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quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Quer ser feliz? Compre!

C
ostuma-se dizer que "dinheiro não compra felicidade", mas na visão da psicóloga Elizabeth Dunn e do professor de Marketing em Harvard Michael Norton, o dinheiro pode proporcionar felicidade quando corretamente utilizado. No livro lançado em junho nos Estados Unidos, "Happy money: The Science of Smarter Spending" (algo como "Dinheiro Feliz: A Ciência do Gasto Inteligente"), os autores desenvolvem seu ponto de vista com base em cinco premissas.
De acordo com um artigo publicado neste site, o livro apresenta cinco dicas para o gasto inteligente do dinheiro, independente de qual seja o montante. A primeira dica sugere que se gaste na compra de experiências, e não de bens materiais. Ou seja, se você tem dinheiro para gastar, prefira adquirir viagens com a família, sessões de cinema e outros momentos que provoquem sensações e boas recordações do que casas e carros, que depreciam com o passar do tempo.
A segunda dica é limitar o acesso a coisas que gosta. Segundo os autores, a repetição facilitada pelo dinheiro da mesma experiência tende a reduzir o valor dessa experiência na nossa vida. Exemplificando, suponhamos que você goste muito de petit gâteau. Tendo bastante dinheiro, você poderia comer tantos petit gâteau quisesse, na hora que quisesse. Contudo, a "superexposição" a esta sobremesa faria com que, a cada repetição da experiência de comê-la, seu apreço diminuísse paulatinamente, até chegar ao ponto de dizer: "Estou enjoado(a) de comer petit gâteau". Limitar conscientemente o acesso ao petit gâteau evitaria esse efeito indesejável, tornando a experiência rica sempre que ocorresse, dado ao fato de acontecer raras vezes.
A dica seguinte é comprar tempo. Aliás, essa é uma dica compartilhada por autores como Richard Koch, Tim Ferriss e Brendon Burchard, além de estar no escopo do pensamento dos "questionadores do trabalho", como Paul Lafargue, Bertrand Russell e o contemporâneo Domenico de Masi. Comprar tempo significa terceirizar tarefas. Quanto mais delegar atividades suas a terceirizados, mais tempo terá para utilizar em atividades prazerosas como ler, passear, ir ao cinema, jantar fora, etc.
A seguir os autores sugerem que se pague agora, consuma depois. Numa comparação grosseira, seria dizer que é melhor fazer um consórcio a usar o cartão de crédito. Guardando-se as devidas proporções, não deixa de ser uma verdade econômico-financeira. O cartão de crédito é uma ferramenta que deve ser usada com bastante critério, levando-se em consideração os juros cobrados. Já o consórcio funciona como uma poupança forçada, que leva à aquisição de um determinado bem. Na visão dos autores, consumir agora para pagar depois gera infelicidade, pois temos um ônus, muitas vezes prolongado, no caso de parcelamentos, depois de ter usufruído do bônus. Já a expectativa de usufruir do bem ao qual estamos pagando agora, como no consórcio, gera prazer pela esperança de alcançar o objetivo.
Por fim, a última dica nos diz para gastar com os outros. Ver a felicidade no rosto do outro quando damos um presente inesperado nos é muito mais valioso que o valor do bem em si. Nessa dica entra também a doação a entidades filantrópicas e outros tipos de ação social.
Como podemos observar, boa parte das dicas sugeridas podem ser realizadas independentemente de se ter muito dinheiro ou não. Segundo crítica do The Economist, a sensação de escassez tende a manter as pessoas gastando dinheiro com aquilo que acreditam que lhes faz falta, como uma casa grande e/ou um carro luxuoso. E muitos fazem esse tipo de gasto sem ter como pagá-lo, daí isso trazer mais infelicidade do que felicidade. Gastar corretamente, com aquilo que realmente é necessário, de maneira ponderada, economizando e aplicando os possíveis excedentes monetários, é um dos requisitos do educado financeiramente. Portanto, podemos dizer sem medo de errar que as dicas apresentadas não são uma novidade.
Mais importante é confirmar que a felicidade não se compra, mas se constrói com atitudes, personalidade, caráter, bons relacionamentos pessoais e afetivos e, por que não dizer, um bom relacionamento com o dinheiro. Afinal, dinheiro não traz felicidade, mas ajuda um bocado!
Sucesso a todos!