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quinta-feira, 29 de maio de 2014

Brasil: cresceremos com a Copa?

A controvérsia acerca do fato de se sediar uma Copa do Mundo da Fifa trazer algum benefício para o país sede e seu povo já vem sendo alimentada desde que o Brasil se candidatou ao evento. Particularmente, sigo o velho bordão de que "ganha dinheiro quem tem dinheiro". Diante de obras inacabadas, economia ameaçada, poucos investimentos fora do universo futebol, período eleitoral às portas e insatisfação popular, tenho minhas dúvidas de que o que está sendo cantado pelo governo federal será efetivo depois de 2014. E as notícias econômicas veiculadas recentemente tendem a fortalecer essas dúvidas.
Artigo publicado no site da IstoÉ Dinheiro sinaliza um crescimento abaixo do esperado do Brasil, tendo em vista uma série de circunstâncias que inclui recuperação moderada dos países ricos e maior atratividade destes para os investidores estrangeiros, conforme análise publicada pela ONU. De fato, todos os países emergentes tiveram suas previsões de crescimento reduzidas, porém o Brasil só perde para a Rússia - que está em clima de guerra com a vizinha Ucrânia e sofrendo sanções econômicas. Ou seja, o impacto é grande e sem nenhuma razão sui generis.
Se os "benefícios permanentes" referentes à Copa fossem assim como dizem as autoridades constituídas do nosso país, este freio no crescimento não deveria ser sentido pelos analistas. Mais ainda, pelos próprios números oficiais. Às vésperas do mundial, os sinais de melhoria da economia já deveriam estar se fazendo visíveis, com a previsão de gastos de turistas, segundo o site oficial do governo sobre a Copa do Mundo, em torno de R$ 30 bilhões. Naturalmente, não se espera arrecadar tudo isso apenas nos cerca de 30 dias da competição: considera-se o antes e o depois.
Referente à geração de emprego, encontramos outra incongruência: enquanto a Fifa arrebanha, apenas no Rio de Janeiro, 1.500 voluntários para trabalharem durante os jogos, Natal e João Pessoa geram mais empregos do que as cidades-sede da Copa do Mundo na região Nordeste (Fortaleza, Recife e Salvador). Muitos dos voluntários são seduzidos pela ideia de melhoria no currículo com o trabalho voluntário, mas não vejo o porquê de não ser um trabalho remunerado, tendo em vista tanto dinheiro envolvido no mundial. Os empregos relacionados a obras de infraestrutura e da construção dos estádios não durarão mais do que o tempo de realização das obras - se elas forem totalmente concluídas, claro - e normalmente estariam relacionadas às obras do PAC - Programa de Aceleração do Crescimento, caso não houvesse o evento futebolístico no Brasil.
Nos estádios, chamados de "Arenas" - uma correlação com os antigos espetáculos romanos para a diversão das massas não será uma mera coincidência - e seus arredores, apenas empresas e pessoal autorizado pela Fifa e seus patrocinadores poderão comercializar produtos e serviços. Naturalmente, para fazer parte desse grupo seleto os valores são estratosféricos, impossibilitando a inclusão de pequenos empresários, que são os que mais empregam mão de obra no país. Fala-se em empregos indiretos, mas eles não serão maiores do que os que são gerados fora do período futebolístico ou em ocasiões em que o país participou de edições anteriores, sediados em outros países.
Diante disso, não é de se espantar que muitas pessoas sejam contrárias à Copa. O problema é que reclamar agora já não adianta mais. Tentar fazer do limão uma limonada é a única opção, além de se fazer uma reflexão profunda acerca do destino político de nosso país às vésperas das eleições. Para o educado financeiramente, é importante avaliar o comportamento da economia e do mercado financeiro este ano, diante da instabilidade política provocada pelas manifestações e pelo aproveitamento, por parte dos partidos de oposição, do caso Petrobras para enfraquecer a imagem do governo petista e, de quebra, forçar ainda mais a queda dos papéis da maior estatal do país.
Respondendo à pergunta do título, acredito que não cresceremos com a Copa. Mas podemos crescer e amadurecer depois da Copa.
Sucesso a todos!