InícioBlogEventosVídeosOs autoresContatoRecomendamos

domingo, 31 de outubro de 2010

Ter ou não ter: eis a questão

Em tempos de bonança econômica e crédito farto, a maioria das pessoas se anima com a possibilidade de poder realizar seus sonhos de consumo: o carro novo, a compra ou a reforma da casa, a troca da mobília, a TV de LED, enfim, todos os confortos proporcionados pela vida moderna e que geralmente está longe do alcance dos menos abastados.
Também o comércio se anima com a possibilidade de aumentar seus resultados; por força de uma concorrência crescente, procura por todos os meios incentivar o consumidor a realizar gastos, por assim dizer, inoportunos.
“Mas não posso perder uma oportunidade dessas! Minha TV está caindo aos pedaços e as de LED estão cada vez mais baratas”, diria o leitor. Este é o ponto: a tendência dos preços é de cair ainda mais ou se estabilizar. Por exemplo, no ano passado um netbook Acer era encontrado com preços a partir de R$ 899 reais, com 512 Mb de memória RAM e HD SSD de 4 Gb. Hoje já é possível encontrá-lo por menos de R$ 800 com 1 Gb de memória e HD SATA com 160 Gb! O mesmo fenômeno se reflete em praticamente todos os eletro-eletrônicos.
Portanto, antes de correr para as compras, lembre-se de que não vivemos mais os tempos bicudos de inflação galopante, onde um bem de consumo dobrava de preço a cada semana. É necessária uma mudança de hábitos, abrindo mão do consumismo e adotando uma postura mais comedida e racional.
Se deseja comprar um produto, faça essa experiência: abra uma conta de poupança, deposite o valor correspondente àquele bem e aguarde uns seis meses, sem mexer no dinheiro. Quando der vontade de comprar outro bem e tiver o dinheiro para isso, deposite na mesma conta, juntando com o valor anterior, e espere igualmente os seis meses. Além de comprar o bem pelo mesmo valor ou menos do que hoje, você ainda conseguirá acumular alguns juros – poucos, é verdade, mas já servirá como estímulo para o hábito de poupar.

sábado, 30 de outubro de 2010

2011: um ano de oportunidades - Parte II

(continuando...)
Desta forma, temos uma “fórmula” preparada: renda fixa, de preferência próxima ou superior à SELIC, que pode ser obtida através da aquisição de títulos da divida pública, através do Tesouro Direto, tomando o cuidado de verificar a taxa de administração cobrada, que a depender da corretora escolhida, pode até ser de 0% (em caso de reciprocidade, relacionada à aquisição de outros produtos).
Já quanto à renda variável, as ações podem ser a solução, mas advirto: o foco deve ser o longo prazo, situação na qual esta modalidade tem maior eficácia. Outro ponto de discussão é sobre o tipo de análise de ações, ou seja, escolher entre a análise gráfica, que considera as tendências reveladas pelos formatos dos gráficos, ou a análise fundamentalista, que se preocupa com os fundamentos das empresas cujas ações estão sendo negociadas. Sinceramente, a análise fundamentalista é, na minha opinião, a alternativa de melhor viabilidade para quem dispõe de pouco tempo e poucos recursos para investir, ainda mais que a análise gráfica exige movimentação constante, o que eleva os riscos de erro para quem não está tão familiarizado com o mercado de ações.
E antes que os fanáticos por gráficos e softwares relacionados à esta forma de análise comecem a criticar, explico o porque da minha opinião: em outra edição da mesma revista Época, foi entrevistado o Professor Terrence Odean, da escola de administração da Universidade da Califórnia, onde ele explica que o desempenho de investidores individuais tende a ser muito inferior ao de investidores institucionais, que inclusive, interferem na formação de preços das ações. (Clique Aqui)
De certa forma, o Professor Odean, com suas pesquisas, mostra que a análise fundamentalista, com seus princípios voltados para o longo prazo e a estratégia chamada buy and hold (comprar e guardar) se adéquam a quem, como disse antes, dispõe de menos recursos e tempo. Além disso, há o exemplo sempre válido do mega investidor americano Warren Buffett e seus princípios, que sugiro a todos (inclusive aos grafistas) que conheçam.
Porém, a idéia principal é: estudem as diferentes formas de investimentos e invistam! Ninguém pode se dar bem no mercado de ações ou em quaisquer outros ativos (financeiros ou não), se não estudar. Para isto, existem livros, sites, simuladores e outros elementos que dão conhecimento com segurança aos investidores iniciantes. E que 2011 seja o ano dos bons investimentos.
Abraços a todos,   

