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quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Quem não deve, não TEM!

C
ontrolar o endividamento é um dos princípios básicos para que desfrutemos de uma boa saúde financeira. Como já dissemos em outras ocasiões, o endividamento crônico leva diretamente a um círculo vicioso que prejudica a vida das pessoas de forma severa, em diversas áreas, impedindo assim seu crescimento, sua satisfação e distanciando-as da felicidade.

Entretanto, não é razoável supor que toda e qualquer dívida é desnecessária ou ruim, já que o crédito é de fato um dos motores da economia, movimentando-a e promovendo a geração de emprego e renda. Isso vale tanto para o endividamento de empresas quanto de famílias ou do governo. O que diferencia o remédio do veneno é tão somente a dose.

Agora, você provavelmente está se perguntando, com razão: "Como vou diferenciar uma dívida boa de uma dívida ruim? E como vou diferenciar uma dívida necessária de uma dívida desnecessária?" 

Comecemos esclarecendo que uma dívida boa é aquela cujos recursos são utilizados para a aquisição de ativos, ou seja, de coisas que aumentarão sua renda ou seus fluxos de caixa, como diria Robert Kiyosaki. Um bom exemplo é a dívida feita para comprar um equipamento e iniciar uma atividade econômica extra como vender salgadinhos, desde que o retorno dessa atividade seja superior aos juros do financiamento. Por outro lado, o contrário é, por exemplo, a dívida feita para a compra de um automóvel para uso exclusivo da família, que consiste em um passivo. Todavia, mesmo esta dívida sendo considerada "ruim", pode ser ou não necessária.  

A aquisição de um imóvel próprio, para residir, que é o sonho de muitos brasileiros, é um passivo, afinal gera despesas e nenhuma renda, porém, uma dívida que seja feita com esta intenção será necessária se o valor das parcelas for igual ou inferior ao do aluguel de imóvel semelhante, o que provavelmente vai acontecer, especialmente nas grandes cidades. O que definiria uma dívida como necessária ou não é uma comparação (tanto sob o prisma financeiro quanto sob outros aspectos) entre a contração da dívida e suas alternativas. Para o caso do automóvel, que citamos acima, é preciso comparar com o uso constante do táxi, das caronas solidárias, dos aluguéis de veículos ou dos ônibus, para aí sim, dizer "eu preciso assumir esta dívida" ou "não tenho necessidade de comprar um carro agora".

Além disto, pode parecer estranho, mas o que mostramos aqui é que o crédito tem uma importante função quando utilizado corretamente: viabilizar a aquisição de bens e a satisfação de necessidades de forma estruturada, preservando o orçamento doméstico. Sim, porque o orçamento precisa deixar um espaço (não muito) para a contração de dívidas que vão financiar aquisições, sempre buscando as menores taxas de juros possíveis.

Indo um pouco mais longe, eu daria como exemplo extremo da necessidade de uma dívida a aquisição de uma geladeira se a sua quebra e não compensa mais consertar. Você terá de se endividar, caso esta compra não tenha sido planejada, para não perder alimentos que estavam nela. Essa é outra das funções do crédito: ajudar em situações de emergência. Enfim, é como diria o saudoso Joelmir Betting: "Quem não deve, não TEM!"