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segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Enriquecimento Total entrevista: Sílvia Alambert


Olá, amigos! Vamos começar 2012 com uma bela novidade. Nós tivemos a oportunidade de entrevistar, e principalmente de aprender com uma das mais competentes e bem-sucedidas educadoras financeiras do Brasil. Estamos falando da paulista Sílvia Alambert, fundadora e CEO do curso de alfabetização financeira para crianças The Money Camp Brasil, um projeto trazido dos EUA.


Desde já agradecemos à Sílvia por sua participação e desejamos a ela e ao The Money Camp Brasil um 2012 de muito sucesso e muitas realizações!

Enriquecimento Total: Sílvia, gostaríamos que falasse um pouco sobre você, de onde vem... Você nasceu em “berço de ouro”?

Sílvia Alambert
Sílvia Alambert: Sou nascida em Santos, em 28 de Março de 1968 e venho de uma família classe média e somos em 3 irmãos, sendo que eu sou a “caçula” e cujas finanças da família sempre foram bem equilibradas, levando-me a entender que nem sempre tudo o que queríamos imediatamente estava à nossa disposição, mas que se tivéssemos paciência para esperar, elas viriam, como sempre vieram - desde um brinquedo até uma viagem ao exterior, de uma roupa diferente ao automóvel. Tive oportunidades com relação aos meus estudos, como também tive a felicidade de poder escolher, sem interferência, o que eu gostaria de “ser quando crescer”. Sempre tive a orientação e o apoio da minha família com relação às minhas escolhas. Não sou “nascida em berço de ouro”, mas recebi as ferramentas e instruções necessárias para construí-lo.
Dizer que eu, pessoalmente, não tenha feito extravagâncias com o dinheiro, mesmo tendo os modelos que sempre me guiaram, seria uma pieguice, mas o mais importante foi poder voltar e ver que viver é realmente muito mais confortável quando se usa o bom senso com relação ao dinheiro e que quando se quer mais, tem que fazer mais.

Enriquecimento: Antes do The Money Camp (TMC), o que você fazia ou ainda faz? Você atua em outras áreas de negócios?

Sílvia: Por formação, sou Secretária Executiva Bilíngüe, por vocação, ainda que empoderada de título, sou professora de inglês e por amor, embora autorizada e certificada pelo programa, sou fundadora do programa aqui no Brasil e educadora financeira de crianças e jovens.
Há pouco tempo, olhei para essa seqüência e me dei conta que escolhi como missão para a minha vida ajudar a promover o crescimento do próximo e com isso, vi o quanto eu mesma cresci. Fico feliz pelas minhas escolhas de vida.
Hoje, dedico-me tempo integral ao negócio The Money Camp Brasil, embora eu já tenha tido outros negócios ao longo da minha vida.    

Enriquecimento: Como surgiu em você o interesse pela Educação Financeira?

Sílvia: Quando eu tinha 30 anos nasceu minha primeira filha que é uma criança especial (ela nasceu prematura e teve seqüelas em virtude disso). Nesse momento, me peguei surpreendida por uma situação que nunca nos foi ensinada – ninguém avisa que pode ser que seu filho nasça prematuro e que você terá que investir muito dinheiro para promover a vida. Uma vez dentro de uma situação como essa você passa a perceber a importância do dinheiro: ele lhe serve para promover um conforto, seja em situações como essa, seja em situações do seu dia a dia. É só isso.
Naquele momento, comecei a pensar sobre os “por quês” e sobre os “e se” da vida: por que ninguém fala sobre determinadas coisas? Por que é importante ter uma reserva financeira? Por que ninguém se preocupa com isso? E se não tivéssemos como dar esse suporte que ela precisava? E se? Por que?
Foram 6 meses de questionamentos, mais 3 anos para compreender algumas questões que iam além da questão financeira e praticamente 11 anos de vida financeira consciente.
Em 2006, através de um jornal de grande circulação em São Paulo, veio a resposta sobre como eu poderia unir o útil ao agradável: continuar na missão dentro do que eu sempre fiz com muita dedicação ao longo da minha formação, que é auxiliar na promoção do crescimento das pessoas.
Ao final, descobri que eu poderia unir o conhecimento de minha profissão, com minha experiência de vida, com a paixão por ajudar a buscar caminhos, mas na área financeira e de um jeito diferente, mais leve.
Eu fui atrás do meu sonho.