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

2011: um ano de oportunidades - Parte I

Li a edição nº 648 da Revista Época, que trata de Finanças Pessoais e que tem como chamariz a idéia de encerrar o ano de 2018 (mais dois mandatos presidenciais) com R$ 1 milhão de patrimônio. Como sempre, o velho número mágico!!!!! Toda vez que se fala em independência financeira, o 1º milhão surge como fetiche, e saibam, este fetiche muito apetece a este modesto escriba também. Só que há um porém, que está devidamente esclarecido pela revista, mas que acho bom ressaltar: esta conta de R$ 1 milhão até 2018 foi feita considerando um montante inicial de R$ 150 mil e aportes de R$ 40 mil anuais (R$ 3.333,33 mensais), turbinados por rentabilidade anual média de 14,85%, ou 1,16% mensais.
Aí, ficamos com duas questões para resolver: 1ª) Como dispor de R$ 3.333,33 mensais para investir? 2ª) Como alcançar uma rentabilidade mensal de 1,16% durante 96 meses consecutivos?
A primeira é bem mais complexa que a segunda, posto que, esta família deve ter uma renda líquida de pelo menos R$15.000,00 (investindo em torno de 20% da renda, bem acima dos 10% sugeridos pela maioria dos especialistas). Quanto à segunda pergunta, responderia com a boa e velha mescla de renda fixa e renda variável. Porém, temos que ter em vista que a maioria das famílias brasileiras não dispõe desta renda e nem tem grandes volumes de investimento, o que torna a projeção da Época algo fora da realidade ATUAL da maioria das pessoas, fazendo com que o R$ 1 milhão até 2018 seja um “conto de fadas”.
Agora que temos consciência da nossa situação, o que fazemos? Aproveitamos esta oportunidade e coletamos informações que de alguma maneira contribuam com nossa política de investimentos para o ano de 2011, que parece, será um ano com boas oportunidades, a começar pelas oportunidades de conhecimento e de adquirir disciplina para poupar. Além disto, as oportunidades se configuram, entre outras coisas, na nossa taxa básica de juros, a SELIC, uma das mais altas do mundo, mas que não alcança aqueles 14,85% anuais a que nos referimos. Então, a alternativa é complementar a rentabilidade com renda variável. E neste campo, o investimento mais conhecido é o de ações, com todas as perspectivas que envolvem as maiores empresas do país. (continua...)

sábado, 16 de outubro de 2010

Sobre Educação Financeira Pessoal

Eu estava pensando outro dia sobre os desejos que nós, humanos, nutrimos (e não são poucos) e sobre o que precisamos fazer para realizá-los. Na sociedade em que vivemos, capitalista, quase tudo que desejamos depende de dinheiro, depende de posses. Dessa forma, o dinheiro é um bem escasso, posto que a sua distribuição (falta dela, na verdade) resulta em insuficiência para alguns e abundância fora do normal para outros tantos mundo afora.

“Onde é que esse cara quer chegar com isso?” você deve estar se perguntando. O que eu quero mostrar, amigo(a), é que essa situação de escassez de um bem tão precioso nos obriga a fazer escolhas diariamente e mais, nos obriga a aprimorar nosso processo de escolhas. Isso não é novidade, tem sido dessa forma desde a invenção da moeda, há aproximadamente 2.800 anos, o que mudou há alguns anos é a forma com que o homem relaciona-se com o dinheiro, entendendo que para alcançar determinados objetivos ou realizar desejos havia uma importante decisão a tomar: a de poupar dinheiro, abrir mão de um prazer imediato (consumo) para ter um prazer futuro, de maior intensidade.

