InícioBlogEventosVídeosOs autoresContatoRecomendamos

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Como usar o cartão de crédito

Meus Caros,

Tenho percebido que recentemente vem acontecendo uma discussão mais intensa a respeito do papel do cartão de crédito nas finanças das famílias, por ser um instrumento de compra amplamente utilizado, que de fato é útil no cotidiano, mas que também tem um potencial altamente destrutivo para a organização financeira das pessoas, se mal utilizado.



Em vista do potencial destrutivo que o cartão de crédito possui, costuma-se dizer que todas as compras devem ser pagas à vista, mas eu pergunto: quantas pessoas poderiam comprar uma geladeira nova, caso a sua quebrasse hoje? Aí é que entra o cartão, que se for bem utilizado e cujas parcelas forem colocadas adequadamente em seu orçamento, torna-se um financiamento sem juros, uma boa opção de compra.  

O potencial destrutivo a que me refiro está relacionado aos juros cobrados em caso de atraso ou de pagamento inferior ao valor mínimo da fatura, que atualmente estão entre os mais caros do mercado, em alguns casos superando 12% ao mês. Para se ter uma idéia, R$ 100,00 não pagos, a 12% mensais, significam:

Após 12 meses = R$ 389,60.
Após 24 meses = R$ 1.517,86
Após 36 meses = R$ 5.913,56
Após 60 meses = R$ 89.759,69
Após 120 meses = R$ 80.568.025,50

Mesmo assim, há quem utilize uma estratégia que considero de alto risco, que consiste em pagar todas as contas com o cartão de crédito, ganhando assim um prazo a mais para de fato arcar com os pagamentos. Esta estratégia exige muito auto-controle e um possível ganho financeiro seria o de investir o dinheiro durante 30 dias, um pouco menos ou um pouco mais, em investimentos conservadores, afinal os riscos são muito altos no curto prazo.

Imaginemos que as contas de uma família, cujo pagamento foi postergado por 30 dias no cartão de crédito, somem R$ 3.000,00 e o dinheiro tenha sido aplicado na caderneta de poupança, com rendimento de 0,6%. O ganho será de R$ 18,00, o que é pouco para tanto auto-controle, não acham?

Outro problema está no fato de que algumas pessoas tem muitos cartões (mais de 10 em alguns casos) e atribuo parte deste problema ao que chamo de financeirização das empresas comerciais. Toda grande loja tem seu próprio cartão de crédito e só concede parcelamentos mais longos para compras pagas com seu próprio cartão. Desta maneira, quem tem 10 cartões de crédito precisa de um controle muito maior do que quem usa 3 cartões, assim como um malabarista que faz manobras com 3 malabares precisará de menos esforço do que um que use 10 malabares.

Além disto, precisamos entender que o limite do cartão de crédito não é uma extensão do nosso salário, ou seja, teremos que pagar pelo uso deste limite. As operadoras concedem limites normalmente altos, criando a ilusão de que somos "VIPs" e nos estimulando a gastar. Uma armadilha que pode ser driblada com planejamento por quem conhece bem o seu orçamento (clique aqui) e poderá destinar um determinado valor mensal a gastar com parcelas de cartão de crédito. Se você ganha R$ 3.000,00, limite as suas faturas a um valor máximo R$ 300,00.

Então, o "segredo" para o bom uso do cartão de crédito é o bom senso. Ninguém precisa ter mais de 2 cartões com bandeiras diferentes, sendo que um deles seria usado apenas para emergências, a exemplo de problemas com o cartão principal.

Até mais, meus amigos!