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sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Criando bons hábitos financeiros

Assim como, acredito eu, a maioria dos nossos leitores, estou me empenhando para adquirir e manter bons hábitos financeiros. É a minha decisão para 2011. Afinal, depois de passar por vários apertos e frustrações em 2010, aprendi a lição: algo precisa ser feito. E é preciso começar já.
Uma das coisas que aprendi na prática este ano – porque em livros a gente vê o tempo todo... – foi a “não contar com os ovos que ainda estão dentro da galinha”, ou seja, não faça compras contando com dinheiro que ainda não está na sua conta, livre e desimpedido. Eu havia negociado um imóvel e estava esperando receber o dinheiro antes do fim do ano, para comprar outro. Comprometi-me com a compra do segundo imóvel, sem ter recebido ainda pela venda do primeiro, pois não podia perder uma boa oportunidade de negócio e confiava que receberia o dinheiro logo, logo. Para minha tristeza, o comprador não honrou o compromisso e tive que fazer muita ginástica para pagar as intermediárias do apartamento. Estou cumprindo minha parte no segundo negócio, mas tudo teria sido mais fácil se estivesse com o dinheiro do outro imóvel já disponível.
Outra lição aprendida é de que a dilação – ou recompensa adiada – realmente vale a pena. Em meados de 2009 me rendi à sedução dos smartphones com tela touchscreen. Mas, como os valores dos aparelhos eram impraticáveis pro meu bolso, acabei comprando um modelo “xing-ling”. Para o que eu desejava do aparelho, não fez feio, mas nem se comparava à qualidade dos modelos de marca conhecida. Neste Natal, aproveitei uma promoção e troquei de aparelho. Na minha opinião, o “xing-ling” se pagou. Mas, se eu tivesse esperado mais, teria partido direto para um smartphone de melhor qualidade.
Por outro lado, aprendi também a aproveitar bem as promoções durante o ano, especialmente de livros. Aprendi a pesquisar bastante sobre os produtos que me interessam e procurar em várias lojas, inclusive sites especializados em pesquisa de preços, como o Buscapé. Com isso, consegui adquirir bons livros como a obra de James C. Hunter (autor de O Monge e o Executivo) por preços bem módicos.
Para 2011, a primeira providência será começar a poupar com regularidade e perseverança. Segundo diversos autores, mas dando ênfase a Jon Hanson, o ideal é poupar entre 10 e 20% dos rendimentos brutos mensais. Devido a uma série de fatores, tenho postergado esse bom hábito mas, analisando meus gastos, percebi ser possível fazer isso sem maiores sacrifícios, nem abrir mão de um ou outro luxo.
Em seguida, começar a liquidar as dívidas acumuladas, que impactam no orçamento mensal, como os empréstimos e juros do cheque especial. Alguns leitores mais experientes podem questionar esta ordem, primeiro poupar, depois reduzir as dívidas. Explico: no meu caso específico, as dívidas não impactam tanto quanto a falta de um hábito de poupar. E como são empréstimos com juros baixos (ou valores pequenos, no caso do cheque), podem ser administrados enquanto construo um fundo adequado para, mais pra frente, liquidá-los completamente.
Com este exemplo, fica claro que a solução de problemas financeiros não é uma ciência exata, que funciona por igual para todas as pessoas. Ela segue a premissa de que “cada caso é um caso”, dependendo do perfil financeiro do indivíduo, suas aspirações, seu modo de se relacionar com o dinheiro e, especialmente, seus hábitos de consumo. Entretanto, alguns ingredientes são os mesmos para todos: disciplina, auto-controle, planejamento e definição de objetivos, entre outros mais.
Desejo mais uma vez a todos os leitores do nosso blog um 2011 pleno de êxito e realizações, com muito dinheiro no bolso e na conta, além de boas aplicações financeiras para garantir mais anos de tranquilidade e paz!
Sucesso a todos!

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

O Sonho da Virada

Fim de Ano, além de ser época de gastos como vimos no artigo anterior, é também a época em que milhares de brasileiros sonham com a possibilidade de se tornarem milionários da noite para o dia. Até a data de hoje, a estimativa do prêmio da Mega Sena da Virada é de R$ 190 milhões. E não são poucos os que imaginam – e desejam – ganhar sozinhos toda essa bolada. Mas quando surge a pergunta “o que você vai fazer com todo esse dinheiro?”, conta-se nos dedos os que respondem com rapidez.
As primeiras coisas que vêm a cabeça como respostas a esta pergunta são “comprar uma casa boa e grande”, “comprar uma Ferrari, Porsche, etc.”, “ajudar meus pais e parentes”, “viajar pelo mundo e nunca mais precisar trabalhar” e outras coisas de mesmo teor. A questão é que, com cerca de R$ 5 milhões, é possível fazer tudo isso e até muito mais. O que você fará, então, com os outros R$ 185 milhões?
Se ter pouco dinheiro é problemático, ter dinheiro demais também o é. Estamos condicionados ao que vivenciamos no dia a dia e/ou ao que já vivemos no passado. Todo ser humano tem dificuldade de se adaptar a mudanças bruscas no padrão de vida. Em outras palavras, quem nunca viu tanto dinheiro antes sob sua responsabilidade, não consegue manter esse dinheiro por muito tempo. Inúmeros são os exemplos de ganhadores de prêmios de loteria que não só perderam o que ganharam, como passaram a viver em condições piores do que antes.
O problema é simples de compreender: todos querem ser ricos – e podem ser ricos, mas não se preparam para ser ricos. Ser rico não é apenas uma questão de dinheiro em conta ou patrimônios espalhados pelo mundo. É uma questão de atitude, é um estado de espírito. É muito mais uma questão de ser do que de ter.
E tudo começa da definição de riqueza que cada pessoa sustenta. Para algumas pessoas, ter R$ 10 no bolso é estar rica. Para outras, R$ 100 mil resolve todos os seus problemas financeiros. E para uma minoria, R$ 1 milhão é uma ninharia. Ter uma correta dimensão do que significam as cifras que representam seu patrimônio futuro e saber gerenciar mais do que possui hoje é fundamental para o candidato a milionário.
Há quem acredite que apenas acumular dinheiro é suficiente para alguém ser rico. Acumular riquezas é fácil; mantê-las é que são elas. Portanto, se queremos ser milionários, temos que pensar, falar, agir e nos sentir como milionários. E para isso, não precisamos ter o dinheiro. Precisamos ter atitude.
Para um “aporte” de R$ 190 milhões, é necessário colocar na ponta do lápis tudo o que será feito com o dinheiro, de investimentos e aplicações até as retiradas mensais para viagens e consumo pessoal. E, mesmo que contrate um contador ou administrador para isso, não poderá deixar que o contratado faça o que bem entender, sem verificar periodicamente se as contas estão “batendo”. Sim, um milionário não para de trabalhar, mesmo que não precise disso para viver, e o escritório dele seja a bordo de um navio ou à beira da praia.
O leitor provavelmente me perguntaria: “E você? O que faria com R$ 190 milhões?” Eu faria o “dever de casa”: 1) me pagaria com 10% do montante, para usar da forma que julgar melhor; 2) o restante seria dividido em partes menores e iguais, que seriam aplicados em investimentos diversos, como ações, fundos multimercado, títulos do Tesouro Nacional, imóveis (neste caso teria que constituir uma administradora para cuidar disso), entre outros, seguindo a regra de “não colocar todos os ovos no mesmo cesto”; 3) criaria uma Fundação para, com parte dos rendimentos obtidos nas aplicações financeiras, apoiar iniciativas de cunho social, promovendo o benefício de um grande número de pessoas e, ao mesmo tempo, diminuindo a mordida do Leão (Imposto de Renda). A partir destes 3 passos, faria todas as outras coisas que todo mundo faria, como ajudar parentes e adquirir bens. E viveria de renda pelo resto da vida...
Se o leitor fez a sua “fezinha”, desejo-lhe sorte!
A todos, um 2011 de muito sucesso e dinheiro!

