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segunda-feira, 5 de março de 2012

Financiamento: tô fora?


C
omo o leitor contumaz de nosso blog deve ter percebido, não seguimos a linha de “poupar ao máximo, mesmo que represente queda na qualidade de vida hoje”. Isso soa como “passe fome hoje para servir-se de um banquete daqui a cinco anos”. O que é, no mínimo, um contrassenso. Para nós, o crédito, em todas as suas formas, são ferramentas de organização financeira que, quando usadas com sabedoria e parcimônia, permitem ao educado financeiramente atingir mais rapidamente seus objetivos patrimoniais de longo prazo. Nada mais verdadeiro quando tratamos da casa própria.
Por exemplo, certo autor da linha ortodoxa de educação financeira professa que o postulante à casa própria deve fazer economias durante pelo menos cinco anos, de parcelas mensais com quatro dígitos (R$ x.x00,00, onde x é qualquer número entre 1 e 9), aplicando em investimentos conservadores com pouco risco, como títulos da dívida pública e ações conhecidas como blue chips, e morando de aluguel nesse ínterim. Tudo isso para não pagar os juros de financiamentos que, segundo o raciocínio – por sinal correto – do autor, onerariam significativamente o comprador. Isso seria bem verdadeiro para um jovem solteiro com um bom salário, algo em torno de R$ 6 mil líquidos. Mas para um casal com filhos, cuja média salarial é de R$ 3 mil, essa proposta é no mínimo inverossímil.
Outro porém do exemplo reside nas exigências relativas ao aluguel. Aval, caução, devolução do imóvel pintado, conservação e melhorias que geralmente o senhorio não aceita abater do aluguel, enfim, uma série de limitações que frustram qualquer inquilino, pelo fato do imóvel não ser sua propriedade. Além, é claro, de estar sempre na expectativa de que o dono do imóvel exija a desocupação do mesmo a qualquer momento, como aconteceu há pouco tempo atrás com o ícone da Bossa Nova, João Gilberto.
Portanto, o financiamento da casa própria continua a ser uma opção a ser considerada pela maioria dos brasileiros e não impede, de nenhuma maneira, a realização do enriquecimento pessoal. Pelo contrário, ao utilizar-se dessa ferramenta, combinada com investimentos programados a partir das folgas de recursos e com a geração de rendimentos extras, é possível conquistar a residência própria mais rapidamente e com um pagamento reduzido de juros.
Nas modalidades de financiamento atreladas ao Sistema Financeiro Habitacional (SFH), por exemplo, é possível a utilização do saldo do FGTS – que ficaria depositado gerando unicamente juros de TR + 3% a.a., bem menos que os juros de TR + 6,17% a.a. da poupança – para abater antecipadamente parcelas do financiamento, reduzindo assim o valor das parcelas devidas – ou o prazo da operação, o que for mais vantajoso para o mutuário. Nesse ponto, deixaríamos de ganhar os juros abaixo da poupança para deixar de pagar juros da TJLP e do ICC – Índice da Construção Civil, que em tempos de mercado imobiliário aquecido, costuma aumentar regularmente. Não deixa de ser um bom negócio. Eu mesmo tive a oportunidade de adquirir uma casa financiada por 20 anos e, usando o FGTS, conseguir liquidar a operação em 5 anos.
Entretanto, como existe concorrência entre as instituições financeiras também nesse setor, além dos financiamentos feitos através das próprias incorporadoras responsáveis pela venda dos imóveis, vale a pena fazer uma pesquisa para identificar quais as propostas mais vantajosas e colocar tudo na ponta do lápis, para não se arrepender depois.
Realizar o sonho da casa própria é possível de diversas maneiras, basta ter bom senso e procurar não dar um passo maior do que a perna. E ter medo ou aversão ao pagamento de juros é uma faca de dois gumes: se todos deixassem de pagar juros, quem ganharia? Sempre é possível pagar algum juro hoje e receber muito mais amanhã. Portanto, deixe a síndrome de Tio Patinhas para os medrosos e seja livre para planejar seu futuro sem culpa.
Sucesso a todos!