Basicamente, isto se chama Educação Financeira Pessoal, um conceito extremamente importante para a formação de cidadãos conscientes de seu papel na sociedade, que entre outras coisas, abrange a prosperidade, como forma de contribuir na geração de emprego e renda para outras pessoas, ou seja, contribuir para um círculo virtuoso na economia. Agora, você, leitor(a), deve estar se inquirindo com outra pergunta: “E como é que eu faço para adquirir Educação Financeira Pessoal? É muito difícil?” Eu responderia “Não e Sim”. Não, porque hoje há muito conhecimento disponível, inclusive na internet, e sim, porque para alguns, adquirir Educação Financeira Pessoal, dependerá de uma mudança radical de atitude, o que não é nada fácil, mas também passa longe de ser impossível.

Enfim, meus amigos, o que nós queremos aqui é estimular a sua reflexão sobre as coisas que quis adquirir e não fez ainda, além de te propor buscar soluções inteligentes para isto, ou então, para você que já pratica a Educação Financeira Pessoal, propomos participar do processo de multiplicação deste conhecimento, afinal há milhões de pessoas no Brasil que ainda não se educaram financeiramente e que não contribuem tanto quanto seu potencial permite.

Forte abraço e até a próxima.

"Não cuidar da saúde financeira pode ter impacto em todas as áreas"

Marcelo Ferreira e Adriano Duarte
No mês de fevereiro de 2010, concedemos uma entrevista ao site do SINDHOSBA - Sindicato dos Hospitais e Estabelecimentos de Serviços de Saúde do Estado da Bahia, onde explanamos sobre a importância da Educação Financeira e do planejamento das Finanças Pessoais para o bem estar individual e até para o desenvolvimento do país. Segue a transcrição na íntegra.

"Não cuidar da saúde financeira pode ter impacto em todas as áreas"
Por Nayara Lobo

É o que afirmam os consultores Marcelo Andrade Ferreira e Adriano Araújo Duarte, os responsáveis pelo curso Saúde Financeira: Cuidando dos males do bolso, que será realizado no dia cinco de março, na sede do Sindhosba.
“Estamos esperando ansiosos pelo curso. Acreditamos que ele será um pontapé inicial para um processo de mudança comportamental e também financeira na vida dos nossos alunos. A nossa ideia não é só ensinar para um grupo limitado de pessoas, mas para que eles sejam multiplicadores”, revelam Marcelo e Adriano. Em entrevista ao Portal Sindhosba, eles esclarecem dúvidas sobre como tratar as finanças de forma mais leve e com saldo positivo no final do mês.

Sindhosba – O que é ser “educado financeiramente”?
Marcelo Ferreira e Adriano Duarte - O nosso conceito de educação financeira é a junção de duas dimensões: a primeira dimensão é a finança pessoal, que envolve orçamento, administração, investimento e multiplicação do patrimônio. A segunda dimensão é comportamental, que envolve alinhamento e posturas. O comportamento é baseado na questão de disciplina. Um problema que nós, brasileiros, temos é o imediatismo. O primeiro dinheiro que aparece ao invés de pensarmos em empregá-lo para utilizar no futuro, pensamos em gastá-lo naquele momento.

Sindhosba – Existe uma fórmula para fazer planejamento de despesas?
Marcelo Ferreira e Adriano Duarte - Fórmula não, mas um padrão – listar as despesas e classificá-las por ordem de prioridade, importância e também por valor. Algumas despesas são fixas e outras variáveis mês a mês e a gente não sabe quanto vai gastar. Essa listagem nos dá um panorama mais claro de como estamos gastando nossa renda e como devemos estruturar nosso orçamento. A partir daí é que podemos escolher quais despesas cortar, reduzir ou quais não podemos ou não queremos fazer ajuste. Essa é a forma, talvez, mais adequada de fazer orçamento doméstico. Mas isso exige disciplina. Primeiro deve-se anotar todos os gastos para ter uma base de dados mais coerente.

Sindhosba – Como incutir a cultura do “a vista” na população soteropolitana, acostumada a parcelar compras?
Marcelo Ferreira e Adriano Duarte - Acreditamos que seria uma questão de avaliar a necessidade de se fazer a aquisição. Exemplo prático: Atualmente o Governo Federal tem dado apoio à população para adquirir eletrodoméstico de linha branca e IPI reduzido para automóveis populares. Esse apoio, por um lado ajuda, porque tem a vertente de gerar emprego e renda, o que é importantíssimo, mas por outro lado há um estímulo ao consumismo e a questão do imediatismo.
A influência governamental tem um impacto muito grande. O nosso país mereceria ter uma cultura voltada para a poupança interna, apoiando a política da poupança do cidadão. Não estamos desestimulando ou negando a importância da compra parcelada; as vezes o parcelamento pode ser mais vantajoso.
O crédito é um dos motores do desenvolvimento da economia em qualquer país porque aumenta a capacidade de consumo das pessoas e das empresas e contribui na geração de emprego e renda. Entretanto, é importante ter em vista que o uso do crédito em excesso é prejudicial porque reduz a poupança interna do país e faz com que a taxa de juros aumente.

