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terça-feira, 16 de agosto de 2011

A Crise?


Anos atrás assisti a um filme francês chamado “A Crise?”, uma comédia dirigida por Coline Serreau, conhecida por ter dirigido a versão original (em francês) do filme “Três solteirões e um bebê”. O filme conta as aventuras e desventuras de um homem que vive uma crise conjugal e vai buscar um ombro amigo. Mas antes que possa desabafar, seus amigos começam a contar os próprios dramas pessoais e o protagonista acaba virando um confidente de todos. A lição que o filme traz é que, antes de querermos ser ajudados, devemos ajudar: ao ajudar os outros, acabamos resolvendo os nossos próprios problemas.

Outra lição importante do filme é que os problemas sempre estão dentro de nós mesmos. Acreditamos que algo ou um fato nos prejudica, mas na maior parte dos casos trata-se de um pré-julgamento de nossa parte, que nos impede de ver a realidade de maneira mais ampla e, consequentemente, de tomar as atitudes mais adequadas para contornar a situação incômoda.
Este é um ponto a ser considerado por todos aqueles que, hoje, se sentem ameaçados pela crise que se abateu na economia mundial. Vivemos a mesma situação do protagonista de “A Crise?”: chorando as pitangas de ações em queda e economias, antes consideradas seguras, hoje não tão confiáveis, vamos em busca de “investimentos amigos” que nos salvaguardem do pior. Contudo, ao analisarmos o mercado de investimentos como um todo, observamos que a dita crise afeta a todos, indistintamente. E todos os analistas financeiros alertam que este não é o melhor momento para se desfazer de posições, ou seja, não se deve vender ativos. Pelo contrário, se tiver algum dinheiro que possa investir, o aplicador deve estar preparado para comprar assim que a crise começar a dar sinais de melhora, antes que os ativos se valorizem.
Apesar de mexer com números e estatísticas aparentemente frias, como nas ciências exatas, a Economia é considerada uma ciência humana. Por quê? Justamente pelo fato de sua área de atuação estar sempre oscilando conforme o humor dos seres humanos. Somos nós que valoramos mercadorias e títulos, estabelecemos o rating de países e empresas, decidimos comprar ou não comprar ativos, enfim, nós é que estabelecemos as épocas de prosperidade e de recessão. Os grandes investidores sabem muito bem disso e se valem de suas posições para influenciar as bolsas e os mercados, visando benefícios para si e para seus iguais.
Portanto, antes de começar a se descabelar com as perdas sofridas nos últimos anos ou de tomar ojeriza por investimentos de risco, devemos fazer o nosso dever de casa: analisar os acontecimentos com bastante calma e cautela, evitar tomar decisões no calor das emoções e procurar oportunidades dentro da crise aparente. Precisamos evitar a todo custo o “efeito rebanho”, ou seja, dar uma de “maria vai com as outras” e fazer o que todo mundo está fazendo. Pois, como certa vez me disse um palestrante, “o caminho pra onde todos estão indo me afasta cada vez mais do sucesso; por isso, sigo o caminho contrário”.
Sucesso a todos!