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domingo, 2 de fevereiro de 2014

Endividamento crônico: como superar

A
lgumas vezes já abordamos aqui no blog a importância do crédito, mostrando que ele pode funcionar como um fator de alavancagem, ou seja, como um elemento de formação de patrimônio no longo prazo, porque antecipa recursos que receberemos no futuro. Porém, o bom uso do crédito só se dá se for devidamente planejado, é claro, bem como o crédito serve também como um suporte para os momentos de emergência, quando não há uma reserva formada, o que se aplica à maioria das famílias.

O problema disso é que, segundo pesquisas recentemente divulgadas, aproximadamente 80% das famílias brasileiras não possui qualquer mecanismo de controle ou de planejamento financeiro, o que significa o uso sem critério do crédito, que conforme já dissemos em outros artigos, pode ser tanto uma benção quanto uma maldição na vida das pessoas. Esse uso inadequado está se dando de forma abundante, haja vista a enorme variedade de possibilidades disponíveis no mercado.

Se o crédito for mal utilizado, com sorte, o que ocorrerá será um período de aperto, que exigirá um forte controle financeiro, uma restrição de consumo, principalmente de produtos/serviços supérfluos e similares, no qual provavelmente não será possível formar reservas de emergência, muito menos formar reservas para a aposentadoria. No pior cenário, haverá inadimplência, o nome desse mutuário ficará "sujo na praça" e pode haver busca e apreensão do bem financiado, quando for o caso.

Assim, podemos definir que o uso a esmo do crédito conduz a um círculo vicioso, onde as perspectivas ficam cada vez mais sombrias, até que medidas emergenciais sejam adotadas e possam mais à frente, resultar em uma restruturação das finanças familiares, invertendo-se assim o fluxo do círculo para um futuro mais favorável.

A solução, como sempre, é a massificação da educação financeira, começando no ensino básico, quando a absorção dos conceitos de planejamento, orçamento e expansão dos recursos terá mais chances de produzir um novo paradigma, um novo modelo de pensamento e relação das pessoas com o dinheiro. Esta é a proposta de longo prazo para solucionar o problema.

Para o curto prazo, propomos o desenvolvimento de programas básicos de educação financeira que exijam poucas horas de dedicação, mas que forneçam os elementos básicos, além da criação de estímulos para que os adultos frequentem estes programas. Uma boa alternativa seria os serviços de restrição ao crédito convidarem os devedores a frequentar um curso e aceitar a tutela de um orientador financeiro durante 30 dias, e em troca, teriam uma redução no valor de suas dívidas. Este problema só pode ser resolvido com uma nova proposta, com novos paradigmas de pensamento.