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quinta-feira, 1 de março de 2012

Entre o campo, a praia e os juros


S
empre que se pensa em enriquecer, pensa-se em aumentar o patrimônio e, inevitavelmente, associa-se a ideia de adquirir um novo imóvel: uma casa de veraneio no campo ou na praia, para curtir as férias com a família. Essa é uma ideia corrente inclusive entre os educadores financeiros mais conhecidos. Mas será que, no fim das contas, vale realmente a pena?
Não há dúvidas que passar dias idílicos em uma praia no maravilhoso litoral brasileiro ou nos nossos bucólicos sertões seja algo justo para se conquistar, mas entre usufruir essa alegria e a aquisição de um imóvel especificamente para isso há uma diferença que pode pesar, e muito, no seu bolso.
Os autores ortodoxos ressaltam a importância de se comprar o primeiro imóvel sempre à vista, onde o educado financeiramente deve morar de aluguel e juntar economias até conseguir o intento, a duras penas, após 20 anos. Mas não poupam descrições românticas de casas de veraneio após o equilíbrio financeiro, para o desfrute de dias agradáveis ao lado de quem se ama. Aí mora uma perigosa armadilha.
Vejamos: a não ser que você, leitor, seja um expert em imóveis semelhante a Robert Kiyosaki, e a adquira como um investimento com certa liquidez – você tem certeza absoluta de que poderá transformá-la em dinheiro rapidamente a qualquer momento, e sem grandes perdas – a casa de veraneio será uma fonte a mais de despesas desnecessárias. A começar pela aquisição em si, que imobiliza uma grande soma de dinheiro que poderia estar rendendo juros sobre juros – o mantra de toda a Educação Financeira. Não só imobiliza, mas como todo bem, sofre depreciação com o passar do tempo, pois será necessário realizar manutenção, reformas, etc. Casas de praia são as que mais se depreciam, pela ação dos agentes da natureza, como ventos fortes, maresia, etc. Além disso, o imóvel em si não oferece conforto, será preciso decorá-lo e equipá-lo de acordo com o gosto do dono, o que gera mais despesas. E estes móveis e equipamentos sofrem igualmente com a depreciação. Nem chegamos a falar das despesas com pagamento de concessionárias de água, luz, impostos e taxas, entre outras.
Como o imóvel não é utilizado e habitado o ano todo, tem-se um problema a mais: a segurança do bem e seus equipamentos. Obrigamo-nos a contratar um caseiro, o que é outro trabalho, correndo o risco de não acertarmos na escolha e sofrermos prejuízos. Uma alternativa mais cômoda seria a aquisição de um imóvel dentro de um condomínio fechado, onde os custos seriam da taxa do condomínio e outros estabelecidos pela administração do mesmo.
Por fim, mas não o último porém, pois existem outros fora do escopo deste breve artigo, a casa de veraneio limita o dono no momento de aproveitar suas vacâncias. Com um mundo inteiro de opções à escolha, o proprietário se vê acorrentado à casa de veraneio, que necessita de visita para verificar o estado do imóvel, além dos costumeiros amigos e parentes que vão sempre que o dono está lá ou que pedem as chaves emprestadas mas não têm o mesmo zelo... Ser hospitaleiro é bom, mas ninguém duvida que usufruir da hospitalidade é muito melhor!
Com o aquecimento do mercado turístico e a disputa das operadoras de viagens por clientes, conseguir bons pacotes para visitar localidades no Brasil e no mundo está muito mais em conta que em anos passados, em alguns casos constituindo uma centésima parte do que se gastaria adquirindo um imóvel na praia. Ou seja, com o valor de um imóvel que se depreciará no decorrer dos anos, você poderá passar dias de rei em lugares paradisíacos todos os anos de sua vida – fazendo as devidas aplicações que geram juros sobre juros, bem entendido – sem se preocupar com rachaduras, infiltrações e telhas faltando!
Portanto, muito mais do que para a casa própria, a regra do “economize, ganhe juros e more de aluguel” é aplicável para suas férias: viaje, pague diárias em bons hotéis e curta mais e melhor!
Sucesso a todos!