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terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Meu autógrafo por US$ 1

Certamente o leitor, ao ler este título, pensará “mas pra quê eu quero o seu autógrafo? Nem te conheço...” Mas, e se o autógrafo for do seu artista favorito? Mais ainda: se ao invés do autógrafo, você recebesse desse mesmo artista uma música feita em sua homenagem ou seu nome nos créditos de um filme do seu cineasta favorito?
Parece impensável, mas isso está começando a se tornar realidade. Talvez não aconteça relacionado a grandes artistas ou cineastas consagrados, mas aquele diretor independente ou aquela banda nova que está a espera da oportunidade certa para estourar nas paradas podem fazer isso por seus fãs. Grupos folclóricos regionais e manifestações artísticas ameaçadas de extinção por falta de recursos também podem se beneficiar da novidade.
Com a nova economia proporcionada pela Internet, grupos de dança, músicos, diretores, artistas plásticos e outros atores do Mercado Cultural mundial podem arrecadar fundos para produzirem seus trabalhos tendo como apoiadores não mais agentes financeiros ou mecenas endinheirados, mas centenas ou milhares de fãs espalhados pelo mundo todo. Isto se chama crowdfunding (financiamento coletivo de projetos ou, literalmente, financiamento proveniente de uma multidão).
O princípio básico do crowdfunding é o mesmo que explanei neste artigo: obter pequenos valores de cada pessoa - interessada no artista ou na obra - que pode doar a partir de US$1. Existem vários sites especializados nesta modalidade de financiamento, sendo que no Brasil o pioneiro é o Catarse. Em troca, os financiados podem oferecer aos seus patrocinadores aquilo que eles querem receber de seu artista favorito: um reconhecimento pessoal, um CD autografado, um pôster, uma citação no blog oficial...
A grande sacada nisso tudo é que sai de cena a dependência de fontes de recursos governamentais, que geralmente são burocráticos e limitados, bem como do chamado mainstream da Indústria Cultural, para haver uma saudável relação direta entre o artista e o seu público. É o fim das gravadoras e dos grandes estúdios? Não, longe disso. Antes é uma forma de dar fôlego aos novos talentos que ainda não foram descobertos e que inundam sites de compartilhamento como Youtube e MySpace. Além disso, crowdfunding está intimamente ligado a redes sociais e seu funcionamento. Em outras palavras, é uma outra forma do artista medir sua aceitação e construir um relacionamento mais íntimo com seu próprio público, que pode inclusive interferir na produção, sugerir alternativas e conhecer de antemão novidades relacionadas ao financiado.
Eu mesmo conheci no Facebook uma jovem artista de 14 anos que tem tudo para ser a Miley Cyrus brasileira: bonita, talentosa, canta perfeitamente em inglês, multiinstrumentista, trata em suas letras de assuntos que interessam ao seu público, sem deixar de encantar as audiências mais maduras, que se solidarizam com sua garra em tentar buscar seu próprio espaço. Talvez ela não tenha necessidade ainda de fazer uso do crowdfunding, e talvez nunca o utilize, mas certamente seria uma candidata típica a esse tipo de apoio. Ela já usa os demais recursos disponíveis na Internet para a divulgação do seu trabalho. No caso de precisar de mais um empurrãozinho, saberia a quem pedir recursos quando precisasse.
Por outro lado, os administradores dos sites de crowdfunding cobram entre 5 e 30% do total arrecadado em cada projeto, o que é bem menos do que o normalmente negociado pelas agências e gravadoras. Ou seja, todo mundo sai ganhando.
Se você se interessou por esse assunto e quer ajudar seu artista desconhecido favorito ou ser ajudado em um projeto cultural que esteja há um bom tempo esquecido na gaveta por achar que nunca ninguém iria dar valor ou financiar, leia este artigo da Universia e acesse o blog da Crowdfunding Brasil.
Desejo-lhe boa sorte nos seus projetos!
Ah, e se quiser me doar US$1, eu posso lhe mandar o meu autógrafo, com muito prazer! =D