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terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Compra do carro (semi)novo: o sonho acabou?

Com a recente determinação da área econômica do Governo Federal de aumentar o compulsório dos bancos com o intuito de reduzir a oferta de crédito no mercado e, consequentemente, reduzir o incentivo ao consumo, a venda de carros novos e usados foi o setor que mais sentiu o impacto. Na época pós-crise financeira americana, como forma de impedir que o Brasil fosse fortemente atingido pela recessão, o governo implementou diversas políticas de estímulo ao consumo interno, tornando o país atraente para o investimento estrangeiro. Dentre estas políticas estava a redução do IPI para os eletrodomésticos chamados linha branca, eletroeletrônicos e automóveis.
Isso gerou a euforia do consumidor, que foi às compras e conseguiu realizar o sonho de trocar a velha geladeira e o carro por modelos novinhos em folha, pagando em suaves prestações e sendo cortejado por diversas instituições financeiras, ávidas por oferecer o crédito que transbordava dos cofres. Mas tudo o que é “doce”, uma hora tem que acabar. E a hora é agora, às vésperas do Natal.
Tanto crédito na praça despertou o “monstro” temido por todos: a inflação. Com ela, veio também a inadimplência, por conta das compras feitas para as festas tradicionais de fim de ano, a começar pelo Dia das Crianças. A fim de evitar um estrago maior, com uma corrida desenfreada às compras neste período de Natal e consequências funestas logo no início de 2011, a equipe econômica resolveu fazer todos apertarem o cinto. Em outras palavras, quem comprou, comprou; quem não comprou, fica pra próxima.
Algumas lojas de departamento e concessionárias, para atingirem suas metas de venda no ano, resolveram “financiar” os consumidores, mantendo as regras de crédito antigas para alguns produtos e por prazo limitado. Foi o que aconteceu com algumas marcas populares de automóveis, que mantiveram os valores de entrada abaixo dos 30% do valor total do veículo, por cerca de uma semana após a determinação do governo. É possível que, procurando muito e pechinchando, seja possível conseguir alguma facilidade de crédito.
Observando como educador financeiro, a medida do governo é bem vinda como forma de disciplinar o consumo. Contudo, só isso não basta. É preciso evitar o imediatismo consumista do nosso povo e isso só se consegue com educação e estímulo à formação de poupança. Com juros irrisórios, a poupança há muito deixou de ser uma aplicação atraente, mesmo para o consumidor disciplinado e conservador. Outro ponto a ser observado é a demora em definir a tão propalada reforma tributária, que enfrenta o lobby de governos estaduais e municipais, receosos de perder arrecadação. Por fim, o próprio governo precisa fazer o dever de casa, reduzindo seus gastos e colocando a casa em ordem.
Trata-se de um círculo vicioso: povo mal-educado financeiramente gera governo perdulário, que não investe em educação adequada para a população. Uma das pontas precisa tomar a iniciativa e é isso que todos nós que divulgamos a Educação Financeira em nosso país estamos fazendo. Estamos apenas começando...
Sucesso e muito dinheiro em 2011!