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segunda-feira, 6 de maio de 2013

Educação Financeira e o direito ao ócio

U
m dos objetivos da Educação Financeira é alcançar a independência financeira, ou seja, a capacidade de manter determinado padrão de vida sem depender de um emprego, fixo ou não, para essa finalidade. A falta de uma cultura de poupança e de investimentos, somada com o descompasso entre salários e preços, além do consumismo incentivado por governos e mercados, torna essa meta bastante difícil de ser atingida. Por outro lado, o pensamento corrente estabelece que devemos trabalhar e juntar por toda a vida, para apenas gozar do lazer após a aposentadoria. Entretanto, pensadores da Antiguidade e atuais mostram que isso não é de todo verdade.
Tenho me dedicado nos últimos dias a ler obras que tratam do ócio: "Direito à preguiça", de Paul Lafargue; "O elogio ao ócio", de Bertrand Russell; "O ócio criativo", de Domenico de Masi; e "Trabalhe 4 horas por semana", de Timothy Ferris. Para um trabalhador da área de finanças como eu, trata-se de uma leitura, no mínimo, libertadora. Um conjunto de pensamentos uníssonos que deveriam estar na ordem do dia das reivindicações trabalhistas. Paradoxalmente, porém, não é o que vemos nos acordos coletivos e mesas de negociação: muito ao contrário, os sindicatos se preocupam em exigir relógio de ponto digital para coibir o chamado "trabalho gratuito", dando, assim, mais controle e poder aos patrões.
No mundo todo, governos, empresas e sindicatos nadam contra a maré, querendo manter empregos de cerca de oito horas diárias, quando os empregos, da forma como os conhecemos, estão fadados a desaparecerem. Cabe ao trabalhador educado financeiramente escapar dessa "corrida de ratos" estabelecida na já enferrujada e caquética "luta de classes". Não se deve, conforme os autores citados, lutar pelo direito ao trabalho, mas sim, única e principalmente, lutar pelo direito de não trabalhar.
Certamente o leitor dirá: " isso é loucura" ou "apenas jogos de palavras para vender livros". Eu pensava da mesma maneira, até ler "Possibilidades econômicas para nossos netos", de John Maynard Keynes, um dos mais respeitados teóricos da Economia do século passado. Keynes endossa a necessidade da redução da jornada de trabalho para no máximo 3 horas diárias como forma de controlar o desemprego até o fim do século XX, situação observada pela evolução das máquinas e, agora, da Tecnologia da Informação. A mesma solução é citada por De Masi, enquanto Ferriss apresenta uma visão mais radical, onde a presença do empregado praticamente desaparece do escritório: 4 horas por semana é, na sua visão, mais do que necessário para ser produtivo, eficiente e eficaz.
Seja como for, o leitor deve começar a pensar no aumento do tempo livre, seja em forma de um emprego mais flexível, um negócio próprio ou, na pior (ou melhor) das hipóteses, via desemprego. Com efeito, há mais de uma década que se sinaliza acerca do fim dos empregos, um fenômeno que vem se intensificando com o passar dos anos e com a ocorrência dos cenários recessivos internacionais. Numa tentativa de reduzir os efeitos do problema, muitas empresas e governos criam subempregos ou funções cuja finalidade é apenas preencher estatísticas e mostrar resultados sociais insustentáveis. Com a "dança das cadeiras" da política local, tais empregos desaparecem como por encanto.
Naturalmente, esperar que sindicatos, patrões e o governo resolvam reduzir a jornada é uma estratégia de longuíssimo prazo, pelas características históricas e ideológicas inerentes, conforme citei acima. Portanto, o ideal é tomar as rédeas de seu próprio futuro e determinar o caminho profissional a seguir. Domenico de Masi dá algumas pistas em "O Ócio Criativo", enquanto o livro de Tim Ferris traz algumas ideias interessantes que podem inspirar o leitor nesse direcionamento.
Uma indicação recorrente em todos os autores citados é: automatize sua vida. Permita que as máquinas e os sistemas informatizados realizem as tarefas repetitivas e geralmente improdutivas. Aprenda a usar os recursos informáticos e a recusar atividades que não agreguem valor ao seu negócio e à sua vida. Concentre-se naquilo que realmente dá resultado - lembre-se do que já abordei neste artigo.
O educado financeiramente também deve estar aberto a ideias criativas e inovação na forma de conduzir seu dia a dia de forma a permitir-se ter mais tempo para si e sua família, ao mesmo tempo em que mantem um padrão de vida adequado, sem exageros consumistas. Tenha sempre em mente que "menos é mais" e que sempre é possível fazer "mais com menos". Em um próximo artigo tratarei sobre a Automação de Tarefas.
Sucesso a todos!