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segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Mais com menos


Uma tendência na sociedade moderna é considerar que para ter mais, é preciso fazer mais. Trata-se de um raciocínio, digamos, cartesiano, onde as coisas funcionam de maneira diretamente proporcional. Mas, assim como na matemática, na vida cotidiana essa verdade não é absoluta. Quase todas as pessoas aceitam a ideia de que uma minoria da população mundial detem a maior parte das riquezas disponíveis. Da mesma forma, não é absoluta a ideia de que, para termos mais riquezas, precisamos trabalhar mais ou nos esforçar mais.
O escritor Richard Koch, autor do livro "O Estilo 80/20" (Editora Sextante), é um defensor do chamado Princípio (ou Lei) de Pareto para a realização dos objetivos de vida. Mas o que seria esse Princípio? O economista, político e sociólogo italiano Vilfredo Pareto (1848-1923) foi o primeiro a observar que cerca de 80% das riquezas mundiais se concentravam nas mãos de 20% da população. O consultor romeno Joseph M. Juran (1904-2008), pai da gestão da Qualidade, adaptou o princípio de Pareto para a administração, ao afirmar que 80% das consequencias advem de 20% das causas. Em seguida, Koch adaptou o mesmo princípio para os investimentos e a vida pessoal, tendo escrito vários livros sobre o tema.
Como isso funciona na prática? Este princípio é bastante útil para gerenciamento do tempo, planejamento pessoal e, sem dúvida, investimentos e finanças pessoais. Por exemplo, ao investir em ações, se levassemos em consideração a ideia de que mais gera mais, o ideal seria uma carteira com o maior número de ações altamente valorizadas. Entretanto, com os altos e baixos do mercado, o risco desta carteira não seria menor que outra composta por players menores e/ou startups. Koch vai mais além: o mais importante é a predileção e o conhecimento prévio que o investidor tem do negócio onde se investe. Isso explica os investimentos feitos e os retornos sensíveis que o autor alega ter obtido de empresas como Filofax (fabricante de material de escritório, cujas agendas eram famosas na Inglaterra) e Betfair (casa de apostas que se tornou um fenômeno na Grã-Bretanha).
Numa outra vertente, podemos observar que os sucessos que podemos ter obtido em nossas vidas se devem a pouco ou quase nenhum esforço de nossa parte, quando nos concentramos em algo que era de nossa predileção ou que conhecíamos muito bem. Para quem está familiarizado com a matriz SWOT (forças e fraquezas, oportunidades e ameaças), justamente quando nos concentramos mais em nossas forças e oportunidades avançamos mais do que quando nos esforçamos para corrigir fraquezas e evitar ameaças.
E na Educação Financeira? A ideia é reduzir e otimizar. Reduzir cartões de crédito, dívidas, despesas desnecessárias, como já dissemos em diversos artigos anteriores. Reduzir nosso portifólio de investimentos, concentrando-se nos quais se tem um conhecimento e confiança maior, algo que varia de acordo com o perfil do investidor. Aliás, os conceitos de reduzir, reutilizar, reciclar e descartar se encaixam perfeitamente em nossa vida doméstica, em todos os sentidos. No trabalho, concentrar-se nas tarefas que possuam maior significado e retorno (agregação de valor) para a sua atividade/negócio, enxugando processos e não procurando preencher o tempo economizado com mais tarefas improdutivas (melhoria da qualidade de vida). E o uso do dinheiro de maneira mais conscienciosa, onde cada real empregado deve possuir maior poder aquisitivo. Em outras palavras, pesquisar, pechinchar, adquirir somente quando necessário, evitar comprar por impulso.
Viver uma vida baseada no princípio de Pareto é uma questão de hábito, que nasce do auto-conhecimento. Através do planejamento pessoal e de estabelecimento de objetivos de vida, adotar este hábito se torna mais fácil e prazeroso, visto que a observação dos 20% das causas e dos 80% de resultados nos ajuda a manter a motivação e a vigiar as atitudes cotidianas. E assim, aquele velho sonho do preguiçoso que queria trabalhar menos e ganhar mais passa a ter um novo alento...
Abraços ricos a todos!