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sexta-feira, 30 de março de 2012

O poder da auto recompensa


U
ma das orientações básicas sobre Educação Financeira é “pague-se”. Pagar-se, aqui, significa recompensar-se pelos esforços feitos para reduzir gastos desnecessários, planejar-se financeiramente e atingir metas de retorno financeiro. Esta recompensa é o estímulo necessário para manter o esforço de economizar nos períodos seguintes. Sem isso, perde-se a motivação e, consequentemente, todo o interesse em Educação Financeira. Certo palestrante disse-me que, toda vez que um objetivo pessoal é alcançado, por menor que seja, ele abre uma garrafa de champanhe e comemora com a família. Esta é uma forma de pagar-se. Permita-se algo que o(a) dê prazer, algo que aprecie muito: um bom vinho, uma torta de chocolate, um bombom, uma ida ao cinema, uma rodada de cerveja com os amigos. Isso o(a) estimulará a manter o ritmo.

Alguns leitores podem pensar que, pelo contrário, seja um estímulo a fugir da disciplina, pois para “pagar-se” seria necessário gastar um determinado valor que, no futuro, pode representar uma quantia considerável, se corretamente aplicada em fundos. Sejamos realistas: privar-se de momentos significativos de sua vida, junto com seus entes queridos ou amigos, por conta de uma suposta economia, é tentar transformar a Educação Financeira que preconizamos em bode expiatório para uma avareza doentia. Fuja dessa armadilha!
Uma das principais riquezas do ser humano é a alegria, força motivadora por natureza e que potencializa sua capacidade de atrair mais riqueza. Não por acaso, diz-se que “rico ri à toa”. Pagar-se proporciona a manifestação da alegria com liberdade de escolha. Muitas vezes, ao invés de nos darmos um presente ou momento especial, preferimos presentear alguma pessoa de nossa convivência: vê-la feliz nos alegra e estimula muito mais, é a motivação que nos impele para alçar voos mais altos. Na verdade, não importa quem seja o beneficiário: mais importante é o “empurrão” que este momento nos dará na jornada pela independência financeira plena.
Como Marcelo abordou em outro artigo, muitos bons momentos da vida nada nos custam. Porém, em alguns casos, é necessário desembolsar algum dinheiro para que se concretizem de maneira mais próxima a ideal. Nesses casos, podemos considerar que estamos nos pagando. E devemos fazê-lo destituídos de quaisquer sentimentos de “diminuição do patrimônio”. Claro que não devemos gastar fábulas com uma festa digna de um playboy milionário, mas também não devemos ser sovinas e sentir pena de cada centavo gasto. Sejamos razoáveis, gastando o justo para a ocasião. Equilíbrio também é uma virtude do educado financeiramente.
E aquele que não alcançou suas metas, deve resignar-se a remoer sozinho seu fracasso, chorando num cantinho triste de sua casa? Em absoluto! Alcançar 90, 80 ou até mesmo 10% apenas de sua meta pessoal já é motivo de comemoração, pois demonstra que o postulante a milionário ao menos esforçou-se e saiu da situação em que se encontrava. Certamente não poderá se dar ao luxo de pagar-se como gostaria, mas deve sentir-se contente por estar mais disciplinado. Não erguerá um brinde com champanhe, mas poderá tomar uma latinha de cerveja ou um copo de refrigerante, se preferir...
Nossos leitores mais antigos poderão questionar se a auto recompensa não choca com a recompensa adiada, abordada por mim neste artigo. Isso dependerá da forma como o educado financeiramente encara seu processo de enriquecimento. Em outras palavras, isso varia de pessoa para pessoa. Na recompensa adiada, o “pagar-se” é postergado na expectativa de um “pagamento” mais polpudo num futuro não muito distante. Mas não deixa de haver um “pagamento”.
Devemos também levar em conta a ocasião e as circunstâncias. Não há problema se, ao alcançar um objetivo hoje, a recompensa acontecer no seu aniversário de casamento, daqui a três meses. E, se até lá, outras metas estabelecidas forem alcançadas, poderá acumular as recompensas, realizando uma comemoração maior. Assim, estará unindo as duas estratégias de forma harmônica. O mais importante é que, em quaisquer circunstâncias, “pague-se”.
Sucesso e prosperidade a todos!