Enriquecimento: E porque o foco em Educação Financeira para Jovens e Adolescentes?

Sílvia: Na verdade, o foco na educação financeira de jovens e adolescentes nasceu com a fundadora do programa nos Estados Unidos. Ela antecipou uma visão que já era óbvia: a educação se faz pela base, que é na infância. Em sincronicidade, muitas pessoas já pensavam sobre isso no mundo, já realizavam de alguma forma, mas da forma como ela pensou, ela foi única, porque pensou e se colocou em ação, foi estudar diferentes metodologias de aplicação, buscar o que funciona na educação para o século XXI, uniu esforços  de pessoas que acreditavam e que sonhavam o mesmo sonho e criou este programa lindo, que é uma filosofia de vida, muito mais do que ensinar somente sobre dinheiro, poupança, investimento de curto, médio e longo prazo, construção de sonhos. Ela foi muito além e este foi um dos motivos pelo qual eu me apaixonei também pelo programa.
Por que crianças e jovens? Porque é através deles que iremos ver as mudanças realmente significativas com relação não só ao comportamento sobre a forma de lidar com o dinheiro através do embasamento que lhes norteará pelo resto de suas vidas e que poderá ser transmitido com clareza por gerações dentro de suas famílias, mas também sobre o pensamento, o sentimento, a atitude e postura com relação ao dinheiro. É um novo olhar com relação às possibilidades que nos são oferecidas pelo Universo e às quais simplesmente não enxergamos.
Não foi surpresa que após um ano de curso para crianças e jovens, estávamos com inscrições para o curso “Crescidinhos”, pois as crianças passaram a aplicar o conhecimento adquirido em sala de aula junto às suas famílias.

Enriquecimento: Sabemos que você foi aos Estados Unidos conhecer pessoalmente a empreendedora americana Elisabeth Donati, criadora do The Money Camp. Como foi esse encontro?

Sílvia: Quando tive contato com a matéria pelo jornal, imediatamente fui buscar mais informações sobre o programa e fiz contato direto. Trocamos muitas informações e, por aqui, fizemos um estudo meticuloso para compreender o seu funcionamento.
Ao encontrar com a Elisabeth, aliás uma pessoa iluminada em todos os sentidos, eu já tinha tudo elaborado, então a conversa foi simples e transparente, como se já nos conhecêssemos a anos-luz.
Daí para frente, era ajustarmos alguns pontos e seguirmos em frente, juntas.

Enriquecimento: O que você viu e aprendeu com o TMC americano serviu para a realidade brasileira? Foi preciso fazer muitas alterações?

Sílvia: Obviamente a realidade da economia americana é diferente da nossa e muitos pontos tiveram que passar por modificações. De forma geral, os temas se mantiveram, mas o conteúdo, no que diz respeito a área financeira, foi modificado. Para isso, contratamos consultores, profissionais do mercado financeiro para que pudessem realizar os ajustes necessários, além de profissionais da área de pedagogia, psicologia, sociologia, história, que também foram convidados a trabalhar no conteúdo programático, para a sua “tropicalização”. A única coisa de americano que sobrou no programa foi o nome da marca The Money Camp®, que apesar de já terem falado pra eu mudar, eu acho bem simpático e a palavra “money” é sempre reconhecida por qualquer um, em qualquer lugar do planeta e a palavra “moola” (que significa, na gíria americana, “grana”), mas esse estou pensando se vou alterar. As palavras tem apenas o significado que damos a elas, então, há coisas que não sei porque tem que se dar tanta importância.


Enriquecimento: A partir de que idade devemos ensinar Educação Financeira às nossas crianças?


