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domingo, 7 de abril de 2013

Quanto vale ter férias para sempre?


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ma campanha do picolé Fruttare da Kibon lançado este ano promete "férias para sempre" com o sorteio de um prêmio de R$ 1 milhão. Obviamente se trata de uma peça de marketing, com todos os exageros inerentes a esse tipo de campanha, com o objetivo de atrair público consumidor. Mas uma pergunta deve ficar na cabeça do educado financeiramente: quanto custa ter férias para sempre?
Para começar a responder a esta pergunta, precisamos definir alguns pontos: a) quanto queremos ter de rendimento mensal até o fim de nossas vidas; b) que tipo de "férias" queremos usufruir; c) que tipo de investimento faremos para atingir nossos objetivos. A depender da sua idade atual e dos rendimentos mensais que deseja auferir, bem como dos gastos que planeja fazer, é quase certo que R$ 1 milhão não serão suficientes para ter "férias para sempre". Por exemplo, se você tem hoje 30 anos e deseja permanecer recebendo R$ 6 mil líquidos mensais até o fim de sua vida, supondo que viva mais 45 anos, apenas fazendo multiplicações puras (sem considerar aplicações, juros sobre juros, etc.) o montante chegaria a R$ 3,24 milhões. Entretanto, neste mesmo período, com uma aplicação que ofereça juros a partir de 0,6% ao mês, o prêmio de R$ 1 milhão é suficiente para a empreitada.
Naturalmente, o estilo de vida que deseja ter durante suas "férias eternas" influencia enormemente o quanto de rendimento precisará ter para bancar tudo o que deseja usufruir. Se deseja viajar pelo exterior ao menos uma vez ao ano, ou se prefere, ao contrário, fazer turismo doméstico - que, aliás, está bem mais caro que viajar para o exterior - quanto tempo pretende permanecer viajando, qualidade da hospedagem, etc. Fica claro que se suas férias se resumirem a permanecer em casa, assistindo televisão, os custos serão relativamente baixos, mas, honestamente falando, seria uma vida muito sem graça, não é mesmo? Mas, sem dúvidas, existem outras formas de viver estas "férias" fazendo atividades que não exigem custos. Tudo depende da imaginação do leitor.
A expectativa de vida de cada um também conta. No exemplo dado, consideramos que você viva até os 75 anos, que é a média registrada atualmente no Brasil. Entretanto, minha mãe, por exemplo, superou esse limite no ano passado e vem aumentando o número de centenários no Brasil. Assim, se você viver mais do que 75 anos, o fim de suas férias podem ser sofridas.
Para reduzir estas incertezas, a melhor política é buscar investimentos que ofereçam uma taxa de juros melhor. No caso, taxas entre 0,8 e 1% ao mês são ideais. Permitiriam rendimentos mensais maiores e/ou prazos maiores, ultrapassando os 45 anos do exemplo. Caso não encontre aplicações que ofereçam tais rendimentos, procure os mais próximos a isso e que, preferencialmente, sejam isentos de taxas de administração. Ou seja, pensando conservadoramente, seriam a caderneta de poupança e o Tesouro Direto.
"E se eu não ganhar o prêmio?", pode me perguntar o leitor. Então você terá usufruído de um picolé de fruta e pode, neste momento, partir para a ação com o mais prosaico - e o mais esquecido - dos métodos de educação financeira: separar pelo menos 10% de todos os seus ganhos, sejam eles mensais ou esporádicos, para investir em algum tipo de aplicação, nem que seja inicialmente na poupança. Depender da sorte para enriquecer tira-nos o poder de controlar nosso destino. Escolher ter uma vida confortável e fazer o necessário para conseguir esse objetivo nos dá forças para mudar a nossa realidade. Eu estou fazendo a minha parte. E você?
Sucesso a todos.