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quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Boas Intenções S.A.


Recentemente li a matéria na Pequenas Empresas Grandes Negócios de agosto deste ano sobre as empresas que ganham dinheiro com atividades ligadas à sustentabilidade e ao bem estar social. Trata-se de uma importante área de negócios que vem se expandindo gradualmente e que encontra terreno fértil nas incertezas da economia mundial após crise de 2008.

Um dos pontos que me chamou atenção na matéria foi a diferenciação entre as ditas “empresas sociais” e as ONGs. Havia uma ideia generalizada de que só se podia fazer um trabalho de apoio a comunidades desassistidas ou qualquer atividade de cunho social através de uma entidade sem fins lucrativos. E que estas atividades deveriam ser amparadas por doações. Felizmente, essa ideia fixa está caindo por terra e até mesmo a quantidade de ONGs vem diminuindo, permanecendo aquelas que realmente possuem uma visão empresarial inerente aos seus trabalhos.
Sendo um entusiasta do Software Livre, tenho contato com algumas comunidades de desenvolvedores e uma das coisas que me incomoda quando converso com eles sobre negócios é a mentalidade de ONG que permanece em alguns líderes destas comunidades, mesmo quando querem transformar seus produtos e/ou serviços num negócio lucrativo. “Não temos dinheiro para comprar servidores dedicados e notebooks para a equipe, então vamos pedir doações a alguma empresa ou instituição...” - isso é impensável, quando se trata de empresas, mas canso de ouvir coisas assim desses líderes. Ou mesmo “vamos desenvolver um novo discador de internet”, desperdiçando esforços com produtos que já existem ou áreas que já estão saturadas de soluções, apenas por comodismo ou por limitação pessoal. Mesmo que o propósito seja social, o empreendimento deve ser pensado visando a sustentabilidade, com uma equipe altamente capacitada e motivada e com produtos com grande potencial de mercado.
As empresas que aparecem na reportagem da PEGN são pioneiras ou destacam-se em suas respectivas áreas de atuação, e é possível perceber que, apesar de algumas apresentarem faturamento reduzido se comparado a congêneres sem o foco no social, os resultados para os empresários envolvidos estão mais ligados à satisfação pessoal e à sensação de estar contribuindo para a coletividade. Na verdade, mesmo as empresas tradicionais estão percebendo que, para manter seus talentos, é necessário dar um sentido maior às suas atividades, além do “mero” lucro.
Quando pensamos em Enriquecimento Total, também pensamos nessa dimensão maior do ato de enriquecer. “Quero enriquecer PRA QUÊ?” - esta é a pergunta que devemos nos fazer constantemente. A resposta a esta pergunta é o que nos motiva para fazermos as mudanças comportamentais necessárias para atingirmos este objetivo. Wallace T. Wattles diz em A Ciência para Ficar Rico que, para que possamos contribuir efetivamente com a sociedade, devemos enriquecer. Em outras palavras, tornar-se rico seria uma espécie de “dever cívico”. Concordo em parte com ele: podemos contribuir para o bem estar público mesmo sem termos dinheiro, e até enriquecer com isso; mas tornar-se rico deveria ser o dever de todo cidadão, como forma de promover maior bem estar social.
A empresas sociais estão mostrando um caminho nesse sentido, e isso é apenas o início. Acredito que ainda existem muito mais oportunidades inexploradas, esperando por empreendedores de mente ampla e de visão de longo prazo, que consigam enxergar fortunas onde o cidadão mediano não consegue ver nada de útil. Para isso é preciso inovar na forma de conduzir os negócios, no tipo de retorno esperado para o negócio e na maneira de transformar o retorno em sustentabilidade. Afinal, nos empreendimentos sociais o dinheiro não é o único tipo de resultado que pode ser obtido: existe o ganho de imagem, por exemplo, que pode ser posteriormente transformado em retorno financeiro. Cumpre ao empreendedor saber como e com quem fazer essa conversão de maneira vantajosa para todos os envolvidos.
Sucesso a todos!