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sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Orgulho e Preconceito


C
ertamente muitos de nós já nos questionamos: por que o Brasil, com tantas riquezas naturais, matérias-primas abundantes, um povo criativo e acostumado à inovação, exportador de talentos, teima em ser um país “em desenvolvimento”, sobejando desigualdades e com uma parcela significativa da população vivendo nas ruas, mendigando migalhas dos demais cidadãos. Temos a impressão de que em países desenvolvidos isso não acontece ou, se acontece, é com uma frequencia insignificante.
Quando passo de ônibus por um antigo terminal aqui de Salvador, vejo um grafite que diz: “Por que me olha assim? Sou fruto do seu sistema”, referindo-se aos moradores de rua que pululam por aquele local. Frutos do “meu” sistema? É muito fácil jogar a responsabilidade de uma vida miserável ao “sistema”, aos políticos, ao governo em suas várias instâncias, à crise internacional, enfim, a tudo que não tenha relação direta ao indivíduo que vive o problema. É muito fácil se eximir da culpa e adotar uma atitude passiva, resignada, subserviente e clientelista, esperando a ajuda de uma ONG, de um projeto político partidário, das boas graças do Estado ou da esmola pingada de algum bom samaritano.
Com esse tipo de atitude passiva, podemos ter ótimas escolas, empregos para dar e vender, acesso fácil ao conhecimento e capacitação, oportunidades mil e mesmo assim veremos um exército de miseráveis nas ruas. Eles não são “frutos” de um “sistema” alienígena. São, muito mais, a razão de ser desse “sistema” do qual insistem em dizer que são vítimas.
Exemplos de pessoas que tinham tudo para aumentar as estatísticas de miséria neste país e que conseguiram atingir padrões de vida impensáveis até para a nossa dita classe média podem ser encontrados com relativa facilidade. Os programas sociais do governo e as facilidades dadas para a formalização de Empreendedores Individuais proporcionam, mesmo ao cidadão menos favorecido, condições de promover a elevação do seu padrão social. Então, o que falta?
Alguns dirão que falta educação de qualidade. Entretanto, não é necessariamente a educação formal que permite alavancar a qualidade de vida. O conhecido empresário do ramo de supermercados Mamede Paes Mendonça era analfabeto quando começou sua trajetória no comércio. Outros dirão que faltam oportunidades. Como vimos em outros artigos, as oportunidades são criadas pelas próprias pessoas, quando estão dispostas a isso. Mesmo em períodos de crise econômica e/ou social, como a Crise americana de 1929, surgiram empreendedores que se adaptaram rapidamente ao novo cenário econômico e construíram impérios financeiros, alguns dos quais resistem até hoje, como as indústrias Ford.
Eu digo que o que falta a nós, brasileiros, é orgulho. Não o orgulho pedante de achar-se mais que os outros, mas aquele orgulho que não nos permite acomodar com uma situação humilhante e nos impede de estender a mão para pedir esmolas. Um tipo de orgulho que eu ouço minha mãe falar que meus avós tinham, onde era vergonhoso não ter um trabalho, era motivo de indignação andar vivendo de favores dos outros, não se admitia aos filhos “morarem” na casa dos outros e onde se labutava de sol a sol para construir um futuro para si e para a família. Hoje em dia esses valores praticamente se perderam, sendo substituídos pela conhecida Lei de Gerson.
Certamente alguns leitores dirão que estou sendo segregacionista e preconceituoso, imputando uma responsabilidade a vítimas claras de uma sociedade corrupta e corruptora. Lamento dizer mas, se existe tal sociedade, ela é uma criação de todos nós, pobres e ricos, homens e mulheres, de todas as raças e credos. Ao apontarmos para um “bode expiatório” que sirva de desculpa para a nossa omissão, esquecemos que temos três dedos apontados para nós mesmos.
Portanto, se desejamos um país equânime e próspero, sejamos cada um de nós equânimes e prósperos. Não permitamos que a preguiça nos faça postergar o progresso que nos é de direito e dever, nem aceitemos as observações caluniosas e negativistas daqueles que insistem em achar que “não vale a pena o esforço”. Ensinemos aos nossos compatriotas que planejamento, ação e corretos investimentos são a base de uma vida melhor e que os benefícios que colhemos nos permitem ajudar a sociedade como um todo, não com assistencialismos e filantropia de fachada, mas com exemplos, atitudes e oferta de novas oportunidades.
Sucesso a todos!