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Ano Novo, Dívida Nova

Hoje comecei a ler o livro “Dívida Boa, Dívida Ruim”, de Jon Hanson (Best Seller). Na minha humilde opinião, é um “clássico” entre os livros de Educação Financeira; e, certamente, leitura obrigatória para todos nós, brasileiros, que nos afogamos em dívidas, geralmente ruins, nestes festejos de fim de ano. Dívida é como gravidez: na hora do prazer, ninguém pensa nela; mas quando aparece é, para a grande maioria, uma intrusa indesejável. Contudo, quando são planejadas, tanto uma como a outra são recebidas com naturalidade e até mesmo com alegria.
No livro citado, Hanson diferencia a dívida boa, ou seja, aquela que geram algum tipo de retorno no médio ou longo prazo – podemos até chamá-la de “investimento” – da dívida ruim, aquela que não gera nenhum tipo de retorno futuro. Exemplificando, as mensalidades de um curso de idiomas ou da faculdade podem ser consideradas uma dívida boa, enquanto que a compra de uma camisa nova e de grife – consequentemente, mais cara que outra similar, de uma marca menos conhecida –, quando se tem dez no guarda-roupa ainda pouco usadas, seria uma dívida ruim.
Claro que, a depender da situação, uma aquisição tanto pode se tornar uma dívida boa como uma dívida ruim. O mesmo curso de idiomas pode ser visto como uma dívida ruim caso seja interrompido no meio do caminho, ou se não tiver nenhuma utilidade prevista, não passando de apenas uma forma de mostrar status intelectual. E a camisa a mais pode ser boa se, por força de uma promoção ou por uma questão cultural do ambiente em que se vive ou trabalha, o uso de marcas caras seja um diferencial no “marketing pessoal”. Sim, isso é mais comum do que se imagina, lamentavelmente.
Seja como for, concordo com Hanson de que contrair uma dívida não implica, necessariamente, em algo ruim. O problema está no descontrole. Posso citar meu próprio exemplo: minha esposa e eu, juntamente com nossos familiares, decidimos não comprar presentes para trocarmos entre nós neste Natal. Ao invés disso, “nos demos” nossos próprios presentes, decididos em conjunto, a fim de não nos comprometermos mais do que podemos, tendo em vista o fato de estarmos financiando nosso apartamento e a proximidade do nascimento do nosso primeiro filho. Os presentes foram, na medida do possível, comprados a vista ou, quando a prazo, em parcelas fixas, sem juros. E limitaram-se a um presente para cada um, não nos permitindo seduzir pelas “ofertas” dos lojistas. Concentramo-nos em coisas realmente necessárias para nós, úteis e de uso diário. E ficamos satisfeitos com o que ganhamos de nós mesmos.
Por outro lado, períodos em que tradicionalmente se compram e trocam presentes são “armadilhas” a serem evitadas por toda pessoa educada financeiramente. Antecipar ou adiar as compras para períodos neutros, quando o comércio lança mão de promoções e liquidações para “desovar” o estoque, deve ser o hábito de qualquer consumidor consciente. Quem não se criticou intimamente alguma vez na vida por ter comprado um produto que, poucos meses depois, teve o preço reduzido, muitas vezes até pela metade? Essa é a grande vantagem da “recompensa adiada”, brilhantemente explicada no livro “O Motorista e o Milionário”, de Joachim de Posada e Ellen Singer. Outro livro altamente recomendado e que representa uma maravilhosa “dívida boa”! A aplicação daquela lição simples, mas difícil de seguir – no mundo consumista atual, é fundamental para todo aquele que deseja acumular fortunas e tornar-se um milionário.
Portanto, se o leitor está vivendo uma “ressaca moral” por ter contraído mais dívidas para o ano que se inicia, não se preocupe. Como disse o Mestre dos Mestres Jesus Cristo, “(...) nem eu te condeno. Vai e não peques mais”. Podemos converter nossas dívidas ruins em dívidas boas, na medida em que conferimos uma utilidade a elas que reverta em vantagens financeiras no decorrer do tempo: o aparelho celular novo que se torna ferramenta de trabalho; a mensalidade da TV por assinatura usada para assistir canais internacionais, para treinar o ouvido para o domínio de idiomas estrangeiros; a máquina de lavar que libera o tempo para a leitura de livros e outros estudos; e assim por diante.
Desejo a todos os nossos leitores um ano de 2011 de muitas realizações, através de Planejamento Financeiro, corretos investimentos em si mesmos e nos seus dependentes e, principalmente, atitudes ricas – magnanimidade, amor, misericórdia, alegria, entusiasmo, fé e decisão.
Feliz Ano Novo!

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Desmistificando a Bolsa de Valores

Nos últimos dias estava lendo o livro “O assunto é bolsa”, de Carlos Alberto Sardenberg e Mara Luquet, uma obra que recomendo para todos que querem investir em ações, por duas razões: a primeira é que é um livro com linguagem bastante acessível e que abrange diversos aspectos com leveza, ou seja, qualquer pessoa pode ler e entender. A segunda razão é a própria importância deste tipo de investimento, que precisa fazer parte de qualquer planejamento de independência financeira, a não ser para aqueles que se sentem muito incomodados com o risco.

Este livro contribui também para desmistificar o investimento em ações, acabar com os mitos de que: investir na bolsa é o mesmo que jogar em um cassino; é preciso muito dinheiro para começar a investir; é preciso ficar o tempo todo acompanhando a bolsa, alucinadamente; os ganhos são necessariamente de curto prazo e; o seu amigo que ganhou dinheiro vai te ensinar e você também vai ganhar dinheiro. Então, vejamos:

- A bolsa é igual a um cassino: quem pensa assim é ESPECULADOR, não um INVESTIDOR. Verdadeiros investidores pensam de forma sustentável, entendendo que ganhar dinheiro com ações é um processo muito distante de ser aleatório ou exclusivamente de sorte. Os verdadeiros investidores se informam, pesquisam e simulam antes de sair colocando dinheiro como quem aposta em cavalos;

- É preciso ter muito dinheiro para começar a investir em ações: não é verdade! Já existem fundos e clubes de investimentos em ações, cuja aplicação inicial é de R$ 100,00. Além disto, mesmo para quem quer ser home broker (investidor que gerencia sua própria carteira) é possível começar com poucos recursos, ainda que seja mais difícil e menos recomendável;

- Tem que acompanhar o sobe e desce das ações o tempo todo: só precisa fazer isso quem investe ou especula através dos princípios de análise gráfica ou técnica, que considera as oscilações das cotações das ações e seus gráficos como tendências do que pode acontecer, e assim planejar compras e vendas de ações. Quem opta pela análise fundamentalista, que considera os aspectos econômico-financeiros das empresas, não necessita estar alerta o tempo todo;

- Os ganhos são imediatos: dificilmente se ganha dinheiro imediatamente com ações, há inclusive um consenso de que o forte deste tipo de investimento é o longo prazo, com perspectivas de bons ganhos quando são feitas boas escolhas. Este é outro pensamento típico de especuladores.

- Seu amigo ganhou dinheiro com ações e vai te dar umas dicas: se seu amigo, cunhado, pai, irmão ou tio vai te dar umas dicas, pense bem! O mercado de ações não é tão simplista assim, exige a formulação e revisão periódica de uma estratégia de investimentos. É preciso planejar e agir de forma estruturada. Uma pessoa pode ter tido um golpe de sorte e estar te dando uma dica que, na verdade, será uma roubada.

Desta forma, a grande contribuição dada por este livro, além, é claro, da expertise do Sardenberg e da Mara Luquet, e das estatísticas, é sem dúvida a perspectiva educativa e esclarecedora que diferencia um especulador (que é uma figura importante, para dar liquidez ao mercado) e um INVESTIDOR, bem como mostra que investir em ações não precisa ser estressante, pode até ser bem divertido.

Boa sorte a todos e um Feliz Natal!

