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terça-feira, 11 de março de 2014

Bitcoin e criptomoedas: um mercado sem governos

U
ma notícia pelo menos curiosa tem ocupado paralelamente os noticiários de economia e tecnologia: o MtGox, uma das maiores corretoras da criptomoeda Bitcoin do mundo, fechou as portas e declarou falência no Japão. Isso depois que 750 mil bitcoins de clientes e mais 100 mil da própria MtGox terem sumido, causando um rombo equivalente a US$ 300 milhões. Muitos leitores dos sites especializados comentaram coisas do tipo "eu não disse que era furada?", mas quem conhece o mercado financeiro sabe que tais situações acontecem em qualquer lugar, mesmo nos países e mercados mais estáveis e consolidados.
Quem não se lembra da quebra do Barings Bank em 1995 com as desastrosas especulações feitas por Nick Leeson em Cingapura? Ou dos casos da Long-Term Capital Management e da Société Générale? Quando este último escândalo ocorreu, o próprio Leeson comentou à rede BBC: "A primeira coisa que veio à minha mente não foi necessariamente o choque de que isso poderia ocorrer de novo - acho que as operações desonestas são, provavelmente, ocorrências diárias nos mercados financeiros. O que realmente me chocou foi o tamanho (da fraude)". A fraude ocorrida na Société, em 2008, foi de US$ 7,2 bilhões.
Mas o Bitcoin não é dinheiro "de verdade". E se pensarmos bem, 99,9% das transações feitas nos mercados de capitais também não envolvem dinheiro "de verdade". Assim, qual seria a diferença?
O Bitcoin é uma criptomoeda, ou seja, um sistema digital de trocas que utiliza criptografia forte para realizar transações anônimas. Foi criada em 2009 por um programador cujo pseudônimo era Satoshi Nakamoto. Acredita-se que sua criação se baseou nas ideias levantadas no Manifesto Cypherpunk, nome de uma lista de discussão usada por entusiastas em criptografia.
Embora não seja considerada oficialmente uma moeda em nenhum país do mundo, o Bitcoin possui regras fortes de controle de emissão (inflação) e diferencia-se das moedas tradicionais, além do fato de ser virtual, por não possuir entidades centralizadas de emissão e validação, ou seja, não possui "Banco Central". Sua geração é feita a partir da chamada "mineração", onde o computador do usuário de Bitcoin cede tempo de processamento para a realização de determinadas tarefas definidas pela rede do Bitcoin. Uma vez realizada a tarefa, são geradas quantidades limitadas de criptomoedas - vinte e cinco unidades por bloco de processamento, para ser mais preciso - que são distribuídas aos participantes da rede de acordo com a quantidade de processamento cedida. Essa geração de bitcoins é feita através da própria rede distribuída.
O Bitcoin é a mais antiga criptomoeda, mas não é a única. Litecoin, Peercoin, Dogecoin são algumas das várias existentes e ativas hoje. Em 2013, a cotação de Bitcoin chegou a impressionantes R$ 1,1 mil para cada Bitcoin, sendo considerado, por isso, um ativo altamente volátil. Com a quebra da MtGox, acredita-se que o mercado da criptomoeda sofra um pesado revés, mas ainda longe de representar o fim.
Diante da possibilidade de enriquecimento e a abertura para quaisquer pessoas - o que não é uma novidade, pois na primeira década do século XX o ambiente virtual Second Life gerou novos milionários, boa parte usuários comuns e empresas interessadas em expandir seus negócios para além do "mundo real" - não são poucos os que se aventuram nessa "corrida do ouro" cibernética. Com a muito provável simbiose com meios de pagamentos mais tradicionais, como cartões de crédito/débito e outros meios eletrônicos, não há dúvida que uma ou mais criptomoedas possam vingar e ser largamente usadas em todo o mundo, como moedas mundiais, fazendo frente ao próprio dólar.
Como exposto por Marcelo em artigo no seu blog pessoal, a criação de moedas alternativas é uma iniciativa válida e, em alguns casos, amparada até por instituições oficiais. No caso do Bitcoin, entidades governamentais dos Estados Unidos e da União Europeia o consideram como uma "moeda virtual", sem controle pelos governos, mas cujas empresas que realizam câmbio e outras transações ligadas a moedas correntes oficiais estão sujeitas a fiscalização e demais procedimentos visando coibir a lavagem de dinheiro e outros ilícitos.
Diante de diversos movimentos populares ao redor do mundo clamando por liberdade e privacidade, as criptomoedas aparecem num momento propício para sua aceitação e expansão, sendo importante para o educado financeiramente conhecer e até realizar pequenos negócios com elas, como forma de experimentar e se familiarizar com as mesmas. Quanto mais cedo conhecer o futuro, mais se antecipa aos dias que virão.
Sucesso a todos e um bom Carnaval!