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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

TelexFree, Internet Marketing e a guerra do MMN

Num mundo onde as pessoas estão cada vez mais ávidas por enriquecimento rápido e fácil, apesar da lição do subprime americano, assistimos a mais um capítulo desse drama com a rápida disseminação do negócio de MMN da TelexFree, empresa de telefonia VoIP baseada nos Estados Unidos, que recruta pessoas para postar anúncios que divulgam os produtos da empresa. Longe de apontar se se trata ou não de um negócio legítimo, sustentável, façamos uma abordagem madura e desapaixonada sobre o tema.
Anteriormente escrevi um artigo falando sobre MMN, onde apresentei algumas características desse tipo de negócio. Abordei também sobre os fanáticos que, num arroubo de ganância por verem os rendimentos aparecerem como mágica, acabam ficando obcecados pelo ganho crescente. E é aí mesmo que mora o perigo.
Como toda empresa, as de MMN possuem ciclos de existência que podem ser mais ou menos curtos, de acordo com a natureza do negócio, a forma como foi construída/planejada, etc. Como todo investimento, é passível a riscos e, portanto, você pode ganhar ou perder dinheiro, no longo ou no curto prazo. Nesse ponto, os detratores de plantão - muitos deles concorrentes diretos ou indiretos - aproveitam a oportunidade para jogar mais lenha na fogueira e puxar a brasa para suas sardinhas. Muitos deles promovem negócios do chamado Internet Marketing, que nada mais é que um conjunto de outros negócios em multinível que envolvem promoção de produtos e serviços próprios ou de terceiros. Todos são negócios legais, mas ninguém pode assegurar rendimentos e sustentabilidade. Como eles mesmos advogam, "se assim fosse, todo mundo seria rico na Internet".
Assim também está acontecendo com a TelexFree. Com cerca de um ano no Brasil, o negócio voltado para anúncios e formação de rede está se espalhando de maneira viral por todo o país, gerando amor e ódio por onde passa. Seu funcionamento é deveras semelhante ao que acontece com negócios MMN tradicionais, onde a diferença reside unicamente nos produtos oferecidos: serviços de VoIP para ligações locais e internacionais com custos por ligação mais baixos. Segundo alguns comentaristas, trata-se de um produto bastante semelhante - e concorrente - ao Skype, hoje pertencente à Microsoft. Mas o negócio em MMN não está necessariamente no VoIP e sim nos anúncios gerados para o produto na Internet. Ao fazer o trabalho de divulgar o produto da empresa na Internet, o participante passa a auferir rendimentos que podem aumentar quando desenvolve uma rede que faz o mesmo trabalho.
Como acontece nas demais empresas de MMN, não são poucos os participantes (chamados distribuidores) que anunciam aos quatro ventos que conseguem gerar rendimentos de R$ 4 mil, R$ 5 mil por dia (!). E isso empolga os ávidos por dinheiro fácil, além de deixar os mais céticos furiosos. Com isso, a guerra está posta e perde-se totalmente o viés do negócio como deve ser encarado.O leitor poderá me perguntar: "E o que você acha disso? É um bom negócio, ou é uma furada?" Eu responderia "Ambos". Tudo depende exclusivamente da forma como o postulante encara esse negócio.
Se me perguntar "Você investiria nisso?", eu responderia "Sim". Mas com uma ressalva: antes, estudaria profundamente sobre esse negócio. Como dito acima, é preciso encarar tal investimento como qualquer outro investimento de alto risco: quanto maior o rendimento, maior o risco. Assim como ninguém investe aleatoriamente em ações, sem fazer nenhum tipo de estudo ou análise, não se pode simplesmente vender o que tem para entrar num negócio de MMN esperando lucros estratoféricos. Pensamento muito semelhante ao que acontece com o microempresário que resolve abrir um bar, simplesmente porque viu outras pessoas abrindo bares e ganhando dinheiro. Não há garantia alguma que seu bar será tão rentável quanto os dos outros. Aqui vale a frase padrão encontrada nos prospectos de fundos de investimentos: "A rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura".
Também como deve fazer o educado financeiramente acerca de seus investimentos, não se deve depositar todos os "ovos" no mesmo negócio, seja ele MMN ou qualquer outro. Tenha sempre reservas suficientes para o caso de um revés, invista apenas aquilo do que pode dispor sem sacrificar seus rendimentos atuais e tenha sempre uma atitude cautelosa, mas não medrosa. Assuma que o risco de perder dinheiro é real e iminente. Cheguei a ler na Internet relatos de pessoas que chegaram ao cúmulo de pegarem empréstimos em bancos para investir em cotas de produtos/serviços de empresas de MMN. Será que alguém faz isso para adquirir cotas de ações em Bolsa? Se existir, podem mandar internar!
Por fim, considere e reconsidere diversas vezes os prós e os contras de entrar num programa de MMN. Só o faça quando se sentir seguro. Não há como prever o futuro, portanto não se empolgue com os resultados auferidos. Mantenha a cabeça no lugar, faça o trabalho requerido e guarde o dinheiro recebido, na iminência de que o negócio possa deixar de existir no dia seguinte. Essa atitude "pessimista" e conservadora permite manter-se frio diante de uma crise no negócio.
Segundo informações divulgadas na Internet, o investimento em uma cota da TelexFree, por exemplo, retorna ao postulante em 3 meses, caso ele se restrinja a postar anúncios e não trabalhar com a rede. Essa expectativa é totalmente plausível e não deve gerar espanto. Entretanto, se o negócio é sustentável e se pode durar indefinidamente, nem mesmo uma empresa tradicional pode garantir - quem ainda se lembra da Mesbla, Slopper, Lojas Brasileiras, Sandiz? Lembre-se: em qualquer investimento, o risco existe e é seu.
Sucesso a todos!