fortemente em um país como o nosso, onde as pessoas ainda consomem desenfreadamente, onde não se planejam, não leem nem se educam financeiramente e os níveis de poupança não viabilizam a formação de capitais para investimentos na medida necessária. Esta escassez de investimentos contribui para a elevação da taxa de juros e a geração de novos empregos.

Desta forma, infelizmente, a presidente da república dá uma enorme "pisada na bola", porque na atual situação da economia brasileira, com a inflação ameaçando voltar e o PIB crescendo pouco, os investimentos, que já citei acima, são extremamente necessários e decorrem exatamente da poupança que as famílias, as empresas e o próprio governo fazem. É esse dinheiro que vai mudar o quadro econômico do Brasil, se, obviamente, os investimentos forem viabilizados, promovendo mais empregos e incluindo mais pessoas no sistema econômico.  

Além disto, o sistema financeiro nacional e a economia brasileira ficam severamente prejudicados, porque com menos recursos investidos, há menos intermediação financeira, menos negócios se realizam, há menos circulação da moeda e o PIB cresce menos. Enfim, os prejuízos são muitos e o pior de tudo, as vítimas do entesouramento, essa prática desnecessária e que deve ser combatida, somos nós mesmos.

Até a próxima, pessoal!