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terça-feira, 11 de outubro de 2011

A diferença entre o Ser e o Ter

A grande maioria das pessoas tem dificuldades em enriquecer por achar que a riqueza reside no ter, quando na verdade ser rico é um estado de espírito. Uma pessoa possuidora de muitos bens pode ser considerada pobre, enquanto uma pessoa que vive num casebre, com apenas a roupa do corpo, pode ser muito rica. Como isso é possível?
Depende do ponto de vista, partindo de uma definição do que seja a riqueza. Eu, particularmente, adoto a definição do Prof. Masaharu Taniguchi, fundador da Seicho-No-Ie: “riqueza é tudo aquilo que beneficia o homem”.
Partindo dessa premissa, podemos dizer que toda e qualquer coisa que torne a vida do ser humano melhor e mais significativa é uma forma de riqueza. O ar que respiramos, a água que bebemos, os alimentos, a educação que recebemos dos nossos pais e professores, nossos livros, são exemplos de riquezas. Mesmo os acontecimentos aparentemente ruins em nossas vidas podem se tornar riquezas de valor inestimável, quando crescemos com elas. Por outro lado, o mero acúmulo de bens pode se tornar um transtorno para qualquer pessoa, quando não existe um suporte emocional e psicológico, conforme discorri em meu artigo anterior.
Enquanto escrevia as primeiras linhas deste artigo, fiquei sabendo da morte de Steve Jobs pelo noticiário. A história dele é bastante rica: embora tenha nascido em situação adversa e sido entregue para adoção, motivos para neura e desânimo de muita gente, seu senso de oportunidade e fé naquilo que ele e Steve Wozniac criavam deu origem a um dos maiores ícones tecnológicos do século passado, sendo, ainda hoje, sinônimo de inovação, qualidade e beleza.
Em uma palestra dada por ele em Stanford, em 2005, Jobs comentou sobre sua demissão da Apple, cerca de 20 anos antes, dizendo que, apesar de ser inconcebível ser demitido da empresa que ele mesmo criou, foi uma das melhores coisas que lhe acontecera. De fato, após ser demitido, Jobs adquiriu a Pixar, que pertencia à LucasFilm e, depois, fundou a NeXT, duas empresas inovadoras que fizeram história. A primeira tornou-se um dos estúdios de animação mais premiados do mundo, hoje pertencente à Disney. A segunda criou um novo sistema operacional, o NeXTstep, sendo adquirida posteriormente pela própria Apple, que consequentemente readmitiu Jobs. O MacOS X, atual sistema operacional da “empresa da maçã”, é um descendente direto do NeXTstep.
A riqueza de Jobs residia em suas visões, seu carisma e sua completa fé no sucesso de seus produtos. Sua influência pessoal era tão grande que ficou conhecida como “Campo de Distorção da Realidade”. Segundo funcionários da Apple, era impossível não se entusiasmar com tudo que Jobs defendia. Mas ele era um perfeccionista, portanto levava credibilidade na qualidade dos produtos que criava. Antes de ter sucesso e fortuna, o fundador da Apple era uma pessoa rica de ideias, autoconfiança e determinação. E conseguia transformar isso em riqueza tangível.
Por tudo isso, podemos dizer também, como defendem os espiritualistas, que a verdadeira origem da riqueza de todos os indivíduos é imaterial. Tudo advém de ideias e sentimentos daqueles que decidem agir para tornar seus sonhos algo concreto. Até mesmo este blog é fruto do pensamento meu e do Marcelo em divulgar a Educação Financeira e seus benefícios para a população brasileira. Um pensamento que é compartilhado por vários consultores e investidores espalhados pelo Brasil, que nos seguem pelo Twitter e nos acompanham pelo blog. Este reconhecimento é a nossa riqueza.
Finalizando, tenhamos em mente que a riqueza nos acompanha onde quer que estejamos, porque faz parte da nossa natureza. Somente seres humanos podem efetivamente dimensionar a riqueza: animais como gatos e cachorros não fazem distinção entre ricos e pobres materialmente falando – acredito que dêem importância material a apenas a um bom prato de comida. Também somos os responsáveis por imputar valor a algo – a precificação é um atributo humano, altamente subjetivo e influenciado por diversos fatores, desde sentimentais até os ambientais e climáticos.
Portanto, considerar-se rico, mesmo sem ter um tostão furado no bolso, não é, de modo algum, um contrassenso. Na verdade, é o primeiro e fundamental passo para a construção de uma sólida prosperidade. Assim, o “ser” antecede ao “ter”, como mostram as biografias de grandes líderes e investidores como Ford, Warren Buffett e o próprio Steve Jobs.
Sucesso a todos!