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segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

O paradigma da nova rica


Certamente muitas de nossas leitoras assistem as telenovelas e, quase que invariavelmente, as histórias possuem alguma personagem de origem humilde que, de repente, enriquece e encontra um par bonito e nascido em berço de ouro. Ou alguma garota que se considera feia e, através de um golpe do destino, torna-se bonita e rica, conquistando o grande amor da sua vida. O interessante é observar que, diferentemente de personagens masculinos, as heroínas costumam colocar os relacionamentos acima do dinheiro, por um lado pela ideia de que "dinheiro não traz felicidade" e por outro pela de que "dinheiro é o vil metal" e se dá melhor com os vilões.
A vida imita o vídeo, diz a canção dos Engenheiros do Hawaii. E o vídeo imita os contos de fadas. No imaginário coletivo, ainda se perpetuam, em pleno século XXI, as concepções machistas da Idade Média, onde o destino de uma mulher é encontrar um homem provedor e formar uma família, onde ela cuida do lar e dos filhos. Embora o mercado de trabalho tenha sido, nos últimos 20 anos, mais favorável às mulheres, inclusive em cargos de consultoras ou analistas financeiras, que conhecem profundamente o mercado, são raros os casos daquelas que se tornaram grandes investidoras.
A consultora americana Suze Orman esclarece, em seu livro As Mulheres e o Dinheiro (Editora Nova Fronteira), que esta realidade tem raízes culturais profundas e universais. Efetivamente, para os homens ganhar dinheiro se tornou um fim em si, enquanto que para as mulheres o dinheiro é algo secundário, geralmente administrado por um terceiro (companheiro(a) ou consultor/administrador), já que suas prioridades são o sucesso na carreira profissional ou o bem estar da família, sendo pouco comum a ocorrência das duas situações. Elas não se importam tanto com o quanto ganham, mas em beneficiar as pessoas ao redor e serem reconhecidas por isso, mesmo que custe seus momentos de folga ou até mesmo a própria saúde.
No citado livro, a autora advoga que a forma como uma mulher administra seu dinheiro diz muito sobre como ela administra a própria vida. Eu pessoalmente concordo e extendo essa percepção para além do gênero. A ideia que temos de nós mesmos orienta todos os nossos atos e como nos relacionamos com o mundo ao nosso redor. Ou, resumindo numa frase budista, "o homem (a mulher) é aquilo que ele(a) pensa ser". Cumpre às mulheres desenvolver um interesse maior pelo dinheiro que ganham e pelas perspectivas de futuro, aposentadoria, etc., pois este conhecimento lhes permite conhecer mais a si mesmas, seus sonhos e prazeres. Esta dica serve tanto para mulheres como para os homens.
Conforme já discorri em artigos anteriores, a semente da riqueza encontra-se dentro de nós, em nossos pensamentos e ideias. Ser uma investidora é mais uma questão de atitude do que de posses. A administração do tempo e os objetivos de vida também o são. "Mas não vejo nenhuma necessidade de ser investidora. Tenho quem faça isso por mim", dirá a leitora. É verdade: a sociedade moderna gerou um sem número de prestadores de serviços que nos permitem dedicar mais ao trabalho enquanto os primeiros cuidam daquilo que nos é mais caro. Babás, consultores, personal trainers, administradores, etc., estão aí para cuidar de seus filhos, negócios, saúde, etc. Mas não são todas as mães que confiam seus filhos aos cuidados de uma babá. E qual a mãe que deixa os filhos com a babá o tempo todo, 24 horas por dia, sete dias na semana, e não tem ao menos a curiosidade de saber como estão de saúde?
Suze Orman diz que as mulheres devem ter com o seu dinheiro a mesma relação afetiva que têm com seus filhos. Não um amor piegas ou apegado, mas o cuidado sadio de saber por onde anda, acompanhado de quem, qual a prespectiva de retorno, além de saber valorizarem a si mesmas no que tange a remuneração. Não são poucas as mulheres que, ainda hoje, trabalham tanto ou mais que os homens, porém recebem menos que estes.
A independência financeira, longe de uma prova de contestação da superioridade masculina, é uma necessidade da mulher atual que deseja fazer de sua vida afetiva algo pleno de significado e significância. Um relacionamento é, antes de tudo, uma parceria, uma cumplicidade, onde o ideal seria a igualdade de condições entre os parceiros, e não uma relação de dependência financeira, social e/ou sentimental. E, como sabemos, esta independência não depende de sorte. Depende da vontade de cada um.
A vida não é uma novela, mas sempre pode ter um final feliz.
Abraços ricos!