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domingo, 14 de abril de 2013

Disciplina sem ser disciplinado

O
mercado financeiro moderno oferece uma série de ferramentas que facilitam a vida do educado financeiramente. Conhecê-los e colocá-los para trabalhar em prol do seu enriquecimento o(a) ajudará a ter disciplina sem ser necessariamente disciplinado(a), promover aportes regulares sem precisar se preocupar com datas e procedimentos, além de ter maior controle sobre seus gastos tornando parte do seu dinheiro "invisível".
No artigo anterior escrevi sobre a importância de ser disciplinado para seguir a dieta do Enriquecimento Total. Curiosamente, hoje tive acesso a um extrato do livro "O Milionário Automático", de David Bach, que acabou me desmentindo em parte. Sim, é possível enriquecer sem ser obrigatoriamente disciplinado. E o segredo está em "proteger-se de si mesmo".
Todo o livro se baseia em clichês já consagrados da Educação Financeira - nem por isso inválidos - como "pague-se primeiro", "invista pelo menos 10% dos seus ganhos mensais", "elimine gastos desnecessários", etc. Talvez a única "novidade" esteja no que o autor patenteou de "efeito Café (Latte factor)", onde o controle de despesas deve focar justamente nos pequenos gastos dispensáveis que, somados, resultam em valores significativos. Segundo o autor, o consumo de cafezinho, cigarro, cerveja, refrigerante, lanches, etc., quando habituais, passam a ser um verdadeiro ralo por onde escoa boa parte do que ganhamos no mês. Mudanças de hábito que permitam investir esses valores, fazendo-os não disponíveis para outros gastos supérfluos, permitiriam um enriquecimento sustentável no decorrer dos anos.
O pulo do gato é justamente esse: fazer com que o dinheiro que seria gasto com "bobagens" suma do nosso alcance antes mesmo de termos consciência de que ele existe. Aí entram as ferramentas financeiras "automágicas". Uma delas é a poupança programada, que é oferecida pela maioria dos bancos. Com ela, é possível programar antecipadamente a data e o montante a ser transferido da conta corrente para a poupança, sem interferência humana. Ideal para quem é assalariado, na data em que o salário é depositado, parte dele é transferido, fazendo assim com que esse dinheiro "suma" da conta corrente, ficando virtualmente indisponível para o gasto cotidiano.
Para quem lida com fundos de investimento, também existem ferramentas semelhantes que transferem valores automagicamente da conta corrente para os fundos, de maneira programada, igualmente oferecidas por diversos bancos. Vale a pena passar algum tempo pesquisando no sítio do seu banco de relacionamento ou conversando com o gerente da sua conta para verificar custos com taxas e outras condições de operação.
Efetivamente, esta abordagem elimina algumas etapas ligadas ao controle manual do dinheiro, como estar atento a datas de depósito e correr o risco de gastar todo o dinheiro antes de "pagar-se". Entretanto, não elimina a disciplina: apenas a redireciona para outro campo. Precisar-se-á mudar hábitos de consumo e adaptar-se a viver com menos dinheiro disponível. No início será um pouco desconfortável, mas com o passar do tempo e alguns ajustes percebe-se que não é nenhum bicho de sete cabeças. Outro fator a ser levado em conta é que, caso ocorra aumento de salário, depósito de 13º salário, participação em resultados, ou qualquer outro dinheiro extra, deve ser feito depósito equivalente de parte desse valor na aplicação, seja ela poupança ou fundos. Como estes valores esporádicos não são regulares, os depósitos precisarão ser comandados excepcionalmente.
Naturalmente, existe outro quesito ligado à Disciplina que também é exigido aqui: se ainda não o fez, coloque em prática AGORA! Este é um dos problemas disciplinares mais comuns e que mais diferenciam os educados financeiramente dos não educados. Postergar, como mostra o livro de David Bach, faz com que o aplicador perca perca preciosos dividendos em juros compostos, que no final da aplicação podem fazer toda a diferença. Portanto, aqui vale a velha máxima "nunca deixe pra amanhã o que pode fazer hoje".
Sucesso a todos!