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quinta-feira, 16 de maio de 2013

Ver TV: pagar ou ser pago?

E
sta semana meu irmão me falou de um receptor digital de TV via satélite que permite acessar canais das operadoras de TV por assinatura que atuam no Brasil, sem precisar pagar um centavo sequer por mês. A princípio, utilizar aparelhos dessa natureza seria "piratear" conteúdo protegido, mas até que ponto isso é verdade? Diante da competição e das novas tecnologias, não estaria surgindo uma nova forma de consumir conteúdo?
Com o desenvolvimento contínuo da Internet e tecnologias de infraestrutura, como a fibra ótica e as terceira e quarta gerações da telefonia celular, conhecidas como 3G e 4G, além do esforço governamental em oferecer acesso universal no país, ter acesso a conteúdos os mais variados, a escolha do telespectador, hoje é praticamente uma realidade. Podemos dizer, sem medo de errar, que todos podemos escolher o que assistir e em que momento assistir, inclusive sem qualquer intervalo comercial.
Pululam pela Internet rádios e TVs via web que oferecem programação sob demanda, com ou sem o pagamento de assinaturas. Some-se a isso aparelhos de TV que acessam nativamente a grande rede e permitem ver vídeos do Youtube, ouvir rádios online, etc. e teremos um ambiente hostil para as emissoras de TV tradicionais, que dependem de audiência - que atrai os anunciantes - para sobreviverem. Conscientes disso, muitas já disponibilizam sua programação também via web, a fim de conquistar esse novo público e tentar sobreviver neste início de século XXI.
Contudo, na Internet é competição entre as "provedoras de conteúdo" é ainda mais acirrada, pois entram em jogo vários outros competidores que não existiam no broadcasting tradicional: empresas de todos os cantos do mundo; pequenos provedores de conteúdo local e/ou restrito, que atendem a públicos específicos ou especializados; agregadores de conteúdo, que buscam informações específicas em diversas fontes, organizando-os e fornecendo um produto sob medida para o usuário; entre outras ferramentas e fornecedores. Com tal pulverização, para as grandes empresas de conteúdo geral torna-se extremamente difícil concentrar a atenção do expectador em uma programação fechada, limitada por horários e conteúdos, e com isso manter-se atraente para os grandes anunciantes.
Diante dessa realidade cada vez mais presente e imperativa, uma solução talvez se encontre num fundamentos do Marketing Multinível: as emissoras terão que pagar pela audiência e pelo consumo. Domenico de Masi, nos seus livros O Ócio Criativo e O Futuro do Trabalho, toma emprestado as ideias lançadas pelo prof. Javier Echeverria no ensaio Telépolis, onde as fontes de renda da população que não possui mais empregos formais - as quais desapareceram com o advento da tecnologia e com o fim do capitalismo como o conhecemos - vem da audiência e do consumo.
Onde o educado financeiramente se encaixa neste contexto? Exatamente no entendimento de que, em muito breve, assistir a TV se tornará uma fonte de renda, provavelmente suficiente apenas ou restrito ao consumo de produtos exclusivos veiculados por aquelas emissoras. O negócio da TV por assinatura, do pay-per-view, tenderá a se tornar be-payed-to-view. E, enquanto isso, aparecerão dispositivos e sistemas que burlarão as barreiras protecionistas de conteúdo para que mais e mais telespectadores acessem sem custo as mais diversas programações de emissoras de todo o mundo.
O leitor talvez considere muito utópica esta visão. Entretando, vale lembrar que no início do século XX ter um rádio a válvula do tamanho de uma cômoda era símbolo de status de uma família de posses, o mesmo acontecendo com a TV em meados daquele século. Hoje, todas as famílias, mesmo as menos providas, possuem ao menos uma TV de 14" e um aparelho de som.
Sejamos todos bem vindos a este "admirável mundo novo" e, mais ainda, sejamos pioneiros no usufruto e/ou no florescimento dessas novidades, agregando a nossas vidas mais realizações e liberdade.
Sucesso a todos!