Sílvia: O programa é oferecido a partir dos 8/9 anos, mas é possível que os pais iniciem o processo de conscientização financeira de crianças a partir dos 4/5 anos. Desde muito cedo as crianças entendem que com o dinheiro se faz troca: dá o dinheiro, recebe o que se quer. Quando a criança começa a pedir por “coisas”, isto significa que ela já entendeu a mensagem do dinheiro, então, neste momento, é interessante que os pais comecem a significar as coisas, dentro do que eles julgam ser importantes para a educação de suas crianças. O importante é que as crianças aprendam sobre a ferramenta que chamamos de dinheiro, antes que elas alcancem a vida adulta.


Enriquecimento: Quais os principais conceitos de Educação Financeira que devem ser ensinados a elas?


Sílvia: É importante que as crianças entendam o processo sobre como se faz dinheiro na vida. Não é cartola de mágico. Portanto, da mesma forma que os papais pegam o dinheiro e compram as “coisas” que as crianças pedem, eles devem contar a elas que aquele papel ou “dinheiro de plástico” é fruto do trabalho deles e que é preciso também guardar um pouco dele no cofrinho para sempre ter um dinheiro guardado para que ele possa realizar seus maiores sonhos, igual ao gênio da lâmpada ou ao “Poço dos Desejos”, do livro do nosso conceituado autor Alvaro Modernell.
É o princípio do “Pague-se primeiro”. Principal conceito para a conscientização financeira infantil. E por que é o principal conceito? Por que sobre este princípio repousam os principais conceitos que transformam sonhos em realidade: disciplina e planejamento.


Enriquecimento: Na sua opinião, a Educação Formal para Todos é suficiente para aumentar a riqueza do nosso país?


Sílvia: Na minha opinião, e seguindo o pensamento de Freire, é através da educação que as pessoas mudam e transformam não somente a realidade, as pessoas mudam a si próprias e tornam-se sujeitos “com capacidade de refletir, criticar, inventar, decidir, organizar, agir e, consequentemente, criar culturas.” A educação não pode ser privilégio de poucos.
Através do conhecimento, da interação social é que o ser humano passa a questionar sua existência e seu papel no mundo, (re)pensar seus interesses e a avaliar suas possibilidades em um mundo em constante movimento e expansão. É preferível pensar na educação como um Big Bang ou um Big Crunch?
Permitam-me compartilhar com vocês um trecho de um e-mail que recebi de uma pessoa muito especial e cujo mérito é todo dela, já que ela acreditou que através da educação ela poderia transformar sua condição de vida e assim o fez.

“OLA BOA TARDE :
quero e devo compartilhar com você este momento de muita alegria e felicidade na minha vida hoje eu percebi que posso e devo ir muito alem do que eu imagino: já estou com diploma na mão, pois agradeço do fundo do meu coração a você que é um grande amigo que me incentivou o tempo todo. Neste momento eu sei e creio q  posso ir muito mais alem do q eu imagino .Hoje quando fiz as últimas provas,   eu ouvi tua voz “vai vc consegue”. Olha, sai da sala todas os professores me disseram o que vc me disse todos dias, aquelas mesmas  palavras: “vai ... Não pare , vai em frente.” .NESTE momento as pernas tremeram o meu coração bateu forte e eu fiquei alguns momentos em silencio e vou passar por cima mais uma vez  da minha insegurança. Eu quero mais é ser feliz... E poder compartilhar com meus amigos.   Mais uma vez ;OBRIGADO ....QUE DEUS PROTEJA Vce , e que você seja muito e muito feliz...........Zeneide”



Portanto, “se a educação sozinha não pode transformar a sociedade, tampouco sem ela a sociedade muda.” (Paulo Freire)


Enriquecimento: Você acredita que o enriquecimento pode ser algo divertido ou, ao menos, um hábito condicionado?