Sindhosba – Existem evidências sobre a produtividade afetada no trabalho, em decorrência da situação financeira?
Marcelo Ferreira e Adriano Duarte - Não só existem evidências de que a produtividade no trabalho pode ser afetada pela situação financeira, como há até estudos no exterior que comprovam que questões financeiras são a causa predominante de divórcios. Então o que fica claro é que não cuidar da saúde financeira pode ter impactos em todas as áreas da vida das pessoas.
É importante observar que a questão do comportamento ligado à questão financeira funciona como um ciclo vicioso. Quanto mais preocupado, estressado com problemas financeiros em casa, menos ele rende no trabalho, e assim por diante. Daí a necessidade de trabalhar o comportamento da pessoa em relação à sua vida financeira, não só no aspecto de finanças, economia, mas no aspecto de gerenciamento de crise. Ou seja, somente com uma postura mais centrada durante o momento de crise é que é possível alcançar ideias ou soluções para resolução do problema.
O brasileiro aparece entre os povos mais felizes do mundo, mesmo diante de tantas mazelas. Entretanto, nossa visão é que esse fator comportamental tem que ser usado como impulsionador da prosperidade, e infelizmente, muitas vezes é utilizado como fator de comodismo.

Sindhosba – Quem ganha mais trabalha melhor?
Marcelo Ferreira e Adriano Duarte - Não necessariamente. No livro do Tim Sanders, o Fator Gente Boa, tem um trecho em que ele faz uma citação: “aceitei um emprego ruim porque tinha um bom salário”. Muitas pessoas se sujeitam a trabalhar em uma coisa para as quais elas não tem um perfil adequado. A maioria das pessoas age dessa forma, de aceitar um determinado serviço, ou de buscar uma profissão porque gera dinheiro, mas a pessoa não tem qualificação ou perfil adequado para esse trabalho. A questão é: a pessoa está preparada para isso?
O quesito felicidade está diretamente ligado à questão do emprego. Aquele que é infeliz no trabalho não consegue gerar; só consegue se endividar. Quando não é valorizada, a pessoa não produz. O principal é não fazer do seu trabalho apenas fonte de renda, porque ele faz parte sua personalidade. Trabalho e vida pessoal são intrínsecos.

Sindhosba – De que forma a questão do mau uso do dinheiro mexe com o humor do trabalhador?
Marcelo Ferreira e Adriano Duarte – A necessidade de adquirir sempre, nos traz o conceito de obsolescência programada. O produto é lançado hoje para durar pouco tempo e as pessoas comprarem outro. Além disso, o mercado está implementando melhorias constantemente como acontece com celulares, computadores, etc., o que estimula ainda mais o consumo desenfreado. O mau uso do dinheiro mexe no humor com aumento de estresse.
Há também indícios que a fé ajuda as pessoas, mas é importante não ficar só nisso. A espiritualidade também está ligada a questão comportamental, porque a fé é um dos alicerces das pessoas para aumentar a auto-estima. Para que você prospere não deve reforçar a ideia de pobreza; ao contrário, deve nutrir pensamentos de riqueza, ai você consegue alcançar seus objetivos. Ao invés de se reconhecer pobre, dizer que está temporariamente em uma situação complicada. A gente não deve pedir; deve afirmar. A palavra é pensamento, palavra falada e comportamento.