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Nanoeconomia e Economia de Escala: gerando fortunas do “zero”

Sou encantado com as possibilidades ilimitadas do ser humano de gerar riqueza. Diferentemente das escolas tradicionais de Economia, a qual é comumente definida como a "ciência da escassez", tendo como desafio a alocação de recursos escassos para obter produções cada vez maiores, minha concepção de riqueza é mais holística e, por isso mesmo, otimista. Eu costumo adotar a definição dada pelo prof. Masaharu Taniguchi, fundador da Seicho-No-Ie: “riqueza é tudo aquilo que beneficia o homem”. Ele também defende que “tudo se origina na mente”. Com efeito, tudo o que hoje usufruímos como conforto, facilidades, inovação e novas tecnologias são oriundas do trabalho mental de inventores, inovadores, visionários e empreendedores. Ou seja, sua origem é a mente.
Desde que escrevi o artigo “Um império a partir de R$ 0,10”, uma ideia vem martelando minha cabeça: como desenvolver um negócio útil, ou seja, que ofereça produtos e serviços úteis e não seja apenas uma enganação, que gere retorno de R$ 0,10 por cliente, abrangendo um universo de 190 milhões de pessoas, ou seja, toda a população brasileira. Pode parecer maluquice, mas quantas invenções consideradas “maluquices” no passado, hoje são corriqueiras e completamente incorporadas ao nosso dia a dia? Lâmpadas e computadores são apenas dois exemplos.
Atualmente, acredito que somente os lavadores de para-brisas e os baleiros vendam algo (produtos e serviços) a R$ 0,10, e mesmo assim não possuem escala suficiente para alcançarem resultados fabulosos.
O que quero dizer com “escala”? Em linhas gerais, economia de escala é poder aumentar a oferta de produtos e/ou serviços sem gerar o mesmo aumento nos seus custos de produção. A grosso modo, “oferecer mais por menos”. Este termo é usado geralmente por grandes empresas, que possuem capacidade de produção elevada, mas com o advento da Internet e dos produtos e serviços virtuais, é possível verificar similaridades até mesmo nos nanoempreendimentos.
E o que são esses “nanoempreendimentos”? Segundo o Blog dos Administradores 2008, trata-se de “empreendimentos de um homem só”, ou seja, podemos enquadrar nessa definição o Empreendedor Individual, que gera rendimentos de até R$ 36 mil anuais, e o Empresário Individual (antiga Firma Individual), que pode ser de micro, pequeno ou médio porte. Para outros autores, são os empreendimentos que não se classificam como Microempresa, por não alcançarem o faturamento mínimo anual daquela categoria – cerca de R$ 240 mil/ano. O mercado informal, para o qual foi criado o registro como Empreendedor Individual, pode ser classificado dessa forma. Para o nosso caso em especial, vamos considerar apenas a primeira definição.
Um bom exemplo do que quero dizer está na iniciativa do jovem inglês Alex Tew, que criou o site de US$ 1 milhão ou “The Million Dollar Homepage”. Aos 21 anos, ele teve a ideia de vender cada pixel de uma home-page na Web por US$ 1, a fim de poder pagar os custos integrais de sua faculdade. O que parecia uma ideia maluca se tornou um dos maiores fenômenos de marketing da história da Internet, com diversas empresas tendo comprado seu “espaço” na página e na História. Depois da façanha, Tew tentou repetir o feito com o Pixelotto, que seguia a mesma filosofia do primeiro site, mas com o diferencial de oferecer um prêmio de US$ 1 milhão ao internauta que clicasse em um “link da sorte” aleatório, uma forma de atrair visitantes para seus anunciantes. A proposta não pegou e ele acabou encerrando o site pagando um prêmio de US$ 150 mil. Segundo alguns críticos, “um raio não cai no mesmo lugar duas vezes”. Ou seja, esperava-se dele mais inovação e ousadia.
O que depreender dessa história? Como o próprio Tew disse, ele não tinha nada a perder, a não ser cerca de 50 euros do registro da página na Internet e manutenção do site. E a repercussão extrapolou a própria Internet e ganhou o mundo. Entretanto, era um produto limitado: quando atingiu o limite da capacidade, não poderia gerar mais rendimentos. Ou seja, tinha escala, mas até um certo ponto, o da exaustão. De toda forma, o objetivo foi alcançado e Tew recebeu o seu US$ 1 milhão. Se a ideia fosse um rendimento constante e perpétuo, seria necessário pensar em outra coisa, mais sustentável. Quem se habilita?
Sucesso a todos!

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Compra do carro (semi)novo: o sonho acabou?

Com a recente determinação da área econômica do Governo Federal de aumentar o compulsório dos bancos com o intuito de reduzir a oferta de crédito no mercado e, consequentemente, reduzir o incentivo ao consumo, a venda de carros novos e usados foi o setor que mais sentiu o impacto. Na época pós-crise financeira americana, como forma de impedir que o Brasil fosse fortemente atingido pela recessão, o governo implementou diversas políticas de estímulo ao consumo interno, tornando o país atraente para o investimento estrangeiro. Dentre estas políticas estava a redução do IPI para os eletrodomésticos chamados linha branca, eletroeletrônicos e automóveis.
Isso gerou a euforia do consumidor, que foi às compras e conseguiu realizar o sonho de trocar a velha geladeira e o carro por modelos novinhos em folha, pagando em suaves prestações e sendo cortejado por diversas instituições financeiras, ávidas por oferecer o crédito que transbordava dos cofres. Mas tudo o que é “doce”, uma hora tem que acabar. E a hora é agora, às vésperas do Natal.
Tanto crédito na praça despertou o “monstro” temido por todos: a inflação. Com ela, veio também a inadimplência, por conta das compras feitas para as festas tradicionais de fim de ano, a começar pelo Dia das Crianças. A fim de evitar um estrago maior, com uma corrida desenfreada às compras neste período de Natal e consequências funestas logo no início de 2011, a equipe econômica resolveu fazer todos apertarem o cinto. Em outras palavras, quem comprou, comprou; quem não comprou, fica pra próxima.
Algumas lojas de departamento e concessionárias, para atingirem suas metas de venda no ano, resolveram “financiar” os consumidores, mantendo as regras de crédito antigas para alguns produtos e por prazo limitado. Foi o que aconteceu com algumas marcas populares de automóveis, que mantiveram os valores de entrada abaixo dos 30% do valor total do veículo, por cerca de uma semana após a determinação do governo. É possível que, procurando muito e pechinchando, seja possível conseguir alguma facilidade de crédito.
Observando como educador financeiro, a medida do governo é bem vinda como forma de disciplinar o consumo. Contudo, só isso não basta. É preciso evitar o imediatismo consumista do nosso povo e isso só se consegue com educação e estímulo à formação de poupança. Com juros irrisórios, a poupança há muito deixou de ser uma aplicação atraente, mesmo para o consumidor disciplinado e conservador. Outro ponto a ser observado é a demora em definir a tão propalada reforma tributária, que enfrenta o lobby de governos estaduais e municipais, receosos de perder arrecadação. Por fim, o próprio governo precisa fazer o dever de casa, reduzindo seus gastos e colocando a casa em ordem.
Trata-se de um círculo vicioso: povo mal-educado financeiramente gera governo perdulário, que não investe em educação adequada para a população. Uma das pontas precisa tomar a iniciativa e é isso que todos nós que divulgamos a Educação Financeira em nosso país estamos fazendo. Estamos apenas começando...
Sucesso e muito dinheiro em 2011!

domingo, 12 de dezembro de 2010

Educação Financeira a um clique de você!

Li hoje, na internet, um artigo da Você S/A (veja aqui) que fala sobre como a internet tornou a Educação Financeira algo amplamente acessível. O artigo mostra exemplos de pessoas que usam a internet como fonte de informação e de ação para melhorar sua situação financeira, além de listar perfis de twitter, sites e blogs ligados à Educação Financeira.

No caso dos brasileiros, a internet chegou quase ao mesmo tempo que o Plano Real (1994), sendo que este estabilizou a economia brasileira contra a inflação exagerada que a assolava, nos dando a possibilidade de realizar planejamento financeiro de longo prazo, abrindo espaço para o desenvolvimento da Educação Financeira em nosso país.

Sendo assim, vivemos um momento fabuloso, com muitas alternativas, mas ainda com a necessidade de educar financeiramente o maior número possível de pessoas, por duas importantes razões: 1ª): um povo educado financeiramente não tolera desperdícios (inclusive dos recursos públicos) e entende que seu enriquecimento individual serve ao desenvolvimento econômico e social, ou seja, coletivo e; 2ª): ainda que o caminho a trilhar não seja tão simples, é muito fácil obter informações e instrumentos de educação e controle financeiro pessoal.

Então, aproveite! Você tem ao seu alcance tudo que precisa para ser bem sucedido financeiramente. É só querer!