Sílvia: Se levarmos em consideração as crenças das pessoas sobre enriquecimento, poderemos encontrar pensamentos diferentes sobre este ponto: enriquecer pode ser divertido se acreditarmos que poderemos realizar muito mais por nós e pelos outros ou enriquecer pode ser um peso, pois com ele aumentam as responsabilidades ou ainda que enriquecer é coisa de gente gananciosa e ruim. Em fim, a questão do enriquecimento por si só é controversa. É preciso que as pessoas entendam que o dinheiro não é, ele apenas faz com que se aflore aquilo que a pessoa já carrega dentro de si, ou seja, ele apenas acentua aquilo que a pessoa já é dentro dela.
Por exemplo, se uma pessoa é menos desprovida de recursos, mas é consumista, vive cheia de carnês, cartões de lojas e etc, o que acontecerá quando ela tiver mais dinheiro? Provavelmente, irá consumir mais. Não é o dinheiro, mas sim a pessoa. Ou alguém nunca conheceu pessoas menos abastadas e gananciosas ou pessoas endinheiradas e, ainda assim, que se sintam infelizes? Novamente, não é o dinheiro, mas sim aquilo que a pessoa já carrega dentro de si, o que ela já é.
É importante que as pessoas sejam conscientes sobre suas crenças (que são as informações que recebemos ao longo de nossa vida, portanto, externo) com relação a seus pensamentos (os julgamentos que montamos a partir das nossas crenças, portanto, interno) sobre enriquecimento e que as deixam reféns de sua condição financeira atual.
Essa mudança de um padrão mental e comportamental atual para um outro padrão, só acontecerá se forem introduzidos novos hábitos e hábitos só passam a serem incorporados na vida das pessoas após muito tempo de repetição (igual a aprender a segurar um talher para se alimentar, escovar os dentes, pentear os cabelos, andar de bicicleta, etc). Portanto, hábito é tudo aquilo que a pessoa já faz. Se não faz, é porque não criou o hábito de fazer.
Se a pessoa escolher mudar seus hábitos financeiros, conquistar seus sonhos, compartilhar e se divertir com essa nova condição, eu me pergunto: Por que não?


Enriquecimento: Quais são os planos do TMC no Brasil para os próximos anos?


Sílvia: Nosso objetivo é estar com, pelo menos, uma unidade em funcionamento em cada Estado do Brasil até 2014. Neste ano de 2012, levaremos o programa ao conhecimento de mais escolas para, juntos, criarmos a oportunidade para preparar os alunos para um encontro com a vida real.
Iniciamos nosso plano de expansão no início de 2011 e hoje estamos com Unidades em São Paulo, Campinas, Taubaté, Vitória/ES, São Luís/MA e Juiz de Fora/MG e com excelente projeção de crescimento para 2012.
Continuaremos com nossos acampamentos financeiros de férias e promoveremos as palestras e workshops, sempre visando contribuir para fazer a diferença na vida das pessoas.
O trabalho de conscientização financeira ainda está longe do ideal e quanto mais pessoas unidas na missão, maior o poder de transformação da cultura financeira do país.


“ Um país só é verdadeiramente forte quando menos pessoas dependem dele.” ( Elisabeth Donati)  


Enriquecimento: Deixe uma mensagem para os pais que visitam o nosso blog Enriquecimento Total.


Sílvia: Se for para pensar em educação, em termos de formação integral do indivíduo, para que ele cresça de forma plena, isto é, que o conhecimento aborde não somente questões como já colocou Kiyosaki em seu livro “ Pai Rico, Pai Pobre”: “ vá para a escola, tire boas notas e arrume um bom emprego”, mas sim o conjunto de conhecimento sobre o que é Bom, Belo e Verdadeiro, é o momento dos pais solicitarem às escolas de seus filhos que incluam matérias como filosofia, música, ciências sociais, educação financeira e empreendedorismo no currículo escolar ou extra curricular de seus filhos.
Um indivíduo pleno é aquele que se prepara para as questões importantes da vida, que conhece a si próprio, (re)conhece seu papel no mundo e que aprende a se relacionar em harmonia com tudo o que está à sua volta.
O mundo da competição está dando espaço para a coopetição: indivíduos e empresas se unem e se ajudam para poder expandir, ser bem sucedidos, todos juntos.
Boas notas e medalhas ajudam, mas não significam ser bem sucedido financeiramente, ser consciente sobre seu papel no mundo e nem tampouco compreender que a vida existe por fazerem parte de um todo.
Quem ama também educa financeiramente.