Sindhosba – Como investir em lazer sem ter a impressão de empregar mal o dinheiro?
Marcelo Ferreira e Adriano Duarte - O lazer faz parte da vida do ser humano. Não podemos simplesmente pensar no orçamento o tempo todo. É preciso que o lazer seja uma atividade planejada, que consuma recursos dentro dos limites estabelecidos. Feito dessa forma, acreditamos que o lazer pode ser prazeroso. Viajar, fazer uma atividade esportiva, ir ao cinema, restaurante, são atividades que o ser humano precisa e são formas de recarregar as baterias para encarar sua vida de trabalho, geralmente estressante. É preciso investir em lazer. Lazer é investimento.
O tipo de lazer varia da necessidade das pessoas. Cortar despesas implica em fazer escolhas. É mais fácil fazer escolhas de uma forma que você não perceba tão facilmente. Lazeres baratos e constantes tendem a ser mais prazerosos do que passar provações durante algum tempo para se divertir em um momento, com opções mais caras.
As pessoas precisam utilizar os processos de auto-premiação. Muitas pessoas se privam de determinados prazeres para compensar essas horas em dinheiro – horas extras, e acabam perdendo qualidade de vida. Para que você possa crescer financeiramente é necessário crescer culturalmente e diminuir a carga de estresse. Ao invés de cortar o lazer, o certo seria, no momento que você está passando um aperto, ir buscar o lazer, não o que vai ter gastos exorbitantes, mas buscar um lazer compatível: ir à praia, respirar ar puro, ir ao parque. Tudo isso são fatores que auxiliam as pessoas a descontrair a mente e o pensamento do corre-corre diário e estimulam a ter ideias e soluções para os problemas.

Sindhosba – “Criatividade a favor do enriquecimento pessoal”. Como desenvolver outras atividades sem comprometer o desempenho e a carga horária do trabalhar assalariado?
Marcelo Ferreira e Adriano Duarte - Esse é um ponto chave do nosso projeto, da nossa visão financeira. Criatividade é muito importante como forma de construir independência financeira a partir do momento que faz as pessoas ampliarem seus horizontes.
A maioria das pessoas quando se vê numa situação financeira difícil, pensa logo em cortar despesas e nisso ela se adapta a um padrão de vida menor e a depender do que ela corta, vai ser frustrante. Procurar uma forma de expandir a renda é melhor do que cortá-la, porque isso força a pessoa a ter criatividade e resolver os problemas. É importante procurar outras atividades para complementar a renda.

Sindhosba – Isso entra em conflito com duas outras questões já abordadas: a do poupar primeiro e comprar depois e a de ter mais lazer para recarregar as baterias. Quando você passa mais tempo trabalhando, a carga horária aumenta, o estresse também não aumenta?
Marcelo Ferreira e Adriano Duarte - O que se recomenda é que as pessoas desenvolvam atividades prazerosas, preferivelmente mais do que a principal, de forma que esse tempo não seja de irritação, de fazer coisas de forma burocrática apenas por fazer.
E em relação ao poupar primeiro e depois consumir, essa questão do forçar a pessoa a buscar expandir a renda, não é que ela vá fazer isso de uma forma irresponsável, extrapolar o seu limite, mas ela precisa compreender que, à medida que surge um problema financeiro ela corta uma despensa e se priva de uma coisa para se encaixar no orçamento, ela se enquadra em um padrão menor. A pessoa vai buscar uma renda maior, mas atentando para que isso não traga um problema maior, gerando uma bola de neve. Nós temos a ideia arraigada de que, quanto mais eu trabalho, mais eu me estresso, mais eu me canso. Exemplo: quem joga futebol gosta do que tá fazendo e eles treinam muito, a semana inteira para um jogo. Eles não se veriam em outra profissão. Não é só trabalho, mas é também diversão.

Sindhosba – Como ser criativo com as obrigações do trabalho e do lar?
Marcelo Ferreira e Adriano Duarte - O processo criativo não está ligado necessariamente a estar parado em uma determinada situação e receber uma “inspiração divina”. As ideias fluem no momento em que você, no seu dia-a-dia, está atento às oportunidades, algumas vezes até de eliminar um esforço. O momento de criatividade não está dissociado ao trabalho. Quando você tem uma necessidade, pode recorrer, inicialmente, ao que chamamos popularmente de gambiarra. Mas ela pode ser um protótipo para algo melhor a ser desenvolvido no futuro. A gambiarra é uma das modalidades da criatividade. Foi da necessidade que surgiu a fralda descartável, para as mães não lavarem fraldas o tempo todo enquanto cuidavam dos filhos. O valor agregado pode gerar riqueza através de processos simples.