Até a próxima, 

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Sobre a corrente "mágica" dos R$ 2,00

Esta semana recebi, mais uma vez, um e-mail falando de um sistema “inteligentíssimo” que gera dividendos de “fantásticos R$ 300 mil ou muito mais" em poucos dias ou meses. Tudo graças à magia da Progressão Geométrica. Uma das variações do mesmo texto pode ser vista neste fórum. Segundo seu autor, que varia de nome a cada correio semelhante que recebo, com um investimento inicial de R$ 12,00, referentes a depósitos individuais de R$ 2,00 em seis contas-correntes informadas no corpo da mensagem, e o envio de pelo menos 250 e-mails replicando a mensagem.
A primeira vista, os cálculos são plausíveis e certamente o “negócio” daria os frutos prometidos, se não fossem alguns fatores a considerar.
O primeiro é que, como toda corrente, e como também consta no corpo da mensagem, muitas pessoas recebem a mensagem e a desconsideram, ou mesmo é descartada automaticamente pelo cliente de e-mail, que possui ferramentas anti-spam que filtram esse e outros tipos de mensagem enviadas em forma de corrente. Além disso, a mensagem sugere que se use as listas de endereços válidos de e-mail disponíveis no Orkut e por “fornecedores” de listas. Ou seja, você enviaria e-mails para pessoas que não o conhecem. Caro leitor, você depositaria algum dinheiro, por pouco que fosse, para alguém que não conhece – e nem mesmo viu o rosto? Caso a lista fosse de pessoas conhecidas ou próximas, a chance de êxito seria bem maior, mas se for pra ser assim, não faria sentido a corrente. Uma “vaquinha” entre amigos seria suficiente. Portanto, de 250 mensagens, talvez pouco menos da metade serão lidas e quase nenhuma gerará o depósito em conta. Diferentemente do informado na mensagem, 3% de retorno (cerca de oito pessoas) não é ser pessimista, é ser altamente otimista.
Segundo, o uso de listas de e-mails disponíveis no Orkut ou de “fornecedores”, obtidas geralmente de forma fraudulenta, constitui crime informático passível de punição mesmo com a nossa antiquada legislação. Disparar centenas ou milhares de e-mails de uma vez, como querem os criadores de correntes, gera instabilidade nas transmissões da Internet e causa diversos danos aos destinatários.
Terceiro, como a ideia é realização de depósitos individuais em contas-correntes de desconhecidos, onde não há nenhuma informação de quem está recebendo o dinheiro, esta é uma das formas preferidas dos narcotraficantes e demais tipos de criminosos organizados efetuarem a chamada “lavagem de dinheiro”. Uma forma eficiente, limpa e totalmente legal de serem financiados, supostamente passando despercebidos pela vigilância das instituições financeiras. Por isso mesmo, os bancos são orientados pelo Banco Central do Brasil a monitorar contas que apresentem pequenos depósitos em modalidade semelhante ao sugerido pela corrente. Acredito que nenhum leitor gostaria de ser confundido com traficantes ou bandidos.
Por último, se o método da corrente fosse tão bom assim como quer fazer acreditar, não precisaria encher nossa caixa de correio todos os meses e veríamos muitos multimilionários andando pelas nossas ruas.
Contudo, o princípio em que se baseia esta corrente não é de todo inválido. Na verdade, é a mesma base do Marketing Multinível (MMN), um negócio altamente lucrativo e totalmente legal, que envolve empresas legalmente constituídas e faz circular quantias assombrosas de dinheiro. Além da legalidade, uma das diferenças entre a corrente e o MMN é que neste último há o fornecimento de produtos e/ou serviços, o que agrega mais valor ao negócio. Não se trata mais de “doação” pura e simples, mas de auxílio mútuo através do atendimento de necessidades específicas.
Portanto, um negócio legal que ofereça algo de grande utilidade pública a valores módicos, usando uma eficiente divulgação, obedecendo os preceitos da ABEMD – Associação Brasileira de Marketing Direto e as regras anti-spam conforme o CGI.br, não só é possível como viável a qualquer leitor que esteja disposto a descobrir esta mina de ouro. Só depende de você.
Sucesso!

Passos para ficar milionário????????

Hoje eu li algo interessante no site Terra (clique aqui): um especial trazendo 15 dicas de economistas para se tornar milionário. Estas dicas estão apresentadas como "passos para ficar milionário". Particularmente, não gosto desta definição, porque fica parecendo com mais uma daquelas "fórmulas mágicas", típicas de obras com nomes tais como "Fique rico em 15 dias" ou "Fique rico sem se esforçar" e coisas parecidas.

Eu denominaria estas dicas como "hábitos e atitudes para ficar milionário", afinal a idéia de "passos" faz o processo de enriquecimento parecer meramente sequencial, um passo após o outro, quando na verdade, as boas práticas devem ser executadas constantemente e simultaneamente, senão vejamos: o primeiro "passo" fala em organização, algo que precisa ser reforçado a vida inteira, um processo que nunca termina e que é fundamental para o alcance e também para a manutenção da independência financeira.

Ao mesmo tempo em que o candidato a milionário se organiza, ele pratica outros 5 "passos", no caso: orçamento, economia diária (a dica proposta fala em R$ 10,00 diários), corte de gastos, busca por remunerações extras e investimentos. Estes 6 "passos", sobre os quais comentamos, juntos, são o processo de independência financeira! Do contrário, se o candidato a milionário organiza-se hoje e para de se organizar logo depois, quando começa a cortar gastos e obter receitas extras, ele voltará à "estaca zero" em pouco tempo.

Os outros 9 passos do especial são explicações a respeito de aplicações financeiras, o que é, claro, muito importante, pois são as formas de investimentos que provavelmente atraem mais pessoas, e que ainda suscitam muitas dúvidas.

É importante que os grandes portais da internet dediquem algum espaço para tratar de educação financeira e é importante também que os internautas, ao ler um artigo deste tipo, abstraiam os chavões (do tipo "passos para ficar milionário") e outros "penduricalhos", que terminam por distorcer a realidade e algumas vezes, escondem a essência e o que deve ser compreendido. Neste caso a essência é: o processo de independência financeira é contínuo, sem fim, e formado por etapas simultâneas.

Até a próxima,

sábado, 4 de dezembro de 2010

O seu futuro começa hoje!

Acabei de ler um post num blog da Você S/A (clique aqui) sobre um teste com crianças e marshmallows, que visava analisar a capacidade de adiar o recebimento de recompensas, uma característica fundamental para quem tem um projeto de independência financeira. A necessidade de controlar os impulsos de sair gastando vorazmente (e comprando tudo que se tem vontade) tende a ser compensada no futuro e esta é a recompensa que quero advogar aqui.

Economizar uma parte do que ganhamos é uma atitude de responsabilidade e inteligência com nosso futuro, ainda mais para quem tem sua renda exclusivamente ligada a um emprego, e o princípio é bastante simples: quando deixamos de gastar algum dinheiro hoje e investimos, teremos uma recompensa, seja através dos juros de aplicações financeiras, seja pelos ganhos de capital (comprar um bem por um preço e vendê-lo por preço maior), seja pelo pro-labore obtido como empresário. Esta recompensa impulsiona o montante economizado e vai te aproximar da independência financeira!!!!!

Trazendo esta explicação para uma realidade próxima, quero dizer que o 13º salário, na medida do possível, deve ter uma parte (a depender da situação, pode-se usar o 13ª inteiro) destinada para a amortização de dívidas (se houver), uma segunda parte destinada a investir na sua independência financeira (sua educação financeira se inclui nestes investimentos) e a última parte pode ser destinada a comprar uns presentes ou lembrancinhas e pagar a ceia natalina e de reveillon.

Lembre-se disso:  a construção de seu futuro começa hoje! Não deixe para depois!

Até a próxima!

