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terça-feira, 23 de julho de 2013

A febre do ouro

N
os últimos tempos tenho me impressionado com o comportamento financeiro de muita gente por aí, especialmente de dois grupos que foram fortemente vitimados: o primeiro grupo é o de "investidores" das pirâmides financeiras, como a Telexfree e similares, o segundo é o de investidores das empresas do Grupo EBX, de Eike Batista, especialmente os acionistas da OGX, cujos investimentos foram "derretidos".

Em ambos os casos, ficou claro que havia "armadilhas" que poderiam prejudicar seus investidores, no caso da Telexfree, por tratar-se, ao menos conforme as investigações indicam, de uma pirâmide financeira, ou seja, um esquema ilícito de movimentação de recursos no qual os primeiros integrantes auferem lucros, muita vezes bastante vultosos, e com isso atraem outros investidores, que lucram cada vez menos, até que alguns comecem a simplesmente perder dinheiro, pois matematicamente este esquema não é sustentável no longo prazo (clique aqui).

No caso das ações das empresas do Grupo EBX, o grande problema é que as empresas iniciavam oferta de ações em bolsa antes mesmo de estar operando de fato, o que se chama de empresas pré-operacionais, e portanto, com um fator de risco a mais, ainda mais pelos setores da economia em que operam, como a mineração, que é complexo e depende de grandes volumes de dinheiro em pesquisa.

Diante destas situações, nas quais muita gente pôs a perder grandes somas de dinheiro, seja pelo esquema da Telexfree, ainda que seus investidores estivessem sendo regularmente renumerados até que ocorresse uma intervenção judicial, seja pela queda de mais de 90% das ações da OGX neste ano, o que evidencia-se é a enorme obstinação em ganhar muito dinheiro rapidamente, em obter grandes rentabilidades imediatamente, ou em última instância, pela ganância.

Outra situação que se desenha e que requer prudência, pois pode tanto significar a sorte grande quanto uma bela dor de cabeça, é a prospecção de diamantes no município de Nordestina-BA, que já vem elevando os valores dos imóveis e o custo de vida, pela perspectiva de ter forasteiros trabalhando nesta atividade. O comércio local pode ganhar muito com a novidade, mas faz-se imperativo que haja precauções para que em caso de debandada, o município não fique lotado de empreendimentos inviáveis.

A ganância faz com que as pessoas percam quaisquer resquícios de prudência e mergulhem de cabeça em possibilidades que na pior das hipóteses deveriam ser no máximo testadas com uma pequena parcela de recursos, especialmente os de longo prazo, aqueles que servem para garantir a independência financeira ou mesmo para adquirir um imóvel para moradia.

A mensagem que deixo aqui é: cuidado com as promessas de grandes retornos em curto prazo ao investir, para não ser atacado pela "febre do ouro", aquela que fazia trabalhadores americanos do século XIX sair correndo para as mais diferentes localidades a cada anúncio de descoberta de minas de ouro. Tente ser mais crítico e avaliar seus investimentos com mais cuidado e assim, pode demorar mais, mas seu patrimônio crescerá de forma sustentável.