Sindhosba – “Todos nós temos o dever moral de sermos ricos” (Adriano). Como ser rico em uma sociedade com segregações e não igualitária, vindo de baixo?
Marcelo Ferreira e Adriano Duarte - A pessoa é pobre porque ela é mentalmente pobre, não é porque ela não tem a capacidade de enriquecer, e nem a sociedade, nem o mundo em geral impede que ela seja rica. Existem pessoas que não estão preparadas para serem ricas e existem outras em que a riqueza vai a elas, atraída como a um imã, porque são mentalmente ricas. Com essas mentalidade é que atraímos a riqueza. Para isso é importante ter disciplina.
O ser rico não é só questão de ter dinheiro em banco. A grande maioria das pessoas que ganharam na Mega Sena não tem mais um tostão porque a mente delas não estava preparada para aquilo. O que vem rápido costuma ir embora rápido. A verdade é que hoje vivemos em uma sociedade em que os valores pessoais se deterioraram um pouco mais. Passaram da questão do SER para o TER e agora para o PARECER TER. 

Sindhosba – Como continuar sendo rico com tantos impostos? Em que investir?
Marcelo Ferreira e Adriano Duarte - A primeira coisa que o empresário deve fazer é tentar entender a crise econômica. E elas são cíclicas. Nelas, as empresas menos capazes vão desaparecer e as mais adaptáveis vão sobreviver. Os chineses costumam dizer que as crises geram oportunidades, e é verdade.
Adaptação sem acomodação – É preciso estar pronto para os momentos de estabilidade e instabilidade. Em relação a impostos, a carga tributária brasileira é asfixiante. Ela converge contra a sociedade de forma geral, que faz com que esteja subjugada ao Estado, que concentra recursos e 40% do PIB. Mas é possível enriquecer nesse cenário, apesar de ser mais difícil. A carga tributária para pessoa física é regressiva e pesa muito mais nos menos abastados do que nos mais abastados. Gêneros de primeiro grau tem as cargas mais pesadas. Pessoas pobres sofrem mais, em média quase 50% do salário mínimo é para impostos. Enquanto para quem recebe vinte mil reais a carga tributária, proporcionalmente, cai para 20%. Enriquecer nesse cenário é mais difícil do que continuar rico. A situação é de menos sofrimento.
Quem está mais em baixo tem que superar a injustiça dos impostos. Os impostos para empregar as pessoas são muito altos, o que é uma pena, pois deveria ser o contrário. Empregar não deveria ter tanto ônus, para fazer com que a sociedade empregue e a população economicamente ativa entre para o mercado formal. O índice de mercado informal em Salvador é muito grande. Isso decorre dos impostos. Essa informalidade reduz a arrecadação e faz aumentar a alíquota para quem paga. Quanto mais pessoas enriquecerem, mais o país sai beneficiado.

Sindhosba – Existe um Projeto de Lei – nº 3401/2004, que visa implantar educação financeira na grade curricular das escolas, de 5ª a 8ª séries – proposta pelo deputado Loobe Neto (PSDB-SP) e encaminhado para o senado. Vocês acham que esse projeto vai pra frente? Ele pode ajudar a resolver a situação do brasileiro?
Marcelo Ferreira e Adriano Duarte - É até surpreendente que alguém tenha tido essa iniciativa aqui no Brasil. Em outros países a educação financeira já é algo que está com um nível de avanço muito maior. A fase escolar é perfeita para isso, porque a pessoa ainda está em formação. O empreendedorismo deve ser ensinado desde os primeiros anos do jardim da infância para que as crianças formem um espírito empreendedor. Os próprios pais devem ensinar os filhos a gerar riqueza, usando a criatividade. A mesada deve ser usada como ensinamento do processo de relações de empreendedor e de financiamento para produzir determinado produto ou serviço, de forma simples e intuitiva que a criança apreende e aquilo se torna uma forma de gerar riqueza de conhecimento.
Quanto a ir para frente, não temos certeza, fica a torcida, mas a importância é fundamental. É uma fase de formação e que vai contribuir bastante para sair de uma cultura de poupança interna reduzida, de baixo investimento por parte das pessoas para se igualar a outros países. O cidadão ter uma situação financeira boa converge para a prosperidade do país, faz com que haja mais recursos disponíveis e proporcione uma taxa de juros menor.