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Um império a partir de R$ 0,10

Há alguns anos atrás recebi no e-mail do trabalho, de um estagiário, um e-mail muito interessante sobre a diferença de rendimentos entre um estagiário e um mendigo. Como, por obra e graça da dinâmica da empresa, já mudei de computador várias vezes, acabei perdendo a mensagem. Resolvi, então, procurar na Internet e, como era de se esperar, encontrei em vários sites. Veja uma versão neste fórum.
Os cálculos e considerações do texto não estão errados, embora não leve em conta alguns fatores, como um possível envolvimento de pessoas que cobrem "pedágio" ou "aluguel" do ponto onde o mendigo permanece, o consumo de bebidas, drogas e outros tipos de vícios, que acabam dilapidando os rendimentos, entre outras coisas. Mas não me surpreenderia se alguém dissesse - como já chegou aos meus ouvidos há algum tempo - que algum desses mendigos que vemos nas ruas possuem imóveis de aluguel e outros bens conseguidos com a mendicância. É, a primeira vista, um negócio extremamente lucrativo e livre de impostos.
Não estou aqui querendo encorajar ninguém à mendicância como meio de vida, nem fazendo campanha contra as doações voluntárias de dinheiro. Na verdade, quero é apontar para uma interessante constatação: as aparências enganam! Nos iludimos com a aparência das pessoas, acreditando que uma vestimenta rota é símbolo de um viver miserável, mas muitas vezes aquela pessoa maltrapilha pode ter mais bens do que você! Este é um alerta que faço especialmente para os trabalhadores do comércio em geral, que costumam oferecer tratamento diferenciado de acordo com o que o cliente veste. Esse é um equívoco dos mais graves!
Por outro lado, se uma pessoa que nada faz além de estender a mão e, num ar de súplica e sofrimento, consegue auferir quase R$ 1,5 mil por mês, quanto você não conseguirá beneficiando diversas pessoas, utilizando seu conhecimento e talento? No fórum citado, alguma pessoas colocam que não vale a pena ser professor, estagiário, etc., devido aos baixos salários. Mas ninguém é obrigado a permanecer na mesma situação pelo resto da vida. O mundo está repleto de alternativas para aqueles que não têm medo de tomar as rédeas de sua própria vida. Quantos professores, médicos, administradores, engenheiros, estudantes, garis, donas de casa que ouvimos falar por aí deram uma guinada em suas vidas e enriqueceram quando colocaram seus talentos naturais em evidência? Para quem não sabe, o ex-Ministro da Cultura, cantor e compositor Gilberto Gil é formado em Administração. O igualmente cantor e compositor maranhense Zeca Baleiro é formado em Comunicação Social. Não tenho conhecimento se algum dia exerceram efetivamente as respectivas profissões, mas o certo é que não permaneceram. E são muito bem sucedidos.
Portanto, ficam as sugestões: 1) não perca tempo com trivialidades - descubra seu talento, desenvolva-o o máximo que puder e coloque-o a serviço da sociedade, cobrando ou não por isso; 2) economize pelo menos 10% dos seus rendimentos todos os meses, para formar uma fonte de independência financeira; 3) ouse, inove, busque novos meios para atingir seus objetivos - ninguém está condenado a morrer trabalhando na mesma profissão, na mesma empresa. Se estiver satisfeito onde está, busque inovar a forma como faz as coisas, aperfeiçoando-se e melhorando cada vez mais!
Até a próxima, com muita Prosperidade!

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Educação Financeira nas empresas: por que investir nisso?

Fuçando no twitter (o meu é @_marceloaf e o do Adriano é @opatrocinador) os perfis que sigo, encontrei este link, que é da Nova Visão Investimentos, e fala de uma palestra in company, ou seja, uma empresa os contratou para falar a seus colaboradores sobre Educação Financeira e sua importância. Esta é uma iniciativa louvável e que é de responsabilidade social (de verdade, não só marketing pra "inglês ver").

A grande preocupação das empresas em ter seus colaboradores financeiramente saudáveis, é primordialmente a produtividade. Ninguém consegue produzir em todo o seu potencial quando a cabeça está "a mil", pensando em soluções para pagar o cheque especial, diminuir as dívidas do cartão de crédito, evitar que tomem o carro, o apartamento, que o nome vá parar no SPC, SERASA, CADIN e outras restrições ao crédito. Então, melhor investir e fornecer este tipo de oportunidade de aprendizado (que apesar da prioridade dos resultados da empresa, tem também um caráter social), do que ter colaboradores estressados porque não tem controle de seu orçamento, de suas contas e que podem em alguns casos, tentar uma forma de demissão que lhes dê acesso ao FGTS, para quitar as dívidas.

Se você olhar o primeiro post deste blog, que traz uma entrevista que concedemos, na qual falamos sobre isto também, ou seja, este tipo de investimento por parte das empresas trata-se de uma tendência que, esperamos, avance até se tornar irreversível.

Até a próxima.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Educação Financeira Infantil: quando começar?

Acabo de ler um texto, (Clique Aqui) que aborda uma questão muito importante quando o assunto é Educação Financeira: quando começar a ensinar as crianças a lidar com o dinheiro?

A resposta está lá: por volta dos 4 ou 5 anos de idade, uma idade na qual já é possível começar a apresentar algumas noções de planejamento, explicar as nossas restrições orçamentárias e principalmente, orientar a busca pelo dinheiro, evitando que sejam formados adultos para os quais vale a pena fazer absolutamente qualquer coisa para conseguir dinheiro.

E complementando o texto daquele link com algo que já li há algum tempo, é importante que antes desta idade, quando a criança quiser comprar algo (e você acha que deve dar naquele momento), por exemplo, um doce, é importante entregar a quantia exata (já que estamos falando de crianças com idade por volta dos 3 anos) nas mãos da criança e conduzi-la até o caixa ou a quem recebe o pagamento, para mostrar que a aquisição de um bem requer dinheiro em troca, e assim iniciar o processo de Educação Financeira.

Entretanto, o mais importante de tudo é que a Educação Financeira envolve valores e aspectos de formação de cidadãos extremamente importantes para nossa vida em sociedade, e que ainda precisam ser incorporados por muitos dos que deveriam educar. Esta conscientização é um dos objetivos deste blog, que é parte de um projeto (ainda em desenvolvimento) de Educação Financeira, que conta com suas observações e sugestões.

Forte abraço a todos e até a próxima,

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Dois caminhos, um só resultado...

Caros leitores,


Outro dia, o Adriano me mandou uma "trilogia" de vídeos no youtube (Clique Aqui), relacionada a como ganhar dinheiro e que inicia-se mostrando a possibilidade de ganhar na loteria, apresentando o que seriam técnicas e princípios norteadores das apostas, e depois, apresentando com muita propriedade a história do empresário americano Clark Howard, um cara que é financeiramente independente e que na parte final do terceiro vídeo, fala sobre o que fez para conseguir e para manter-se na sua condição de liberdade.


O que mais chamou minha atenção, sem sombra de dúvidas, foi a afirmação a seguir: "Eu tenho dinheiro pra fazer doações. Tenho dinheiro pra viver o resto da minha vida sem trabalhar, se eu quiser. Eu sou livre e esse é o poder que o dinheiro me dá." Observe que ele fala em "liberdade", "poder de escolha" e "fazer doações", elementos que estão presentes no livro que o Adriano e eu escrevemos, que está em avaliação para publicação em uma editora e que queremos que você tenha a oportunidade de ler.

E de onde vem este "poder"? Vem dos princípios que ele defende e que na minha modesta opinião, e claro, diante das evidências, são fundamentais para o alcance da independência financeira. E quais são estes princípios?

1- Guardar de 15% a 50% de seu salário;
2- Não queira ostentar;
3- Nunca vá ao shopping center e não caia nas armadilhas das etiquetas de loja;
4- Invista suas economias em ações, títulos e cadernetas de poupança.

Com os 4 princípios citados acima, fica claro que enriquecer é uma questão de atitude, e note, ele não dá a mínima para ser qualificado como "pão-duro" e continua buscando alternativas de utilizar seu dinheiro com inteligência, sem desperdícios. Entretanto, reconheço como é difícil evitar totalmente as idas ao shopping center, algo que para nós, brasileiros, faz parte do nosso conceito de lazer. Porém, podemos pelo menos nos preparar para que este lazer não comprometa nosso planejamento financeiro. Já as demais "regras" fazem parte do que comumente se fala sobre independência financeira.

De qualquer maneira, dois possíveis (e diferentes) caminhos foram apresentados e acho que como não são excludentes, podem ser aproveitados ao mesmo tempo, ou seja, enquanto economizamos com inteligência, fazemos algumas tentativas de facilitar nosso caminho, de enriquecer "numa tacada só", sendo que, deveremos estar prontos para saber aproveitar a sorte quando acontecer, para não incorrer no que se sucede com muitos ganhadores de loteria, que simplesmente desperdiçam sua sorte.

