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quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Educação (financeira) não tem preço!!!!

V
ocê imagina qual é a real intenção dos pais quando decidem dar mesada a seus filhos? Faço esta pergunta porque é de se imaginar que a intenção varie caso a caso, desde premiar as boas ações, passando por punir as más ações e até mesmo pensando-se em educar financeiramente, em ensinar aos filhos que o dinheiro precisa ser administrado e planejado, ou seja, tudo é possível quando pensamos nos motivos para dar mesada aos filhos.

Recentemente foi divulgado no Facebook um método de punir os filhos a cada situação ocorrida, chamado "Regras da Mesada". Os pais que aplicam este método, e que o divulgaram na internet, dão mesada de R$ 50,00 ao filho e também de R$ 50,00 à filha. O que ocorreu  no mês de divulgação (Setembro/2013) foi que o filho cometeu "infrações" que lhe custaram R$ 19,50, já a filha perdeu R$ 6,75, ou seja, a menina teoricamente comportou-se bem melhor que o menino, já que suas "infrações" custaram a ela aproximadamente 70% menos do que as dele.

De acordo com o método, a "infração" mais grave de todas é a desobediência aos pais, cuja "pena" é a perda de R$ 3,00 a cada ocorrência. Outras "infrações" passíveis de descontos na mesada são notas baixas na escola e no curso de inglês, ofender, bater, reclamar para ir à escola, atrasar os horários das obrigações, comer na sala de estar, etc...

Este post no Facebook já teve mais de 85.000 compartilhamentos e muitos já falam e aplicar tal método em suas famílias. Entendo que esta postura e este método sejam realmente atraentes, afinal as punições aos filhos não deixam de ter um lado pitoresco para quem vê pela internet, bem como há a perspectiva de "facilitar" a educação e a correção das atitudes dos filhos, ou seja, torna-la linear e objetiva (se você fizer coisas erradas, terá uma mesada menor, se não fizer, a sua mesada estará preservada).

Entretanto, preciso apresentar aqui duas grandes preocupações sobre a aplicação deste método:

1. O "Regras da Mesada" claramente descaracteriza as funções da mesada: promover a educação financeira, ensinar os conceitos de orçamento e planejamento financeiro, mostrar que o dinheiro não "nasce em árvores" e estimular as crianças e adolescentes a desenvolver estratégias para aumentar a eficiência do uso do dinheiro;

2. A segunda preocupação vai além da educação financeira, pois ao que parece, este método restringe tudo ao dinheiro, ou seja, as crianças procurarão se comportar bem não porque seja necessário, não porque o seu futuro precisa dessa educação, não porque haja o exemplo e os castigos devidos, mas tão somente para evitar perdas na sua mesada. Em suma, o método faz da mesada um instrumento de coerção, punitivo, ou na melhor das hipóteses, de barganha.

Enfim, é claro que cada um é responsável por promover a educação e a orientação de sua família, mas cabe aos educadores financeiros apresentar qual é a real função dos instrumentos financeiros, entre eles a mesada, e os possíveis impactos do uso deles, para que fique claro que a educação (inclusive a financeira) não tem preço e não deve ser objeto de barganha, mas sim algo inegociável, que contribui na construção de um futuro melhor para os jovens, ainda mais em um país tão mal educado não só financeiramente, mas sob diversos outros aspectos.