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segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Ano Novo, Dívida Nova

Hoje comecei a ler o livro “Dívida Boa, Dívida Ruim”, de Jon Hanson (Best Seller). Na minha humilde opinião, é um “clássico” entre os livros de Educação Financeira; e, certamente, leitura obrigatória para todos nós, brasileiros, que nos afogamos em dívidas, geralmente ruins, nestes festejos de fim de ano. Dívida é como gravidez: na hora do prazer, ninguém pensa nela; mas quando aparece é, para a grande maioria, uma intrusa indesejável. Contudo, quando são planejadas, tanto uma como a outra são recebidas com naturalidade e até mesmo com alegria.
No livro citado, Hanson diferencia a dívida boa, ou seja, aquela que geram algum tipo de retorno no médio ou longo prazo – podemos até chamá-la de “investimento” – da dívida ruim, aquela que não gera nenhum tipo de retorno futuro. Exemplificando, as mensalidades de um curso de idiomas ou da faculdade podem ser consideradas uma dívida boa, enquanto que a compra de uma camisa nova e de grife – consequentemente, mais cara que outra similar, de uma marca menos conhecida –, quando se tem dez no guarda-roupa ainda pouco usadas, seria uma dívida ruim.
Claro que, a depender da situação, uma aquisição tanto pode se tornar uma dívida boa como uma dívida ruim. O mesmo curso de idiomas pode ser visto como uma dívida ruim caso seja interrompido no meio do caminho, ou se não tiver nenhuma utilidade prevista, não passando de apenas uma forma de mostrar status intelectual. E a camisa a mais pode ser boa se, por força de uma promoção ou por uma questão cultural do ambiente em que se vive ou trabalha, o uso de marcas caras seja um diferencial no “marketing pessoal”. Sim, isso é mais comum do que se imagina, lamentavelmente.
Seja como for, concordo com Hanson de que contrair uma dívida não implica, necessariamente, em algo ruim. O problema está no descontrole. Posso citar meu próprio exemplo: minha esposa e eu, juntamente com nossos familiares, decidimos não comprar presentes para trocarmos entre nós neste Natal. Ao invés disso, “nos demos” nossos próprios presentes, decididos em conjunto, a fim de não nos comprometermos mais do que podemos, tendo em vista o fato de estarmos financiando nosso apartamento e a proximidade do nascimento do nosso primeiro filho. Os presentes foram, na medida do possível, comprados a vista ou, quando a prazo, em parcelas fixas, sem juros. E limitaram-se a um presente para cada um, não nos permitindo seduzir pelas “ofertas” dos lojistas. Concentramo-nos em coisas realmente necessárias para nós, úteis e de uso diário. E ficamos satisfeitos com o que ganhamos de nós mesmos.
Por outro lado, períodos em que tradicionalmente se compram e trocam presentes são “armadilhas” a serem evitadas por toda pessoa educada financeiramente. Antecipar ou adiar as compras para períodos neutros, quando o comércio lança mão de promoções e liquidações para “desovar” o estoque, deve ser o hábito de qualquer consumidor consciente. Quem não se criticou intimamente alguma vez na vida por ter comprado um produto que, poucos meses depois, teve o preço reduzido, muitas vezes até pela metade? Essa é a grande vantagem da “recompensa adiada”, brilhantemente explicada no livro “O Motorista e o Milionário”, de Joachim de Posada e Ellen Singer. Outro livro altamente recomendado e que representa uma maravilhosa “dívida boa”! A aplicação daquela lição simples, mas difícil de seguir – no mundo consumista atual, é fundamental para todo aquele que deseja acumular fortunas e tornar-se um milionário.
Portanto, se o leitor está vivendo uma “ressaca moral” por ter contraído mais dívidas para o ano que se inicia, não se preocupe. Como disse o Mestre dos Mestres Jesus Cristo, “(...) nem eu te condeno. Vai e não peques mais”. Podemos converter nossas dívidas ruins em dívidas boas, na medida em que conferimos uma utilidade a elas que reverta em vantagens financeiras no decorrer do tempo: o aparelho celular novo que se torna ferramenta de trabalho; a mensalidade da TV por assinatura usada para assistir canais internacionais, para treinar o ouvido para o domínio de idiomas estrangeiros; a máquina de lavar que libera o tempo para a leitura de livros e outros estudos; e assim por diante.
Desejo a todos os nossos leitores um ano de 2011 de muitas realizações, através de Planejamento Financeiro, corretos investimentos em si mesmos e nos seus dependentes e, principalmente, atitudes ricas – magnanimidade, amor, misericórdia, alegria, entusiasmo, fé e decisão.
Feliz Ano Novo!