Até a próxima,

domingo, 31 de outubro de 2010

Ter ou não ter: eis a questão

Em tempos de bonança econômica e crédito farto, a maioria das pessoas se anima com a possibilidade de poder realizar seus sonhos de consumo: o carro novo, a compra ou a reforma da casa, a troca da mobília, a TV de LED, enfim, todos os confortos proporcionados pela vida moderna e que geralmente está longe do alcance dos menos abastados.
Também o comércio se anima com a possibilidade de aumentar seus resultados; por força de uma concorrência crescente, procura por todos os meios incentivar o consumidor a realizar gastos, por assim dizer, inoportunos.
“Mas não posso perder uma oportunidade dessas! Minha TV está caindo aos pedaços e as de LED estão cada vez mais baratas”, diria o leitor. Este é o ponto: a tendência dos preços é de cair ainda mais ou se estabilizar. Por exemplo, no ano passado um netbook Acer era encontrado com preços a partir de R$ 899 reais, com 512 Mb de memória RAM e HD SSD de 4 Gb. Hoje já é possível encontrá-lo por menos de R$ 800 com 1 Gb de memória e HD SATA com 160 Gb! O mesmo fenômeno se reflete em praticamente todos os eletro-eletrônicos.
Portanto, antes de correr para as compras, lembre-se de que não vivemos mais os tempos bicudos de inflação galopante, onde um bem de consumo dobrava de preço a cada semana. É necessária uma mudança de hábitos, abrindo mão do consumismo e adotando uma postura mais comedida e racional.
Se deseja comprar um produto, faça essa experiência: abra uma conta de poupança, deposite o valor correspondente àquele bem e aguarde uns seis meses, sem mexer no dinheiro. Quando der vontade de comprar outro bem e tiver o dinheiro para isso, deposite na mesma conta, juntando com o valor anterior, e espere igualmente os seis meses. Além de comprar o bem pelo mesmo valor ou menos do que hoje, você ainda conseguirá acumular alguns juros – poucos, é verdade, mas já servirá como estímulo para o hábito de poupar.

sábado, 30 de outubro de 2010

2011: um ano de oportunidades - Parte II

(continuando...)
Desta forma, temos uma “fórmula” preparada: renda fixa, de preferência próxima ou superior à SELIC, que pode ser obtida através da aquisição de títulos da divida pública, através do Tesouro Direto, tomando o cuidado de verificar a taxa de administração cobrada, que a depender da corretora escolhida, pode até ser de 0% (em caso de reciprocidade, relacionada à aquisição de outros produtos).
Já quanto à renda variável, as ações podem ser a solução, mas advirto: o foco deve ser o longo prazo, situação na qual esta modalidade tem maior eficácia. Outro ponto de discussão é sobre o tipo de análise de ações, ou seja, escolher entre a análise gráfica, que considera as tendências reveladas pelos formatos dos gráficos, ou a análise fundamentalista, que se preocupa com os fundamentos das empresas cujas ações estão sendo negociadas. Sinceramente, a análise fundamentalista é, na minha opinião, a alternativa de melhor viabilidade para quem dispõe de pouco tempo e poucos recursos para investir, ainda mais que a análise gráfica exige movimentação constante, o que eleva os riscos de erro para quem não está tão familiarizado com o mercado de ações.
E antes que os fanáticos por gráficos e softwares relacionados à esta forma de análise comecem a criticar, explico o porque da minha opinião: em outra edição da mesma revista Época, foi entrevistado o Professor Terrence Odean, da escola de administração da Universidade da Califórnia, onde ele explica que o desempenho de investidores individuais tende a ser muito inferior ao de investidores institucionais, que inclusive, interferem na formação de preços das ações. (Clique Aqui)
De certa forma, o Professor Odean, com suas pesquisas, mostra que a análise fundamentalista, com seus princípios voltados para o longo prazo e a estratégia chamada buy and hold (comprar e guardar) se adéquam a quem, como disse antes, dispõe de menos recursos e tempo. Além disso, há o exemplo sempre válido do mega investidor americano Warren Buffett e seus princípios, que sugiro a todos (inclusive aos grafistas) que conheçam.
Porém, a idéia principal é: estudem as diferentes formas de investimentos e invistam! Ninguém pode se dar bem no mercado de ações ou em quaisquer outros ativos (financeiros ou não), se não estudar. Para isto, existem livros, sites, simuladores e outros elementos que dão conhecimento com segurança aos investidores iniciantes. E que 2011 seja o ano dos bons investimentos.
Abraços a todos,   

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

2011: um ano de oportunidades - Parte I

Li a edição nº 648 da Revista Época, que trata de Finanças Pessoais e que tem como chamariz a idéia de encerrar o ano de 2018 (mais dois mandatos presidenciais) com R$ 1 milhão de patrimônio. Como sempre, o velho número mágico!!!!! Toda vez que se fala em independência financeira, o 1º milhão surge como fetiche, e saibam, este fetiche muito apetece a este modesto escriba também. Só que há um porém, que está devidamente esclarecido pela revista, mas que acho bom ressaltar: esta conta de R$ 1 milhão até 2018 foi feita considerando um montante inicial de R$ 150 mil e aportes de R$ 40 mil anuais (R$ 3.333,33 mensais), turbinados por rentabilidade anual média de 14,85%, ou 1,16% mensais.
Aí, ficamos com duas questões para resolver: 1ª) Como dispor de R$ 3.333,33 mensais para investir? 2ª) Como alcançar uma rentabilidade mensal de 1,16% durante 96 meses consecutivos?
A primeira é bem mais complexa que a segunda, posto que, esta família deve ter uma renda líquida de pelo menos R$15.000,00 (investindo em torno de 20% da renda, bem acima dos 10% sugeridos pela maioria dos especialistas). Quanto à segunda pergunta, responderia com a boa e velha mescla de renda fixa e renda variável. Porém, temos que ter em vista que a maioria das famílias brasileiras não dispõe desta renda e nem tem grandes volumes de investimento, o que torna a projeção da Época algo fora da realidade ATUAL da maioria das pessoas, fazendo com que o R$ 1 milhão até 2018 seja um “conto de fadas”.
Agora que temos consciência da nossa situação, o que fazemos? Aproveitamos esta oportunidade e coletamos informações que de alguma maneira contribuam com nossa política de investimentos para o ano de 2011, que parece, será um ano com boas oportunidades, a começar pelas oportunidades de conhecimento e de adquirir disciplina para poupar. Além disto, as oportunidades se configuram, entre outras coisas, na nossa taxa básica de juros, a SELIC, uma das mais altas do mundo, mas que não alcança aqueles 14,85% anuais a que nos referimos. Então, a alternativa é complementar a rentabilidade com renda variável. E neste campo, o investimento mais conhecido é o de ações, com todas as perspectivas que envolvem as maiores empresas do país. (continua...)

sábado, 16 de outubro de 2010

Sobre Educação Financeira Pessoal

Eu estava pensando outro dia sobre os desejos que nós, humanos, nutrimos (e não são poucos) e sobre o que precisamos fazer para realizá-los. Na sociedade em que vivemos, capitalista, quase tudo que desejamos depende de dinheiro, depende de posses. Dessa forma, o dinheiro é um bem escasso, posto que a sua distribuição (falta dela, na verdade) resulta em insuficiência para alguns e abundância fora do normal para outros tantos mundo afora.

“Onde é que esse cara quer chegar com isso?” você deve estar se perguntando. O que eu quero mostrar, amigo(a), é que essa situação de escassez de um bem tão precioso nos obriga a fazer escolhas diariamente e mais, nos obriga a aprimorar nosso processo de escolhas. Isso não é novidade, tem sido dessa forma desde a invenção da moeda, há aproximadamente 2.800 anos, o que mudou há alguns anos é a forma com que o homem relaciona-se com o dinheiro, entendendo que para alcançar determinados objetivos ou realizar desejos havia uma importante decisão a tomar: a de poupar dinheiro, abrir mão de um prazer imediato (consumo) para ter um prazer futuro, de maior intensidade.

Basicamente, isto se chama Educação Financeira Pessoal, um conceito extremamente importante para a formação de cidadãos conscientes de seu papel na sociedade, que entre outras coisas, abrange a prosperidade, como forma de contribuir na geração de emprego e renda para outras pessoas, ou seja, contribuir para um círculo virtuoso na economia. Agora, você, leitor(a), deve estar se inquirindo com outra pergunta: “E como é que eu faço para adquirir Educação Financeira Pessoal? É muito difícil?” Eu responderia “Não e Sim”. Não, porque hoje há muito conhecimento disponível, inclusive na internet, e sim, porque para alguns, adquirir Educação Financeira Pessoal, dependerá de uma mudança radical de atitude, o que não é nada fácil, mas também passa longe de ser impossível.

