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terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Nanoeconomia e Economia de Escala: gerando fortunas do “zero”

Sou encantado com as possibilidades ilimitadas do ser humano de gerar riqueza. Diferentemente das escolas tradicionais de Economia, a qual é comumente definida como a "ciência da escassez", tendo como desafio a alocação de recursos escassos para obter produções cada vez maiores, minha concepção de riqueza é mais holística e, por isso mesmo, otimista. Eu costumo adotar a definição dada pelo prof. Masaharu Taniguchi, fundador da Seicho-No-Ie: “riqueza é tudo aquilo que beneficia o homem”. Ele também defende que “tudo se origina na mente”. Com efeito, tudo o que hoje usufruímos como conforto, facilidades, inovação e novas tecnologias são oriundas do trabalho mental de inventores, inovadores, visionários e empreendedores. Ou seja, sua origem é a mente.
Desde que escrevi o artigo “Um império a partir de R$ 0,10”, uma ideia vem martelando minha cabeça: como desenvolver um negócio útil, ou seja, que ofereça produtos e serviços úteis e não seja apenas uma enganação, que gere retorno de R$ 0,10 por cliente, abrangendo um universo de 190 milhões de pessoas, ou seja, toda a população brasileira. Pode parecer maluquice, mas quantas invenções consideradas “maluquices” no passado, hoje são corriqueiras e completamente incorporadas ao nosso dia a dia? Lâmpadas e computadores são apenas dois exemplos.
Atualmente, acredito que somente os lavadores de para-brisas e os baleiros vendam algo (produtos e serviços) a R$ 0,10, e mesmo assim não possuem escala suficiente para alcançarem resultados fabulosos.
O que quero dizer com “escala”? Em linhas gerais, economia de escala é poder aumentar a oferta de produtos e/ou serviços sem gerar o mesmo aumento nos seus custos de produção. A grosso modo, “oferecer mais por menos”. Este termo é usado geralmente por grandes empresas, que possuem capacidade de produção elevada, mas com o advento da Internet e dos produtos e serviços virtuais, é possível verificar similaridades até mesmo nos nanoempreendimentos.
E o que são esses “nanoempreendimentos”? Segundo o Blog dos Administradores 2008, trata-se de “empreendimentos de um homem só”, ou seja, podemos enquadrar nessa definição o Empreendedor Individual, que gera rendimentos de até R$ 36 mil anuais, e o Empresário Individual (antiga Firma Individual), que pode ser de micro, pequeno ou médio porte. Para outros autores, são os empreendimentos que não se classificam como Microempresa, por não alcançarem o faturamento mínimo anual daquela categoria – cerca de R$ 240 mil/ano. O mercado informal, para o qual foi criado o registro como Empreendedor Individual, pode ser classificado dessa forma. Para o nosso caso em especial, vamos considerar apenas a primeira definição.
Um bom exemplo do que quero dizer está na iniciativa do jovem inglês Alex Tew, que criou o site de US$ 1 milhão ou “The Million Dollar Homepage”. Aos 21 anos, ele teve a ideia de vender cada pixel de uma home-page na Web por US$ 1, a fim de poder pagar os custos integrais de sua faculdade. O que parecia uma ideia maluca se tornou um dos maiores fenômenos de marketing da história da Internet, com diversas empresas tendo comprado seu “espaço” na página e na História. Depois da façanha, Tew tentou repetir o feito com o Pixelotto, que seguia a mesma filosofia do primeiro site, mas com o diferencial de oferecer um prêmio de US$ 1 milhão ao internauta que clicasse em um “link da sorte” aleatório, uma forma de atrair visitantes para seus anunciantes. A proposta não pegou e ele acabou encerrando o site pagando um prêmio de US$ 150 mil. Segundo alguns críticos, “um raio não cai no mesmo lugar duas vezes”. Ou seja, esperava-se dele mais inovação e ousadia.
O que depreender dessa história? Como o próprio Tew disse, ele não tinha nada a perder, a não ser cerca de 50 euros do registro da página na Internet e manutenção do site. E a repercussão extrapolou a própria Internet e ganhou o mundo. Entretanto, era um produto limitado: quando atingiu o limite da capacidade, não poderia gerar mais rendimentos. Ou seja, tinha escala, mas até um certo ponto, o da exaustão. De toda forma, o objetivo foi alcançado e Tew recebeu o seu US$ 1 milhão. Se a ideia fosse um rendimento constante e perpétuo, seria necessário pensar em outra coisa, mais sustentável. Quem se habilita?
Sucesso a todos!