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segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Dar a Deus o que é de Deus


Quando pensamos no Natal, provavelmente a primeira coisa que nos vem à mente são os presentes, a ceia em família e, inevitavelmente, o que antecede os bons momentos: corrida aos shoppings para comprar os presentes, enfrentar supermercados lotados para adquirir os itens da ceia de Natal, mulheres se revezando na cozinha a preparar os quitutes, etc. Enfim, dada a importância que as festas de fim de ano têm para o comércio e os setores produtivos em geral, focou-se muito no consumo e perdeu-se o sentido original das manifestações natalinas: recordar a vinda do Filho de Deus a este mundo, a fim de nos proporcionar paz de espírito.

Jesus Cristo, em sua sabedoria suprema, nos legou princípios básicos para o viver que vigoram por mais de 2 mil anos. Apesar das inúmeras interpretações, equivocadas ou não, estes princípios podem ser aplicados em diversas áreas da existência humana e não é exagero afirmar que inclusive a Educação Financeira possui eco em muitos de seus ensinamentos.
Um exemplo vigoroso está na Parábola dos Talentos. Nela, tanto podemos considerar o “talento” como dinheiro, riqueza, conforme a interpretação literal da Bíblia, como podemos considerar como os dons recebidos de Deus para manifestar neste mundo – e que são igualmente riquezas, porém imateriais. Esconder os dons ou a riqueza material com medo de perdê-los é uma afronta a Deus e, conforme o texto bíblico, inexoravelmente aquele bem não utilizado lhe será tomado. Mas os que utilizam os talentos e os multiplicam – através de estudos, treinamentos ou, no caso do dinheiro, aplicações financeiras, abertura de novos negócios, inovação, fomento à pesquisa, etc. – serão recompensados com mais riqueza. Ou seja, na vida humana não há espaço para a indolência, a ignorância e à completa aversão ao risco. Não existe investimento 100% livre de risco. Nem a poupança, como vimos na Era Collor.
Outra passagem importante é a da oferta de bens. Conforme consta na Bíblia, Cristo observava com os discípulos as ofertas que o povo fazia ao templo, seguindo a tradição da oferta do dízimo, ou seja, de 10% dos ganhos. Homens ricos da época despejavam cântaros de moedas de ouro e mercadorias valiosas, mas Cristo asseverou que, aos olhos de Deus, maior que todas aquelas ofertas era a da pobre viúva, que possuía apenas um quarto de asse, que naquela época deveria ser menos do que R$ 5 de hoje em dia.
Ele ressaltou que aquela oferta representava tudo o que a viúva tinha, era todo o seu sustento. Em outras palavras, ela e seus filhos não teriam o que comer, mas confiavam suas vidas a Deus. Uma prova de fé que não se vê mais hoje em dia. Cristo comparou com a frivolidade dos ricos, que davam o que lhes sobrava. Não que Ele desprezasse os ricos da época, mas as atitudes vazias de significado. Tanto que entre seus seguidores estava José de Arimatéa, homem possuidor de muitos bens e que se tornou importante na história do Cristo, especialmente durante a Paixão e Ressurreição.
Devemos então “dar o nosso tudo”, como apregoam algumas igrejas cristãs? Não necessariamente. Em verdade, somos administradores dos bens que possuímos, pois ao morrermos não levamos dinheiro, casas, automóveis, rendimentos de ações na bolsa. Portanto, não podemos, efetivamente, dizer que possuímos algo. Para os cristãos, o verdadeiro dono de todas as coisas é Deus. Ou seja, empresas, investimentos, dons, bens, tudo nos é ofertado pelo Criador e a Ele efetivamente pertence. Reconhecer isso é uma das premissas básicas dos seguidores do Novo Pensamento americano, de onde se destacaram autores como Wallace T. Wattles, Norman Vincent Peale e Napoleon Hill.
E, para encerrar este artigo, uma das frases mais célebres de Cristo: “dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”. A César (governo) cabe o direito de cobrar os impostos. E nos cabe dar a César o que lhe pertence. No início do ano, Warren Buffett exortou o governo norte-americano a não mimar os super-ricos, como ele. Existe nos governos esta visão distorcida de cobrar mais impostos de quem tem menos condições de pagar. Nós, educados financeiramente, seguindo o princípio cristão, não devemos ter medo de pagar mais impostos. Pelo contrário, devemos ver nisso uma prova da nossa capacidade de retornar à sociedade os benefícios que recebemos, e devotarmos nossos esforços e ideias para o bem maior.
Um rico fim de ano a todos!