Enfim, meus amigos, o que nós queremos aqui é estimular a sua reflexão sobre as coisas que quis adquirir e não fez ainda, além de te propor buscar soluções inteligentes para isto, ou então, para você que já pratica a Educação Financeira Pessoal, propomos participar do processo de multiplicação deste conhecimento, afinal há milhões de pessoas no Brasil que ainda não se educaram financeiramente e que não contribuem tanto quanto seu potencial permite.

Forte abraço e até a próxima.

"Não cuidar da saúde financeira pode ter impacto em todas as áreas"

Marcelo Ferreira e Adriano Duarte
No mês de fevereiro de 2010, concedemos uma entrevista ao site do SINDHOSBA - Sindicato dos Hospitais e Estabelecimentos de Serviços de Saúde do Estado da Bahia, onde explanamos sobre a importância da Educação Financeira e do planejamento das Finanças Pessoais para o bem estar individual e até para o desenvolvimento do país. Segue a transcrição na íntegra.

"Não cuidar da saúde financeira pode ter impacto em todas as áreas"
Por Nayara Lobo

É o que afirmam os consultores Marcelo Andrade Ferreira e Adriano Araújo Duarte, os responsáveis pelo curso Saúde Financeira: Cuidando dos males do bolso, que será realizado no dia cinco de março, na sede do Sindhosba.
“Estamos esperando ansiosos pelo curso. Acreditamos que ele será um pontapé inicial para um processo de mudança comportamental e também financeira na vida dos nossos alunos. A nossa ideia não é só ensinar para um grupo limitado de pessoas, mas para que eles sejam multiplicadores”, revelam Marcelo e Adriano. Em entrevista ao Portal Sindhosba, eles esclarecem dúvidas sobre como tratar as finanças de forma mais leve e com saldo positivo no final do mês.

Sindhosba – O que é ser “educado financeiramente”?
Marcelo Ferreira e Adriano Duarte - O nosso conceito de educação financeira é a junção de duas dimensões: a primeira dimensão é a finança pessoal, que envolve orçamento, administração, investimento e multiplicação do patrimônio. A segunda dimensão é comportamental, que envolve alinhamento e posturas. O comportamento é baseado na questão de disciplina. Um problema que nós, brasileiros, temos é o imediatismo. O primeiro dinheiro que aparece ao invés de pensarmos em empregá-lo para utilizar no futuro, pensamos em gastá-lo naquele momento.

Sindhosba – Existe uma fórmula para fazer planejamento de despesas?
Marcelo Ferreira e Adriano Duarte - Fórmula não, mas um padrão – listar as despesas e classificá-las por ordem de prioridade, importância e também por valor. Algumas despesas são fixas e outras variáveis mês a mês e a gente não sabe quanto vai gastar. Essa listagem nos dá um panorama mais claro de como estamos gastando nossa renda e como devemos estruturar nosso orçamento. A partir daí é que podemos escolher quais despesas cortar, reduzir ou quais não podemos ou não queremos fazer ajuste. Essa é a forma, talvez, mais adequada de fazer orçamento doméstico. Mas isso exige disciplina. Primeiro deve-se anotar todos os gastos para ter uma base de dados mais coerente.

Sindhosba – Como incutir a cultura do “a vista” na população soteropolitana, acostumada a parcelar compras?
Marcelo Ferreira e Adriano Duarte - Acreditamos que seria uma questão de avaliar a necessidade de se fazer a aquisição. Exemplo prático: Atualmente o Governo Federal tem dado apoio à população para adquirir eletrodoméstico de linha branca e IPI reduzido para automóveis populares. Esse apoio, por um lado ajuda, porque tem a vertente de gerar emprego e renda, o que é importantíssimo, mas por outro lado há um estímulo ao consumismo e a questão do imediatismo.
A influência governamental tem um impacto muito grande. O nosso país mereceria ter uma cultura voltada para a poupança interna, apoiando a política da poupança do cidadão. Não estamos desestimulando ou negando a importância da compra parcelada; as vezes o parcelamento pode ser mais vantajoso.
O crédito é um dos motores do desenvolvimento da economia em qualquer país porque aumenta a capacidade de consumo das pessoas e das empresas e contribui na geração de emprego e renda. Entretanto, é importante ter em vista que o uso do crédito em excesso é prejudicial porque reduz a poupança interna do país e faz com que a taxa de juros aumente.

Sindhosba – Existem evidências sobre a produtividade afetada no trabalho, em decorrência da situação financeira?
Marcelo Ferreira e Adriano Duarte - Não só existem evidências de que a produtividade no trabalho pode ser afetada pela situação financeira, como há até estudos no exterior que comprovam que questões financeiras são a causa predominante de divórcios. Então o que fica claro é que não cuidar da saúde financeira pode ter impactos em todas as áreas da vida das pessoas.
É importante observar que a questão do comportamento ligado à questão financeira funciona como um ciclo vicioso. Quanto mais preocupado, estressado com problemas financeiros em casa, menos ele rende no trabalho, e assim por diante. Daí a necessidade de trabalhar o comportamento da pessoa em relação à sua vida financeira, não só no aspecto de finanças, economia, mas no aspecto de gerenciamento de crise. Ou seja, somente com uma postura mais centrada durante o momento de crise é que é possível alcançar ideias ou soluções para resolução do problema.
O brasileiro aparece entre os povos mais felizes do mundo, mesmo diante de tantas mazelas. Entretanto, nossa visão é que esse fator comportamental tem que ser usado como impulsionador da prosperidade, e infelizmente, muitas vezes é utilizado como fator de comodismo.

Sindhosba – Quem ganha mais trabalha melhor?
Marcelo Ferreira e Adriano Duarte - Não necessariamente. No livro do Tim Sanders, o Fator Gente Boa, tem um trecho em que ele faz uma citação: “aceitei um emprego ruim porque tinha um bom salário”. Muitas pessoas se sujeitam a trabalhar em uma coisa para as quais elas não tem um perfil adequado. A maioria das pessoas age dessa forma, de aceitar um determinado serviço, ou de buscar uma profissão porque gera dinheiro, mas a pessoa não tem qualificação ou perfil adequado para esse trabalho. A questão é: a pessoa está preparada para isso?
O quesito felicidade está diretamente ligado à questão do emprego. Aquele que é infeliz no trabalho não consegue gerar; só consegue se endividar. Quando não é valorizada, a pessoa não produz. O principal é não fazer do seu trabalho apenas fonte de renda, porque ele faz parte sua personalidade. Trabalho e vida pessoal são intrínsecos.

Sindhosba – De que forma a questão do mau uso do dinheiro mexe com o humor do trabalhador?
Marcelo Ferreira e Adriano Duarte – A necessidade de adquirir sempre, nos traz o conceito de obsolescência programada. O produto é lançado hoje para durar pouco tempo e as pessoas comprarem outro. Além disso, o mercado está implementando melhorias constantemente como acontece com celulares, computadores, etc., o que estimula ainda mais o consumo desenfreado. O mau uso do dinheiro mexe no humor com aumento de estresse.
Há também indícios que a fé ajuda as pessoas, mas é importante não ficar só nisso. A espiritualidade também está ligada a questão comportamental, porque a fé é um dos alicerces das pessoas para aumentar a auto-estima. Para que você prospere não deve reforçar a ideia de pobreza; ao contrário, deve nutrir pensamentos de riqueza, ai você consegue alcançar seus objetivos. Ao invés de se reconhecer pobre, dizer que está temporariamente em uma situação complicada. A gente não deve pedir; deve afirmar. A palavra é pensamento, palavra falada e comportamento.

