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quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Rico aos 30, "pero no mucho"...

Estive lendo a reportagem de capa da Você S/A do mês de dezembro, que trata justamente do nosso foco aqui no Enriquecimento Total: Educação Financeira e Finanças Pessoais. Apesar de ter gostado da matéria, especialmente das informações sobre conjuntura econômica, tipos de aplicações e ranking dos melhores produtos financeiros oferecidos no país, é inevitável fazer algumas ressalvas.
Uma delas está nos exemplos apresentados, que são exceções num Brasil de assalariados de nível médio ou superior sem pós-graduações. Quando um jovem executivo bem sucedido na carreira, que antes dos 33 anos já assumiu cargos de diretoria de uma multinacional, tendo morado inclusive em outros países, solteiro e sem filhos, diz que aplica até 60% do salário em fundos conservadores e hoje possui um patrimônio de mais de R$ 1 milhão, não se trata de um exemplo plausível para a maioria dos brasileiros. Com isso, o público-alvo da reportagem se afastou completamente do público leitor da revista.
Para completar, o mesmo investidor, com o dinheiro que acumulou, adquiriu um imóvel de R$ 600 mil reais, ou seja, imobilizou 60% dos investimentos, o que, pelas boas práticas de Educação Financeira, não é um bom negócio. Um imóvel desse porte possui baixa liquidez – é difícil de revender num caso de necessidade – e exige muito em manutenção, dilapidando recursos que poderiam ser reaplicados.
Outro aspecto é o crédito versus investimentos. Nem sempre comprar a prazo é um mal, conforme este artigo do Marcelo. Depende muito do valor do bem e das condições de pagamento. Entre comprar um bem à vista ou a prazo sem juros – ou com juros menores do que os obtidos em um fundo de investimento de curto prazo –, melhor esta última opção, aplicando (ou mantendo aplicado) o valor à vista que seria pago pelo bem. Ou seja, ter investimentos sem deixar de consumir é uma realidade para todos, não apenas para aqueles que possuem grandes montantes investidos. A questão é apenas criar o hábito de poupar e comprar com sabedoria.
Isso vale também para a aquisição do imóvel próprio: nem sempre é obrigatório – ou mesmo possível – adiar a aquisição para fugir dos financiamentos. Ainda mais quando se é assalariado com carteira assinada, o FGTS pode ser usado para abater significativamente o saldo principal do investimento, o que reduz prazos e, consequentemente, os juros cobrados. O importante, aqui, é adquirir um imóvel que esteja dentro dos limites de endividamento do investidor.
De maneira geral, a matéria vem em boa hora, pois as perspectivas do mercado interno são boas para o pequeno investidor. A elevação da Selic já anunciada desde o mês passado vai tornar os investimentos indexados por essa taxa cada vez mais atraentes. A oferta de empregos também se encontra aquecida, contudo é necessário que o candidato invista em qualificação. Conforme Jon Hanson, o investimento em si próprio é a dívida boa, que deve ser incentivada, pois traz benefícios no médio e longo prazos.
Portanto, caro leitor, este é o momento para começar a investir de maneira consciente e fazer disso um hábito. Que não seja 60% do salário, mas entre 10 e 20%, religiosamente. Comece pelo mais conservador dos investimentos, a caderneta de poupança. Procure informações sobre produtos e serviços bancários, clubes de investimento, ações blue chips e small caps, títulos do Tesouro Nacional, enfim, pesquise, leia, informe-se! Depois de conhecer bastante, decida em quais tipos de fundos e aplicações investir e mantenha a disciplina. Você pode não chegar ao R$ 1 milhão aos 30 anos, mas estará no caminho certo para a independência financeira e uma aposentadoria com qualidade de vida.
Sucesso e bons investimentos!