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segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Macaco pode vender banana?

A
o investir num negócio próprio ou numa carreira, uma das prerrogativas fundamentais que sempre aconselho é que seja algo de que se goste muito. Isso tem uma série de implicações positivas: naturalmente a pessoa se torna especialista no assunto, tem maior interesse em novidades na área de atuação, “fala a língua” dos potenciais clientes, tenderá a investir nos produtos de maior aceitação e procura, possui uma visão de cliente além da de empreendedor, entre outras coisas relevantes.
Por outro lado, uma visão apaixonada do negócio pode levar o empreendedor a cometer alguns equívocos. Vejamos: superdimensionar o mercado, canibalizar o estoque, comprometer as vendas com mercadorias que são do agrado próprio, mas não necessariamente de aceitação do público-alvo, e assim por diante. Podemos fazer um comparativo meio grosseiro, mas bastante didático, entre dois “tipos” de negociantes de bebidas: o beberrão e o enófilo.
O beberrão é um consumidor compulsivo de bebidas alcoólicas. Possui dependência física e psicológica da bebida e a consome para satisfação pessoal. Ter um beberrão como comerciante de bebidas ilustra bem a regra “macaco não vende bananas”. Afinal, ele mesmo secaria todo o seu estoque e não teria retorno nenhum com o negócio. Ele não é necessariamente um especialista, pois consome sem critério algum, exceto que possua teor alcoólico.
No outro extremo, o enófilo é um amante de vinho. Estuda profundamente e conhece cada detalhe da bebida. Faz do consumo um ritual seguido à risca. Experimentar um vinho com um enófilo é uma verdadeira aula de etiqueta e de enologia, onde se aprende desde a origem do vinho, seu preparo, seus diversos tipos até a forma como deve ser degustado. Seja profissional ou amador, o enófilo é uma rica fonte de referência sobre a área, podendo inclusive lhe recomendar os melhores produtos para acompanhar pratos ou ocasiões específicas, como costumam fazer os sommeliers. Como comerciante de vinhos, certamente atenderia um nicho específico e conquistaria um público fiel. Esta diferença é crucial para o desenvolvimento do negócio, pois cada empreendimento reflete a alma do seu proprietário.
Portanto, muito mais do que ser um entusiasta por determinada área de negócios, é preciso também ser um estudioso, um conhecedor. Leitura constante de notícias sobre aquele determinado negócio, pesquisa sobre equipamentos, suprimentos, fornecedores, preços e prazos são fundamentais. Com isso, a elaboração de um Plano de Negócios, outro item fundamental, passa a ser mais simples e até divertida.
O mercado é ávido por novidades. Isso explica o porquê de tantos produtos novos serem lançados todos os anos. Mas a novidade não está apenas no produto em si, nem o sucesso do negócio se concentra no preço de venda ou no custo das mercadorias. A forma como é apresentado cada produto, a facilidade com que é acessado, sua utilidade prática, a exclusividade, a adequação, tudo isso também é avaliado pelo cliente na hora de obter um bem ou serviço. Nisso, a criatividade do empreendedor pode ser o “pulo do gato” na condução do negócio, do visual da loja/empresa até o pós-venda. E só inova quem conhece a fundo aquilo que negocia.
Interesse genuíno e racionalidade devem caminhar juntos. Como dissemos, um apaixonado considerará seu negócio o melhor do mundo, com clientes por todos os lados, que não possui concorrentes à altura, que só pode dar certo... Mas o mundo é mais cruel do que ele imagina e os negócios podem não ir tão bem quanto esperava, até porque, “com tantos clientes que procurarão pelos nossos produtos”, imagina, o empreendedor apaixonado não se esforçará em fazer promoção ou um bom “marketing”, pois “o produtos se vendem por si sós”, dirá. Por melhor que seja o produto, não conseguirá ter uma boa saída se não for divulgado, afinal os potenciais clientes precisam ao menos saber onde podem encontrá-lo.
Resumindo, o educado financeiramente faz do seu talento em um determinado ramo de negócios uma oportunidade para gerar receita e ampliar suas fontes de recursos. Encontramos muitos exemplos pelo mundo, como Eike Batista, Warren Buffett e Robert Kiyosaki, entre outros. Eles entendem dos negócios em que se envolvem, não se iludem com perspectivas muito otimistas e fazem tudo com prazer. Em todos estes casos, ganhar dinheiro é uma consequência natural.
Sucesso a todos!