Sindhosba – Como investir em lazer sem ter a impressão de empregar mal o dinheiro?
Marcelo Ferreira e Adriano Duarte - O lazer faz parte da vida do ser humano. Não podemos simplesmente pensar no orçamento o tempo todo. É preciso que o lazer seja uma atividade planejada, que consuma recursos dentro dos limites estabelecidos. Feito dessa forma, acreditamos que o lazer pode ser prazeroso. Viajar, fazer uma atividade esportiva, ir ao cinema, restaurante, são atividades que o ser humano precisa e são formas de recarregar as baterias para encarar sua vida de trabalho, geralmente estressante. É preciso investir em lazer. Lazer é investimento.
O tipo de lazer varia da necessidade das pessoas. Cortar despesas implica em fazer escolhas. É mais fácil fazer escolhas de uma forma que você não perceba tão facilmente. Lazeres baratos e constantes tendem a ser mais prazerosos do que passar provações durante algum tempo para se divertir em um momento, com opções mais caras.
As pessoas precisam utilizar os processos de auto-premiação. Muitas pessoas se privam de determinados prazeres para compensar essas horas em dinheiro – horas extras, e acabam perdendo qualidade de vida. Para que você possa crescer financeiramente é necessário crescer culturalmente e diminuir a carga de estresse. Ao invés de cortar o lazer, o certo seria, no momento que você está passando um aperto, ir buscar o lazer, não o que vai ter gastos exorbitantes, mas buscar um lazer compatível: ir à praia, respirar ar puro, ir ao parque. Tudo isso são fatores que auxiliam as pessoas a descontrair a mente e o pensamento do corre-corre diário e estimulam a ter ideias e soluções para os problemas.

Sindhosba – “Criatividade a favor do enriquecimento pessoal”. Como desenvolver outras atividades sem comprometer o desempenho e a carga horária do trabalhar assalariado?
Marcelo Ferreira e Adriano Duarte - Esse é um ponto chave do nosso projeto, da nossa visão financeira. Criatividade é muito importante como forma de construir independência financeira a partir do momento que faz as pessoas ampliarem seus horizontes.
A maioria das pessoas quando se vê numa situação financeira difícil, pensa logo em cortar despesas e nisso ela se adapta a um padrão de vida menor e a depender do que ela corta, vai ser frustrante. Procurar uma forma de expandir a renda é melhor do que cortá-la, porque isso força a pessoa a ter criatividade e resolver os problemas. É importante procurar outras atividades para complementar a renda.

Sindhosba – Isso entra em conflito com duas outras questões já abordadas: a do poupar primeiro e comprar depois e a de ter mais lazer para recarregar as baterias. Quando você passa mais tempo trabalhando, a carga horária aumenta, o estresse também não aumenta?
Marcelo Ferreira e Adriano Duarte - O que se recomenda é que as pessoas desenvolvam atividades prazerosas, preferivelmente mais do que a principal, de forma que esse tempo não seja de irritação, de fazer coisas de forma burocrática apenas por fazer.
E em relação ao poupar primeiro e depois consumir, essa questão do forçar a pessoa a buscar expandir a renda, não é que ela vá fazer isso de uma forma irresponsável, extrapolar o seu limite, mas ela precisa compreender que, à medida que surge um problema financeiro ela corta uma despensa e se priva de uma coisa para se encaixar no orçamento, ela se enquadra em um padrão menor. A pessoa vai buscar uma renda maior, mas atentando para que isso não traga um problema maior, gerando uma bola de neve. Nós temos a ideia arraigada de que, quanto mais eu trabalho, mais eu me estresso, mais eu me canso. Exemplo: quem joga futebol gosta do que tá fazendo e eles treinam muito, a semana inteira para um jogo. Eles não se veriam em outra profissão. Não é só trabalho, mas é também diversão.

Sindhosba – Como ser criativo com as obrigações do trabalho e do lar?
Marcelo Ferreira e Adriano Duarte - O processo criativo não está ligado necessariamente a estar parado em uma determinada situação e receber uma “inspiração divina”. As ideias fluem no momento em que você, no seu dia-a-dia, está atento às oportunidades, algumas vezes até de eliminar um esforço. O momento de criatividade não está dissociado ao trabalho. Quando você tem uma necessidade, pode recorrer, inicialmente, ao que chamamos popularmente de gambiarra. Mas ela pode ser um protótipo para algo melhor a ser desenvolvido no futuro. A gambiarra é uma das modalidades da criatividade. Foi da necessidade que surgiu a fralda descartável, para as mães não lavarem fraldas o tempo todo enquanto cuidavam dos filhos. O valor agregado pode gerar riqueza através de processos simples.

Sindhosba – “Todos nós temos o dever moral de sermos ricos” (Adriano). Como ser rico em uma sociedade com segregações e não igualitária, vindo de baixo?
Marcelo Ferreira e Adriano Duarte - A pessoa é pobre porque ela é mentalmente pobre, não é porque ela não tem a capacidade de enriquecer, e nem a sociedade, nem o mundo em geral impede que ela seja rica. Existem pessoas que não estão preparadas para serem ricas e existem outras em que a riqueza vai a elas, atraída como a um imã, porque são mentalmente ricas. Com essas mentalidade é que atraímos a riqueza. Para isso é importante ter disciplina.
O ser rico não é só questão de ter dinheiro em banco. A grande maioria das pessoas que ganharam na Mega Sena não tem mais um tostão porque a mente delas não estava preparada para aquilo. O que vem rápido costuma ir embora rápido. A verdade é que hoje vivemos em uma sociedade em que os valores pessoais se deterioraram um pouco mais. Passaram da questão do SER para o TER e agora para o PARECER TER. 

Sindhosba – Como continuar sendo rico com tantos impostos? Em que investir?
Marcelo Ferreira e Adriano Duarte - A primeira coisa que o empresário deve fazer é tentar entender a crise econômica. E elas são cíclicas. Nelas, as empresas menos capazes vão desaparecer e as mais adaptáveis vão sobreviver. Os chineses costumam dizer que as crises geram oportunidades, e é verdade.
Adaptação sem acomodação – É preciso estar pronto para os momentos de estabilidade e instabilidade. Em relação a impostos, a carga tributária brasileira é asfixiante. Ela converge contra a sociedade de forma geral, que faz com que esteja subjugada ao Estado, que concentra recursos e 40% do PIB. Mas é possível enriquecer nesse cenário, apesar de ser mais difícil. A carga tributária para pessoa física é regressiva e pesa muito mais nos menos abastados do que nos mais abastados. Gêneros de primeiro grau tem as cargas mais pesadas. Pessoas pobres sofrem mais, em média quase 50% do salário mínimo é para impostos. Enquanto para quem recebe vinte mil reais a carga tributária, proporcionalmente, cai para 20%. Enriquecer nesse cenário é mais difícil do que continuar rico. A situação é de menos sofrimento.
Quem está mais em baixo tem que superar a injustiça dos impostos. Os impostos para empregar as pessoas são muito altos, o que é uma pena, pois deveria ser o contrário. Empregar não deveria ter tanto ônus, para fazer com que a sociedade empregue e a população economicamente ativa entre para o mercado formal. O índice de mercado informal em Salvador é muito grande. Isso decorre dos impostos. Essa informalidade reduz a arrecadação e faz aumentar a alíquota para quem paga. Quanto mais pessoas enriquecerem, mais o país sai beneficiado.

Sindhosba – Existe um Projeto de Lei – nº 3401/2004, que visa implantar educação financeira na grade curricular das escolas, de 5ª a 8ª séries – proposta pelo deputado Loobe Neto (PSDB-SP) e encaminhado para o senado. Vocês acham que esse projeto vai pra frente? Ele pode ajudar a resolver a situação do brasileiro?
Marcelo Ferreira e Adriano Duarte - É até surpreendente que alguém tenha tido essa iniciativa aqui no Brasil. Em outros países a educação financeira já é algo que está com um nível de avanço muito maior. A fase escolar é perfeita para isso, porque a pessoa ainda está em formação. O empreendedorismo deve ser ensinado desde os primeiros anos do jardim da infância para que as crianças formem um espírito empreendedor. Os próprios pais devem ensinar os filhos a gerar riqueza, usando a criatividade. A mesada deve ser usada como ensinamento do processo de relações de empreendedor e de financiamento para produzir determinado produto ou serviço, de forma simples e intuitiva que a criança apreende e aquilo se torna uma forma de gerar riqueza de conhecimento.
Quanto a ir para frente, não temos certeza, fica a torcida, mas a importância é fundamental. É uma fase de formação e que vai contribuir bastante para sair de uma cultura de poupança interna reduzida, de baixo investimento por parte das pessoas para se igualar a outros países. O cidadão ter uma situação financeira boa converge para a prosperidade do país, faz com que haja mais recursos disponíveis e proporcione uma taxa de juros menor.